CFOs criam linha fixa para IA e controlam gastos em 2026
Inteligência artificial deixa fase experimental no setor financeiro e passa a ter linha orçamentária própria, com foco em tokens, produtividade e escala. Dell amplia parceria com Nvidia.

Tech Desk
Setor financeiro integra IA com orçamento dedicado para impulsionar produtividade e inovação em 2026.
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CFOs de empresas de serviços financeiros começaram a tratar a inteligência artificial como investimento estratégico com linha orçamentária própria, e não mais como um experimento disperso em centros de custo de tecnologia. A mudança, detalhada por David Kennedy, CFO da Dell Technologies, durante o Dell Technologies New York Symposium, mira o controle do gasto com tokens de IA e a maximização de produtividade, especialmente em operações de alta frequência como trading.
IA vira centro do orçamento e da estratégia
Segundo Kennedy, a disciplina financeira não diminui a ambição em IA, mas reorganiza a forma de investir. “O gasto, honestamente, vai se cuidar. Precisa ser gerenciado. TI e finanças podem ajudar a colocar limites. Mas o verdadeiro motor de valor é a velocidade e produtividade que uma empresa pode obter”, afirmou o executivo, em entrevista ao analista Dave Vellante, da theCUBE Research, transmitida ao vivo.
Na prática, isso significa que os gastos com tokens de IA deixam de ser vistos como custos variáveis imprevisíveis e passam a ser planejados e monitorados como qualquer outra rubrica relevante do orçamento. CFOs criam linhas específicas para consumo de tokens, definem tetos, acompanham relatórios e cobram retorno em forma de ganho de eficiência, redução de prazos e aumento de capacidade operacional.
“Temos provas suficientes agora de que a IA funciona muito bem e traz velocidade e eficiência para a empresa. A questão é: você consegue fazer isso em escala?”, disse Kennedy. Para ele, essa resposta depende cada vez mais da combinação entre gestão financeira rigorosa e decisões técnicas sobre onde e como rodar os modelos.
Entenda o contexto
O movimento de profissionalização do gasto em IA é puxado por serviços financeiros, que já usam modelos avançados em produção para automatizar análises, executar ordens e reduzir risco em frações de segundo. Nesse ambiente, cada milissegundo e cada real gasto em processamento contam para a competitividade.
De acordo com Kennedy, esse grupo foi o primeiro a empurrar a IA da fase piloto para a operação diária, e a indústria farmacêutica aparece como próxima candidata a adotar essa lógica em larga escala. A Dell diz já enxergar 6.500 “fábricas de IA” em sua base de clientes — ambientes estruturados para treinar, ajustar e colocar modelos em produção de forma repetida.
Ao mesmo tempo, o mercado observa grandes movimentos de consolidação e aposta em dados e automação, como a aquisição da fornecedora de automação de marketing Braze pela Salesforce, avaliada em US$ 5,66 bilhões, citada no contexto das conversas sobre IA corporativa.
Modelos open-weight on-premises ganham espaço
Um dos pontos centrais da nova lógica de orçamento é a escolha da arquitetura técnica para reduzir a volatilidade de custos. Em vez de depender apenas de modelos acessados pela nuvem com cobrança por token consumido, empresas de serviços financeiros começam a levar parte das cargas para dentro de casa.
Fluxos repetitivos de trabalho financeiro, como reconciliações, relatórios e análises padronizadas, estão migrando para modelos open-weight executados on-premises — instalados em infraestrutura própria do cliente. Assim, parte do que antes era custo variável ligado diretamente ao volume de tokens usados se transforma em custo fixo de servidor e armazenamento, mais previsível para o orçamento.
Para Kennedy, a discussão não é simplesmente reduzir a conta de IA, mas gastar de forma inteligente. “Não é necessariamente sobre a quantidade e o custo do token. É sobre os tokens que você usa. Se for eficiente com eles, verá ótimos resultados”, afirmou.
Parceria Dell–Nvidia mira escala e produção
Com a demanda em alta, a Dell ampliou em maio sua colaboração com a Nvidia em soluções de “fábricas de IA”, que combinam servidores, GPUs, armazenamento e software para acelerar a passagem dos casos de uso da fase de teste para a produção em larga escala. A promessa é encurtar o caminho entre o laboratório de dados e o resultado concreto em áreas como finanças, indústria e saúde.
Na visão do CFO da Dell, ainda há muitas empresas presas em pilotos prolongados, sem escala suficiente para gerar vantagem competitiva ou diluir o custo dos modelos. A infraestrutura integrada e o suporte de parceiros tecnológicos são vistos como atalho para mudar esse cenário, sobretudo em organizações altamente reguladas, como bancos e seguradoras.
Ao mesmo tempo, a Dell observa que a demanda de clientes já não se concentra apenas em GPUs de última geração, mas se espalha por servidores tradicionais e armazenamento, necessários para sustentar a operação contínua dos modelos e a gestão do enorme volume de dados corporativos.
CFOs assumem protagonismo na IA
A nova fase da IA corporativa muda também o papel dos executivos de finanças. Em vez de apenas aprovar projetos pontuais de tecnologia, CFOs passam a definir métricas de retorno, política de risco e até os limites de consumo de tokens por unidade de negócio.
Essa postura ativa reforça a pressão competitiva no setor financeiro: instituições que estruturam orçamento próprio para IA, investem em infraestrutura on-premises quando faz sentido e acompanham o desempenho em detalhe tendem a capturar mais ganhos de eficiência. As que mantêm a tecnologia em estado experimental, sem disciplina financeira nem escala, correm o risco de ficar para trás.
Kennedy resume o recado ao mercado ao destacar que o debate sobre IA corporativa saiu do “se” e entrou no “como” e “em que ritmo”. Cabe agora a finanças e tecnologia trabalharem juntas para transformar consumo de tokens, servidores e dados em produtividade real — e, cada vez mais, em linha fixa de orçamento com cobrança clara por resultado.
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