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SpaceX e Tesla criam comitês para avaliar fusão e excluir Musk

SpaceX e Tesla formaram comitês especiais só com conselheiros independentes para analisar uma possível fusão, sem participação direta de Elon Musk por conflito de interesses.

SpaceX e Tesla criam comitês para avaliar fusão e excluir Musk

Fusões Corporativas

Comitês independentes foram formados para analisar a fusão entre SpaceX e Tesla, excluindo Elon Musk devido a conflitos de interesse.

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SpaceX e Tesla montaram comitês especiais formados apenas por conselheiros independentes para avaliar uma possível fusão entre as duas empresas, em um processo desenhado para excluir Elon Musk das negociações por conflito de interesses e dar mais segurança aos acionistas.

SpaceX e Tesla vão realmente se fundir?

A fusão entre SpaceX e Tesla é tratada como possibilidade, não como decisão tomada, e ainda não há acordo sobre termos, valores ou estrutura da transação.

Durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre da SpaceX nesta semana, Elon Musk disse apoiar a ideia, mas reforçou que nada está garantido. “Acho que algumas pessoas por aí assumem que uma fusão entre SpaceX e Tesla é uma certeza, e acho que isso seria exagerar”, afirmou o executivo, que controla mais de 50% do poder de voto na empresa espacial.

Segundo Musk, os comitês especiais dos dois conselhos ainda não chegaram a consenso sobre os termos de qualquer operação. Ele destacou que, no caso da Tesla, a barreira de aprovação é mais alta: para que uma fusão avance, será necessário o apoio de 50% de todos os acionistas, não apenas dos que comparecem às votações.

“No final das contas, os acionistas precisam apoiar isso”, resumiu. Entre conselheiros e investidores, o clima é de cautela: há interesse nas sinergias tecnológicas, mas também preocupação com avaliação justa dos negócios, riscos regulatórios e eventual diluição de participação.

O que as comissões especiais dos conselhos da SpaceX e Tesla estão analisando na possível fusão?

Os comitês especiais foram criados a pedido de acionistas para tentar blindar a análise da fusão de influências de Musk e de outros executivos diretamente interessados na transação.

O trabalho dos grupos passa por avaliar se a união das companhias faz sentido financeiro e estratégico, quais sinergias podem ser capturadas e como estruturar uma eventual troca de ações de forma considerada justa para investidores de ambos os lados. A pauta inclui desde projeções de receita e lucro em áreas como inteligência artificial, robótica, fabricação de chips e centros de dados orbitais até riscos tecnológicos, regulatórios e concorrenciais.

Em resposta a uma pergunta na teleconferência, Musk explicou por que não participa das discussões. “Porque eu sou uma parte conflituosa, não posso realmente participar das discussões dos comitês especiais, então é uma espécie de… é uma dança kabuki estranha onde dois grupos de pessoas estão conversando, e eu não posso estar na conversa”, disse.

Na prática, os conselheiros independentes precisam decidir se recomendam ou não a fusão aos demais membros do conselho e, depois, aos acionistas. Isso envolve negociar termos com assessores financeiros e jurídicos, testar diferentes formatos de combinação dos negócios e medir o impacto para cada base acionária.

Quem está à frente dos comitês

Musk não revelou oficialmente a composição dos comitês, mas indicou que eles são formados apenas por diretores classificados como independentes em cada companhia.

Na Tesla, o conselho conta hoje com sete conselheiros independentes, de acordo com documentos corporativos recentes: Robyn Denholm (presidente do conselho), Ira Ehrenpreis, JB Straubel, Joe Gebbia, Jack Hartung, James Murdoch e Kathleen Wilson-Thompson. Esses nomes, em diferentes combinações, já atuam em comitês de auditoria, remuneração e governança.

Na SpaceX, há seis diretores independentes listados: Ira Ehrenpreis, Randy Glein, Donald Harrison, Steve Jurvetson, Luke Nosek e Roelef Boutha. Outros integrantes do colegiado, como Elon Musk, Gwynne Shotwell (presidenta e COO) e Antonio Garcias, não são considerados independentes.

Garcias é fundador da Valor Equity Partners, que detém 3,4% da SpaceX e participou de operações de financiamento para a compra de hardware de inteligência artificial da empresa. Essa exposição adicional é um dos fatores que tiram o selo de independência de parte do grupo.

Entenda o contexto

O movimento de criar comitês especiais marca uma inflexão na governança das duas empresas, tradicionalmente muito associadas à figura de Elon Musk. A ideia é mostrar a investidores — em especial minoritários da Tesla — que a análise da fusão será feita por conselheiros sem interesses econômicos diretos na operação.

Hoje, Musk concentra mais de 50% do poder de voto na SpaceX, o que tornaria relativamente simples obter o aval formal dos acionistas se os termos o agradarem. Na Tesla, por outro lado, a base acionária é mais pulverizada, e a regra de precisar de 50% do total de votos possíveis deixa menos espaço para decisões rápidas.

Ao defender a fusão, Musk argumenta que a combinação das empresas poderia acelerar projetos que vão de robôs autônomos e software de IA ao Starmind, centro de dados orbital em desenvolvimento pela SpaceX, e ao Terafab, esforço conjunto para fabricar chips em grande escala. “Acho que há muito mérito em combinar as empresas, já que estamos praticamente na singularidade da superinteligência”, disse.

Para o mercado, uma união desse porte teria efeito direto sobre cadeias de fornecedores de semicondutores, infraestrutura em nuvem, lançamentos espaciais comerciais e veículos elétricos, além de chamar a atenção de reguladores em diferentes países.

Quais são os próximos passos para a aprovação da fusão entre SpaceX e Tesla?

Os próximos passos dependem, primeiro, do trabalho dos comitês especiais: eles precisam concluir suas análises, negociar eventuais termos de troca de ações e decidir se recomendam a operação aos conselhos completos.

Se houver recomendação favorável, SpaceX e Tesla terão de aprovar a proposta em seus respectivos conselhos e, na sequência, submeter o plano a votação nas assembleias de acionistas. No caso da Tesla, o obstáculo-chave é alcançar o apoio de 50% de todos os acionistas, patamar considerado desafiador por Musk.

Além disso, uma combinação desse tamanho tende a exigir aprovação de órgãos reguladores de concorrência e mercado de capitais em diferentes jurisdições, o que pode alongar o cronograma e impor ajustes na estrutura final. Até agora, porém, os comitês nem sequer bateram o martelo sobre o desenho básico da transação, o que indica que o processo ainda está em fase inicial.

Fonte: matéria original