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Economia

Assaí PR lucra 55% a mais e inicia recompra de 11 mi ações

Assaí registra lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões no 3º trimestre, alta de 55,2%, reduz endividamento e aprova programa de recompra de até 11 milhões de ações.

Assaí PR lucra 55% a mais e inicia recompra de 11 mi ações

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Assaí PR apresenta crescimento expressivo no lucro e anuncia recompra significativa de ações para fortalecer sua posição financeira.

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O Assaí Atacadista encerra o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões, alta de 55,2% em relação ao ano anterior, e anuncia um novo programa de recompra de até 11 milhões de ações ordinárias, em meio a uma estratégia que prioriza rentabilidade e redução do endividamento em vez de crescimento acelerado de vendas.

O que aconteceu com o Assaí no 3º trimestre?

No terceiro trimestre de 2026, o Assaí registrou lucro líquido de R$ 427 milhões, mais que o dobro do apurado um ano antes, avanço de 119%. Esse valor inclui R$ 179 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins reconhecidos de forma extemporânea. Sem esse efeito, o lucro líquido recorrente ficou em R$ 248 milhões, resultado que cresceu 55,2% na comparação anual.

A receita líquida somou R$ 19 bilhões, leve alta de 0,2%. Em uma rede com mais de 310 lojas pelo país, as vendas nas mesmas unidades praticamente não saíram do lugar, com avanço de 0,1%. O fluxo de clientes, porém, aumentou 2,1%, mas o tíquete médio caiu com a migração dos consumidores para marcas e produtos mais baratos, reflexo do consumo pressionado.

Apesar do ritmo fraco de vendas, a companhia conseguiu melhorar a lucratividade. A margem bruta subiu de 16,7% para 17,2%, apoiada em uma estratégia comercial que preserva preços competitivos ao consumidor final, mas reduz promoções agressivas nos canais de atacado e televendas, que sacrificavam margem em troca de volume.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,08 bilhão, em linha com o observado um ano antes, com margem estável de 5,7%. O resultado financeiro líquido continuou negativo, em R$ 551 milhões, mas melhorou 8,8% com a queda dos encargos da dívida e de custos relacionados à antecipação de recebíveis.

Rentabilidade acima do crescimento

O presidente do Assaí, Belmiro de Figueiredo Gomes, afirma que o desempenho é fruto de uma escolha deliberada pela rentabilidade em um ambiente econômico difícil. “Até poderíamos ter crescido em mesmas lojas um ponto, dois pontos, mas, na nossa visão, o que isso implicaria em margem acabaria não fechando essa conta”, disse.

Na prática, a companhia decidiu abrir mão de empurrar volume “a qualquer custo”. Em vez disso, manteve preços de prateleira competitivos e cortou intensidade promocional junto a clientes profissionais e redes de revenda, o que ajuda a sustentar margens em um cenário de renda apertada e consumidor mais sensível a preço.

Essa escolha tende a agradar o mercado financeiro, pela melhora de indicadores de rentabilidade e alavancagem, mas pode limitar, no curto prazo, a conquista de participação de mercado frente a concorrentes dispostos a sacrificar margem por vendas.

Entenda o contexto

O trimestre foi marcado por um cenário macroeconômico desafiador, com juros ainda elevados e consumo pressionado, o que se traduz na troca de marcas por opções mais baratas e em compras menores, mesmo com maior fluxo de clientes. Para empresas como o Assaí, que opera em formato de atacarejo, o dilema é equilibrar preços baixos com margens suficientes para reduzir dívidas e sustentar investimentos futuros.

Além disso, o resultado foi beneficiado pela monetização de créditos tributários de PIS/Cofins ligados a itens sujeitos ao regime plurifásico. Esse movimento teve impacto de cerca de R$ 271 milhões no resultado operacional do trimestre, reduzindo o custo das mercadorias vendidas e reforçando o lucro bruto contábil.

Endividamento menor e foco em alavancagem

A estratégia de priorizar caixa e rentabilidade também aparece no balanço financeiro. A dívida líquida do Assaí recuou 4,9% no ano, para R$ 10,8 bilhões. Com isso, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, caiu de 3,03 para 2,15 vezes.

O diretor financeiro, Rafael Sachete, defende que, nas condições atuais da economia, a empresa deve continuar apertando esse número. “O nível ideal de alavancagem depende do cenário econômico. Com juros elevados e dificuldades para acelerar as vendas, uma relação próxima de 1 vez ou inferior seria adequada nas condições atuais”, afirmou.

A meta interna é aproximar a alavancagem de 1 vez em 2027, o que daria mais fôlego para novos investimentos e reduziria ainda mais o peso das despesas financeiras sobre o lucro.

Por que o lucro do Assaí cresceu 119% no último trimestre?

O lucro total de R$ 427 milhões no terceiro trimestre de 2026 cresceu 119% em relação a um ano antes principalmente por dois fatores: o reconhecimento de R$ 179 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins e a queda dos custos financeiros com a redução da dívida e da alavancagem.

Do lado operacional, o avanço da margem bruta de 16,7% para 17,2% ajuda a explicar o ganho, ainda que a receita tenha crescido apenas 0,2%. A gestão de preços e promoções elevou o lucro por real vendido, compensando o ambiente de vendas mais fracas.

Do lado financeiro, a dívida líquida menor e menores gastos com antecipação de recebíveis reduziram o peso dos juros no resultado, melhorando o resultado financeiro líquido em 8,8%, embora ele siga negativo em R$ 551 milhões.

Somados, esses fatores ampliam o lucro contábil, mas o efeito extraordinário dos créditos tributários distorce a comparação com o ano anterior. Por isso, a administração destaca o lucro líquido recorrente de R$ 248 milhões, sem esse impacto, como melhor termômetro do desempenho do negócio.

Qual foi a decisão do Assaí sobre a recompra de ações?

O Assaí aprovou um novo programa de recompra de até 11 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 0,814% dos papéis em circulação, com prazo de 12 meses a partir desta sexta-feira, 6 de novembro de 2026.

O programa é o quarto da história recente da companhia e passa a valer imediatamente. A recompra funciona como uma forma de devolver valor ao acionista, ao reduzir o número de ações em mercado e, potencialmente, elevar o lucro por ação. Também é interpretada como sinal de confiança da gestão na capacidade de geração de caixa e no preço atual dos papéis.

Com o balanço mostrando melhora de margens, queda de alavancagem e monetização de créditos tributários, a recompra reforça a mensagem da diretoria de que o foco continua em fortalecer a estrutura financeira e premiar o investidor, enquanto a empresa mantém crescimento mais controlado da rede, hoje com mais de 310 lojas.

A continuidade da monetização de créditos, a disciplina na gestão de custos financeiros e o comportamento do consumidor diante de preços e marcas mais baratas serão pontos-chave para os próximos trimestres, em um setor de atacarejo cada vez mais competitivo e observado de perto por concorrentes, fornecedores e investidores.