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Política

Mapa eleições 2026: Datafolha projeta Lula reeleito com 51,3%

Datafolha projeta Lula reeleito presidente com 51,27% dos votos válidos no 2º turno deste domingo, em eleição sob contestação jurídica após o STF estender votação até 19h.

Mapa eleições 2026: Datafolha projeta Lula reeleito com 51,3%

Eleições 2026

Datafolha indica vitória de Lula no segundo turno, com votação estendida pelo STF até as 19h.

Leia também: Dossiê vazio trava análise política e gera dúvida sobre impacto

O instituto Datafolha projeta neste domingo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República, em uma apuração apertada contra Flávio Bolsonaro (PL) e sob o impacto da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu o horário de votação do segundo turno das eleições 2026 até as 19h.

Com cerca de 80% das urnas apuradas, Lula aparece com 51,27% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro soma 48,89%. A projeção foi divulgada quando a contagem oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda está em andamento, em um cenário de diferença estreita e forte mobilização política e jurídica.

Apuração em tempo real e viradas na contagem

A apuração do resultado para presidente começou logo após o fechamento das primeiras urnas, às 17h, e é atualizada em tempo real pelo TSE, com mapas e dados detalhados por estado. Ao longo da noite, o placar alternou momentos de vantagem para cada candidato, reforçando a sensação de disputa voto a voto.

Em diferentes recortes da apuração, a liderança mudou de lado. Com 30,2% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 50,4% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula. Com 40% da apuração, o senador seguia na frente, com 50,2%, enquanto o petista marcava 49,8%.

O quadro começou a se inverter à medida que mais urnas eram somadas. Com quase 11% da apuração, Lula chegou a registrar 50,4% contra 49,5% de Flávio. Em outro momento, com 47,6% das urnas totalizadas, Lula virou e assumiu a liderança com 50%. Já com mais de 70% das seções apuradas, o presidente tinha 50,92% dos votos, e Flávio Bolsonaro 49,08%.

Segundo estimativa do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a expectativa é que o resultado oficial da eleição presidencial seja conhecido até as 21h. “As eleições estão dentro do esperado e estimamos que o resultado deverá ser conhecido até 21h”, afirmou.

Quem é o novo presidente do Brasil?

Até o início da noite, o novo presidente do Brasil é projetado como sendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição e lidera a apuração do 2º turno com 51,27% dos votos válidos, segundo o Datafolha, com 80% das urnas apuradas. O TSE ainda não oficializou o resultado, mas a projeção indica que a diferença para Flávio Bolsonaro, que tem 48,89%, não seria mais reversível.

A confirmação formal depende da totalização dos votos e da proclamação do resultado pela Justiça Eleitoral. A tendência, caso se confirme, aponta para a continuidade das diretrizes do atual governo federal, em especial nos programas sociais e em políticas de inclusão.

Decisão do STF estende votação e acirra debate jurídico

A votação deste domingo fugiu do padrão tradicional depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, atendeu a pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e autorizou que as urnas ficassem abertas até as 19h, duas horas além do horário previsto originalmente.

A medida foi tomada após relatos de problemas logísticos em diferentes regiões do país, incluindo dificuldades de transporte em grandes cidades, e teve impacto direto na organização do pleito. A ampliação do horário, porém, abriu uma disputa jurídica que deve se estender para além da noite de apuração.

Durante transmissão ao vivo, o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo avaliou que não é possível simplesmente marcar um novo segundo turno em outra data, mesmo diante da controvérsia. “A gente não pode mudar a Constituição, [dizer] ‘Não valeu, a gente faz semana que vem, dia 15 de novembro, dia 30 de novembro’. Não pode. A Constituição diz que tem que ser hoje”, afirmou.

Outros juristas, porém, sustentam interpretação diferente e veem margem no Código Eleitoral para que o resultado deste domingo seja contestado, com possibilidade de anulação da votação devido à mudança de horário decidida pelo STF. Nesse cenário, um novo pleito poderia, em tese, ser convocado em um intervalo de 20 a 40 dias.

Ex-ministros e integrantes de entidades de direito eleitoral avaliam que a controvérsia gera insegurança jurídica e um campo fértil para questionamentos por parte da campanha derrotada, que poderá alegar desequilíbrio ou quebra de isonomia entre os eleitores que conseguiram ou não votar dentro do horário inicialmente previsto.

Entenda o contexto

O segundo turno foi convocado porque nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Na primeira etapa, Flávio Bolsonaro terminou à frente com 47,03%, enquanto Lula somou 45,16%.

O novo embate concentrou a disputa sobre um contingente estratégico: os 48,7 milhões de eleitores que, no primeiro turno, votaram em terceiros colocados, anularam, deixaram o voto em branco ou se abstiveram. A abstenção, inclusive, já havia chamado atenção ao registrar recorde histórico, com 33 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 21% do eleitorado.

No primeiro turno, foram registrados 119.300.788 votos válidos, além de 2.300.781 votos em branco (1,84%) e 3.674.149 nulos (2,93%). Esses números ajudam a dimensionar o peso de cada ponto percentual que aparece agora na apuração apertada do segundo turno.

Apuração por estado e peso de Minas Gerais

A apuração por estado mostra como a geografia do voto volta a ser decisiva em 2026. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores aptos (10,32% do eleitorado brasileiro), é acompanhado minuto a minuto por campanhas e analistas, pela capacidade de definir tendências em disputas apertadas para presidente.

Nos mapas de apuração das eleições 2026, estados do Sudeste e do Nordeste aparecem como campos centrais da disputa, enquanto regiões como Sul, Centro-Oeste e parte do Norte revelam divisões internas importantes entre capitais e interior. A contagem também considera o voto no exterior, onde Lula aparece à frente em boa parte dos países com apuração concluída.

A combinação entre grandes centros urbanos e interior de estados populosos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia influencia diretamente o ritmo da virada e a consolidação da liderança nacional de cada candidato durante a noite.

Apuração eleições 2026 2º turno por estado

A apuração das eleições 2026 no 2º turno mostra cenários distintos por estado, com o TSE liberando dados em tempo real em um mapa interativo nacional. Estados com forte polarização reproduzem o clima nacional de corrida apertada, enquanto outros se definem com margens mais confortáveis para um dos lados.

Em Minas Gerais, considerado fiel da balança em disputas presidenciais, os percentuais parciais são tratados como termômetro político das campanhas. Já nos colégios do Norte e Centro-Oeste, o comportamento do eleitorado é acompanhado em paralelo às disputas para governador, que também redesenham os palanques regionais para os próximos anos.

Governos estaduais: reeleições e novas forças

Além da apuração para presidente do Brasil, o mapa das eleições 2026 revela mudanças importantes nos governos estaduais. Em vários estados, a votação para governador se decidiu neste domingo e já tem resultados matematicamente consolidados pelo TSE.

No Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) está eleito governador com 59,96% dos votos válidos, com 85,84% das urnas apuradas. Ele supera a adversária Maria do Carmo (PL), que registra 40,04%. Aziz volta ao comando do estado após ganhar projeção nacional na presidência da CPI da Covid no Senado.

No Acre, a atual governadora Mailza Assis (PP) está reeleita com 66,16% dos votos válidos, com 82,56% das urnas apuradas. Ela derrotou o senador Alan Rick (Republicanos), que soma 33,84%.

No Distrito Federal, Celina Leão (PP) garante a reeleição com 57,22% dos votos válidos, com 90,50% das urnas apuradas. Ela supera Leandro Grass (PT), que obtém 42,79%.

No Tocantins, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) está eleito governador com 63,98% dos votos válidos, com 91,50% das urnas apuradas. Sua adversária, a senadora Dorinha (União Brasil), fica com 36,02%.

No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) vence a disputa para o governo estadual. Os percentuais o colocam matematicamente eleito, consolidando a projeção de que terá papel relevante na articulação entre o Palácio Anchieta e o governo federal a partir de 2027.

Esses resultados estaduais criam um mosaico de alianças e contrapontos ao eventual governo reeleito de Lula. Governadores alinhados ao Planalto tendem a facilitar negociações em torno de investimentos e programas sociais, enquanto nomes de oposição prometem tensionar temas ligados a segurança pública, economia e costumes.

Transporte em São Paulo e logística do pleito

A logística da votação também entrou no centro do debate neste segundo turno. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a capital registrou redução significativa na frota de ônibus em circulação no fim da manhã e início da tarde, em comparação com dias úteis recentes, mesmo após determinação judicial para manter 100% dos veículos nas ruas.

Levantamento feito por pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) apontou média de 6.924 ônibus em circulação em determinado período deste domingo, contra 10.099 em dias úteis da última semana — uma queda de 31,4%, ou cerca de 3,2 mil veículos. A redução foi mais intensa em bairros periféricos e de renda mais baixa.

Segundo o estudo, em 87 dos 96 distritos da capital houve diminuição na presença de ônibus, com cortes de pelo menos 20% em 27 bairros. Em regiões como Vila Curuçá, São Miguel e Jardim Ângela, a queda passou de 30%. O pesquisador cruzou esses dados com o resultado do primeiro turno e identificou impacto maior em áreas onde Lula teve desempenho superior.

A Prefeitura de São Paulo nega ter reduzido a oferta e afirma que havia mais ônibus do que a demanda exigia. A SPTrans, responsável pelo sistema, alega dificuldades para reorganizar as escalas após ter recebido a ordem judicial na véspera do pleito.

As denúncias de problemas no transporte, em São Paulo e em outras cidades, foram um dos elementos que levaram o ministro Cristiano Zanin a prorrogar a votação em duas horas em todo o país, decisão que agora alimenta os pedidos de contestação.

Próximos passos e possíveis recursos

Com o Datafolha projetando a vitória de Lula e o TSE se aproximando da totalização, o ambiente político é de expectativa e cautela. Integrantes das duas campanhas acompanham não apenas o avanço da apuração para presidente, mas também os movimentos de partidos, entidades de classe e especialistas em direito eleitoral que discutem os caminhos para eventuais recursos.

A avaliação de juristas críticos à decisão do STF é que a mudança de horário, comunicada quando muitas seções já estavam próximas do encerramento original, pode ser usada para questionar a isonomia do processo. Já defensores da prorrogação argumentam que a medida foi necessária para garantir o direito ao voto de eleitores prejudicados por falhas de transporte e organização.

Na prática, qualquer contestação mais ampla deve ser levada ao próprio TSE e, em última instância, ao STF. O desfecho desses embates ajudará a definir não só a consolidação do resultado das eleições 2026 para presidente, mas também os parâmetros jurídicos das próximas disputas nacionais.