Mercados
S&P 5007.720▼ 0,30%Nasdaq26.185▼ 1,38%Dow Jones52.343▼ 0,25%Ibovespa169.186▼ 1,06%FTSE 10010.746▲ 0,23%DAX25.911▼ 0,49%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,38▼ 0,08%EuroR$ 6,03▲ 0,06%BitcoinR$ 417.117▼ 0,71%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.720▼ 0,30%Nasdaq26.185▼ 1,38%Dow Jones52.343▼ 0,25%Ibovespa169.186▼ 1,06%FTSE 10010.746▲ 0,23%DAX25.911▼ 0,49%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,38▼ 0,08%EuroR$ 6,03▲ 0,06%BitcoinR$ 417.117▼ 0,71%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Mundo

Iowa revela divisão rural decisiva a 5 dias da eleição EUA

A cinco dias da eleição para o Congresso dos EUA, estado agrícola de Iowa simboliza a batalha pelos assentos decisivos e a divisão entre agricultores trumpistas e democratas.

Iowa revela divisão rural decisiva a 5 dias da eleição EUA

Eleições EUA

Iowa destaca o confronto entre agricultores apoiadores de Trump e democratas em uma disputa crucial para o Congresso.

Leia também: Estudantes tomam o poder na Sérvia e derrubam Vucic hoje

Faltando cinco dias para a eleição que vai renovar parte do Senado e toda a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o estado agrícola de Iowa aparece como um dos principais campos de batalha na disputa entre republicanos, alinhados a Donald Trump, e democratas pela maioria no Congresso — e a divisão passa dentro das próprias famílias rurais.

Iowa, símbolo da disputa pelo controle do Congresso

Nesta eleição, 35 cadeiras do Senado estão em disputa em todo o país. Em boa parte dos estados, republicanos ou democratas aparecem como amplos favoritos, mas um grupo de unidades da federação é classificado como “tossup”, quando o cenário é tão equilibrado que o resultado é imprevisível. É nesses estados que se decide quem controlará o Congresso e, na prática, até onde o presidente poderá ir para aprovar sua agenda.

Iowa está no centro dessa lista. Com 85% do território coberto por propriedades rurais, o estado consolidou maioria republicana na última década, impulsionada pelo eleitorado do campo. Ao mesmo tempo, sentiu com força o impacto de decisões da administração anterior, como a guerra tarifária com a China, que atingiu em cheio os produtores de soja, uma das bases da economia local.

A combinação de desgaste econômico, polarização partidária e disputa apertada faz de Iowa um retrato da tensão que marca esta reta final de campanha em estados decisivos para o Congresso.

Entenda o contexto

Nos Estados Unidos, as eleições legislativas ocorrem a cada dois anos. Todo o mandato da Câmara dos Representantes é renovado, e cerca de um terço do Senado passa por nova votação. A correlação de forças entre republicanos e democratas resultante das urnas define, por exemplo, a facilidade para aprovar leis, orçamentos e indicações feitas pela Casa Branca.

Republicanos, sob a liderança política de Donald Trump, tentam garantir ou ampliar sua influência legislativa, sustentando a linha de políticas comerciais duras e cortes regulatórios. Democratas buscam virar cadeiras em estados como Iowa para conter ou reverter essas diretrizes, especialmente em temas como tarifas de importação, subsídios agrícolas e programas de investimento público em infraestrutura e energia limpa.

Na prática, o rumo do Congresso interfere diretamente na vida de quem depende do campo em Iowa, onde margens de lucro apertadas sofrem com choques externos, como a guerra no Oriente Médio, que elevou em cerca de 70% o preço do diesel desde o início do conflito.

Família dividida no campo

É nessa realidade que vivem os agricultores Joe e o irmão Dane, produtores de soja e milho, e os parentes Kent e Cherie, todos com raízes profundas na agricultura de Iowa. “Somos a quinta geração de fazendeiros aqui”, conta Joe, que herdou a terra da família e hoje administra a produção com o irmão.

A rotina é marcada por incertezas, que vão da chuva à política em Washington e às crises internacionais. “É um estresse só. A minha filosofia é me preocupar com as coisas que eu posso controlar e tentar criar planos e ideias para as coisas que eu não posso”, diz Joe.

Quando a guerra no Oriente Médio disparou os preços dos combustíveis, a estratégia foi se antecipar. Joe conta que conseguiu comprar diesel com antecedência, por valores bem menores do que os praticados agora, o que ajudou a aliviar parte da pressão nos custos de produção. Nem todos, porém, conseguiram se proteger da alta. “Está muito caro. É vergonhoso”, reclama Cherie, também agricultora em Iowa.

Além do combustível, outro golpe veio da disputa comercial com a China. Tarifas e retaliações derrubaram as exportações de soja americana para o mercado chinês, abrindo espaço para concorrentes como o Brasil ampliarem sua participação. A região sentiu o baque na renda das lavouras.

Tarifas, soja e o voto rural

Mesmo tendo sofrido com as tarifas, Joe segue apoiando Trump e o Partido Republicano. Para ele, as medidas foram parte de uma estratégia negociadora que, no fim, buscou melhorar as condições para os produtores americanos. “Negociações comerciais podem ser delicadas. Mas ter alguém que quer acordos bons e justos para a gente, acho que é bom para todo mundo”, afirma.

Na outra ponta da mesa, Kent e Cherie se alinham ao Partido Democrata e veem nas tarifas e no estilo confrontador do trumpismo um problema para a estabilidade dos negócios rurais. “É difícil entender como alguém pode apoiar essas políticas, ainda mais um agricultor. Mas, quando saem os resultados, eles têm muitos votos nas áreas rurais”, avalia Kent.

Cherie vai além e fala em indignação com o apoio a Trump. “Saber que alguém apoia isso me causa repulsa. Acho simplesmente revoltante”, diz. Para o casal, a guerra tarifária revelou o custo de decisões tomadas em Washington sem considerar plenamente os efeitos locais sobre quem planta, colhe e depende da exportação.

A cisão política, no entanto, não impede a convivência. Joe é sobrinho de Kent e divide com o tio a mesma herança de terra e trabalho. “Não concordamos com tudo. Mas tem coisas mais importantes na vida do que política, e a família está no topo dessa lista”, afirma Joe.

Polarização no campo e futuro das políticas agrícolas

A diferença de voto entre parentes que dividem a mesma tradição rural espelha a divisão que permeia Iowa neste momento. Para muitos agricultores, o argumento republicano de que tarifas e embates comerciais são um preço necessário para defender o produtor doméstico ainda encontra eco, sobretudo após tentativas de renegociação que buscaram recuperar parte do mercado perdido.

Para eleitores democratas, o foco deve ser reduzir a instabilidade gerada por guerras tarifárias, ampliar programas de apoio em períodos de crise e incentivar investimentos que deixem a economia rural menos vulnerável a choques externos, dos combustíveis às quebras de safra.

Com o preço do diesel cerca de 70% mais alto desde o início da guerra no Oriente Médio e margens cada vez mais apertadas, qualquer mudança na correlação de forças no Congresso pode redefinir prioridades em comércio exterior, subsídios, crédito agrícola e infraestrutura no interior do país. Em estados de perfil semelhante a Iowa, isso tende a pesar na decisão do eleitor até o último dia de campanha.

As próximas votações nos chamados estados “tossups” indicarão se o Legislativo americano seguirá alinhado à agenda republicana defendida por Trump ou se os democratas conseguirão espaço para contestar e redesenhar a política econômica e comercial. O resultado em Iowa, dividido entre redutos rurais trumpistas e bolsões democratas, é peça-chave nesse tabuleiro que ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e influencia o fluxo global de commodities, como a soja exportada por Brasil e EUA para a China.

Leia também

Mais em Mundo →