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Lançamentos de IA

CEO da Y Combinator gasta até US$ 200 mil ao ano com agentes de IA

Garry Tan, CEO da Y Combinator, revelou em podcast que gasta de US$ 100 mil a US$ 200 mil por ano com agentes de IA que organizam sua vida pessoal e o trabalho na aceleradora.

CEO da Y Combinator gasta até US$ 200 mil ao ano com agentes de IA

Tecnologia

Garry Tan investe alto em agentes de IA para otimizar sua rotina pessoal e profissional na Y Combinator.

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O CEO da Y Combinator, Garry Tan, revelou nesta semana que gasta entre US$ 100 mil e US$ 200 mil por ano em tokens para manter em funcionamento seus agentes de inteligência artificial, que vasculham de e-mails e anotações terapêuticas a dados de startups da aceleradora e, segundo ele, já começam a mudar a forma como a empresa opera.

Tan usa IA como “Grilo Falante” pessoal

Em entrevista ao podcast The Builders, apresentado por Walter Isaacson, Tan descreveu os agentes de IA como assistentes autônomos que o acompanham em quase tudo o que faz, tanto na vida profissional quanto na pessoal.

“Eu gasto cerca de talvez US$ 100 mil a US$ 200 mil por ano em tokens”, disse o executivo. Ele contou que utiliza os agentes para tarefas de trabalho, projetos de código, preparação para entrevistas e pesquisas antes de participar de conversas públicas.

Além disso, esses sistemas têm acesso profundo ao seu acervo pessoal: “Leu todos os meus e-mails e todo o meu Dropbox. Leu, tipo, todas as minhas Apple Notes, até minhas notas de terapia de 20 anos”, afirmou. A ideia, segundo ele, é ter um assistente que o conheça melhor do que qualquer aplicativo isolado.

Tan compara a experiência a conviver com um conselheiro permanente. “É como um Grilo Falante no seu ombro o tempo todo. Quase tudo que você quer fazer, ele conhece você e está lá para ajudar”, resumiu. Esses agentes, diz, não só respondem comandos, mas também se antecipam a problemas e sugerem caminhos.

Entenda o contexto

Os agentes de IA citados por Tan são aplicações construídas sobre modelos de linguagem que conseguem executar sequências de tarefas de forma relativamente autônoma: ler grandes volumes de informação, organizar dados, escrever código, sugerir decisões e acionar outras ferramentas digitais em nome do usuário.

No caso do CEO da Y Combinator, eles funcionam como uma espécie de camada pessoal de software, que centraliza conhecimento sobre seus hábitos, histórico de comunicação e documentos, e passa a operar como assistente contínuo — algo além do uso pontual de um chatbot.

Stray Light reorganiza operação da Y Combinator

O uso intensivo de IA por Tan não fica restrito à esfera individual. Ele contou que a Y Combinator já roda um agente interno próprio, batizado de Stray Light, que atua como “cérebro” da aceleradora de startups.

“Temos um agente interno chamado Stray Light que tem uma personalidade e um cérebro da empresa, com todo o contexto de cada fundador que já apoiamos”, explicou. Segundo Tan, esse agente também agrega dados de todos que já enviaram e-mails e de inscrições recebidas ao longo do tempo, ajudando a redesenhar processos internos.

Na prática, o Stray Light funciona como um sistema vivo de memória corporativa, capaz de cruzar informações de fundadores, histórico de contato e aplicações para apoiar decisões da equipe da Y Combinator, da seleção de startups ao acompanhamento de portfólio.

Tan argumenta que, para tirar o máximo de proveito desses agentes, é preciso aceitá-los como algo diferente de um software tradicional totalmente previsível. “Algumas pessoas, preocupadas com segurança, acabam trocando as partes mais bonitas de trabalhar com um agente de IA, que pode ser tão parecido com um humano”, disse.

Custos altos e tentativa de democratizar a tecnologia

Apesar do entusiasmo, o executivo reconhece que a conta hoje não fecha para a maioria das pessoas e empresas. “É muito caro agora. Sei que o quanto gasto é um privilégio louco que nem todos podem ter”, afirmou.

O gasto anual entre US$ 100 mil e US$ 200 mil em tokens coloca o uso que ele faz da tecnologia em um patamar acessível apenas a uma elite de executivos e organizações com grande folga de caixa. Isso limita a popularização de agentes pessoais de IA nos moldes que Tan descreve.

Ao mesmo tempo, ele critica a dependência de ferramentas gratuitas controladas por grandes empresas de tecnologia, nas quais o usuário pouco decide sobre o funcionamento do algoritmo. “Você poderia imaginar uma IA pessoal que você controla e programa”, defendeu, ao falar sobre o futuro desejado para esse tipo de sistema.

Como tentativa de aproximar mais gente desse modelo, Tan disponibilizou no Github um conjunto chamado gstack, com 23 habilidades de Claude Code que ele mesmo usa para operar seus agentes. A ideia é oferecer um manual prático para desenvolvedores e curiosos interessados em montar assistentes personalizados que acessem dados próprios e executem rotinas automatizadas.

Para o CEO da Y Combinator, a adoção em massa desses agentes pessoais só deve ocorrer quando o custo de operação cair drasticamente, ao mesmo tempo em que usuários ganharem mais controle sobre como a tecnologia é programada e sobre onde ficam seus dados.