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China expulsa 33 líderes em maior expurgo do regime de Xi Jinping

Quinto plenário do Comitê Central do Partido Comunista da China termina com expulsão recorde de 33 integrantes, enxugamento da cúpula militar e política e poder ainda mais concentrado nas mãos de Xi Jinping.

China expulsa 33 líderes em maior expurgo do regime de Xi Jinping

Política Internacional

Expurgo recorde no Partido Comunista da China reforça o controle de Xi Jinping sobre as forças militares e políticas do país.

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O quinto plenário do Comitê Central do Partido Comunista da China terminou nesta quinta-feira (29) em Pequim com a expulsão recorde de 33 integrantes, entre eles 16 oficiais das Forças Armadas, num movimento que aprofunda a campanha anticorrupção de Xi Jinping e reorganiza o alto comando político e militar do país às vésperas do Congresso do Partido do próximo ano.

Expurgo atinge cúpula militar e líderes regionais

As expulsões, decididas ao fim de quatro dias de reuniões a portas fechadas em um hotel da capital chinesa, atingem alguns dos quadros mais poderosos do regime. Foram afastados o ex-chefe do partido na região de Xinjiang, Ma Xingrui, e dois ex-generais de destaque, Zhang Youxia e Liu Zhenli. Os comunicados oficiais falam em “graves violações disciplinares e legais”, fórmula usada com frequência como eufemismo para corrupção e quebra de lealdade.

O impacto é especialmente forte na hierarquia militar. A Comissão Militar Central, órgão que comanda as Forças Armadas chinesas, encolheu de sete integrantes para apenas dois: Xi Jinping, que preside o colegiado, e Zhang Shengmin, promovido a vice-presidente durante o plenário. Analistas do Asia Society Policy Institute classificam o expurgo no alto comando como “algo sem precedentes” e alertam que ele “levanta sérias dúvidas sobre a liderança organizacional e a prontidão para o combate, mesmo enquanto a China continua a apresentar novos e impressionantes equipamentos militares”.

Na esfera política, o Politburo — principal órgão de decisão do partido — também encolheu. A saída de Ma Xingrui e de Zhang Youxia, somada à de outro general em 2025, reduziu o grupo de 24 para 21 integrantes, antes que a promoção de Zhang Shengmin elevasse o total a 22. O ex-diplomata Liu Jianchao, ausente da vida pública desde o ano passado, também está entre os expurgados.

Entenda o contexto

As 33 expulsões deste quinto plenário elevam para 51 o total de dirigentes afastados apenas no atual mandato de Xi Jinping, superando com folga os 35 do primeiro e os 5 do segundo período à frente do partido. Desde que chegou ao poder, Xi transformou a luta contra a corrupção em marca de sua gestão, descrevendo o problema como a “maior ameaça” ao Partido Comunista.

Especialistas veem, porém, um alcance político mais amplo na ofensiva. Para o pesquisador Chong Ja Ian, do Carnegie China, a campanha se converteu em “um esforço para consolidar e manter a autoridade” de Xi. Segundo ele, “Xi tem poucos escrúpulos em afastar pessoas que ele próprio promoveu” e tende a ampliar os expurgos “dependendo de quão seguro se sentir no poder, e não de problemas reais com a corrupção”.

O próprio presidente tem ampliado a definição de corrupção para além do desvio de recursos. Em discursos internos, Xi alerta contra “quadros de duas caras”, que declaram lealdade em público, mas resistem a ordens e agem em benefício próprio — uma referência direta à pureza ideológica e à disciplina política exigidas na cúpula.

Queda na participação mostra partido mais enxuto e controlado

O encontro desta semana registrou a menor participação em um plenário desde o início do atual Comitê Central, em 2022. Apenas 279 integrantes estiveram presentes, contra 315 no quarto plenário e 364 no terceiro. O órgão começou o mandato com mais de 370 membros.

Na avaliação de analistas, a redução do número de cadeiras e o aumento dos assentos vazios refletem um processo de filtragem interna: quadros tidos como pouco confiáveis ou vulneráveis a denúncias de corrupção vão sendo afastados, abrindo espaço para dirigentes mais jovens, com formação tecnocrática e, sobretudo, com vínculos diretos com a rede política de Xi.

Em comunicado divulgado ao fim da reunião, a direção do partido afirmou ter “encarado de frente a dura realidade de que a liderança partidária foi, em alguns momentos, enfraquecida ou esvaziada” e prometeu “impor uma rigorosa autodisciplina partidária, inclusive voltando a faca contra si mesmo para conter a desordem”.

Além do topo, a campanha se espalha pela máquina do Estado. O órgão de fiscalização interna informou que 680 mil pessoas em toda a estrutura do partido foram punidas disciplinarmente nos primeiros nove meses deste ano, uma amostra da escala do esforço disciplinar.

Rumo ao Congresso do Partido e à sucessão

A escalada na disciplina é lida por observadores como preparação direta para o Congresso do Partido do próximo ano, que deve redesenhar o quadro de comando até pelo menos 2027. A expectativa dominante entre analistas é que Xi Jinping busque e consiga um quarto mandato, mantendo-se no centro do poder por um período inédito desde Mao Tsé-Tung.

Para Neil Thomas, Lobsang Tsering e Shengyu Wang, do Asia Society Policy Institute, Xi aproveita o esvaziamento do atual comitê para “examinar mais atentamente a próxima geração” de dirigentes, hoje concentrada em governos provinciais e em cargos técnicos estratégicos. A ideia, dizem, é cercar-se de quadros cuja carreira dependa diretamente dele e que reforcem o eixo de lealdade pessoal.

Esse redesenho, porém, não ocorre sem riscos. Ao concentrar decisões em um núcleo cada vez mais estreito, Xi aumenta a dependência da estabilidade política em torno de sua própria figura. Chong Ja Ian avalia que o comunicado do plenário mostra um líder decidido a “permanecer no centro da China e do Partido Comunista no futuro previsível”, mas alerta que, no longo prazo, a acumulação de poder pode “abrir caminho para um vácuo de poder ainda mais grave quando Xi envelhecer e seu ritmo de vida diminuir”.

Enquanto isso, no curto prazo, o recado interno é claro: em meio a investigações que já derrubaram 51 integrantes do Comitê Central e atingiram 680 mil quadros na base, qualquer sinal de indisciplina ou desvio de rota pode significar o fim imediato de uma carreira — mesmo para generais de topo ou aliados promovidos pelo próprio Xi.

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