Boca de urna dá vantagem a oposição e deixa Israel sem maioria
Pesquisas de boca de urna apontam 53 cadeiras para coalizão de Gadi Eisenkot, 50 para o bloco de Binyamin Netanyahu e 17 para partidos árabes, sem maioria para formar governo.
Eleições Israelenses
Pesquisas indicam coalizão de Eisenkot liderando, mas sem maioria clara para formar governo em Israel.
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Pesquisas de boca de urna divulgadas nesta terça-feira indicam que a coalizão de oposição liderada pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot deve conquistar 53 deputados no Parlamento de Israel, contra 50 do bloco do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e 17 dos partidos árabes, deixando o país sem maioria clara para formar governo.
O impasse para formar governo em Israel
No sistema parlamentarista israelense, são necessários ao menos 61 dos 120 deputados para montar uma coalizão governista. Com os números projetados, nenhum dos dois grandes blocos alcança sozinho essa marca, o que abre um período de negociações intensas e possivelmente prolongadas, em que as legendas árabes, com 17 cadeiras estimadas, podem se tornar decisivas.
Mesmo com a leve vantagem da coalizão de Eisenkot, o Likud, de Netanyahu, tende a seguir como o maior partido individualmente, o que alimenta a disputa política e a guerra de narrativas na noite pós-eleitoral. O desenho final, porém, só será conhecido com a apuração oficial dos votos.
Reações: vitória para Eisenkot, “derrota dura” para Netanyahu
Eisenkot comemorou as projeções e tratou o resultado, se confirmado, como um recado direto ao primeiro-ministro. Segundo ele, os números divulgados “expressam uma perda total de confiança em Netanyahu” e em seu governo. “Se esses forem os resultados finais, eles marcariam uma vitória”, afirmou, prometendo “agir prontamente para cumprir a determinação do povo de substituir o governo de Netanyahu”.
O líder da oposição, Yair Lapid, foi na mesma linha e descreveu o cenário como um revés significativo para o premiê. “Para que não fiquem confusos: o bloco de Netanyahu sofreu uma dura derrota”, disse, em mensagem divulgada nas redes sociais.
Pelo lado governista, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, tentou conter o clima de virada. “As comemorações da esquerda são prematuras”, afirmou. Para ele, a leitura feita por adversários e analistas exagera o alcance das pesquisas de boca de urna. “As afirmações dos comentaristas tendenciosos são ridículas. Uma coisa parece bastante clara: o Likud é o maior partido de Israel”, declarou.
Entenda o contexto
As eleições ocorrem em meio ao desgaste de Netanyahu após ataques do Hamas e a forte pressão internacional sobre a resposta militar de Israel, especialmente em Gaza, alvo de denúncias de violações de direitos humanos que o governo israelense nega. Nesse ambiente, ganha força a figura de Eisenkot, general da reserva respeitado no establishment de segurança.
Ele comandou o Exército sob governos de Netanyahu e, após o ataque do Hamas, fundou o partido Yashar, que passou a atrair eleitores em busca de uma liderança ligada à segurança nacional, mas crítica à condução atual do conflito e da política externa.
A possível ascensão de Eisenkot a articulador de uma nova coalizão pode alterar prioridades em áreas como defesa, operações militares em Gaza e negociações regionais, além de reconfigurar alianças internas entre partidos de centro, direita moderada e siglas árabes.
Participação desigual e derrota simbólica do Likud
Ao longo do dia de votação, o Likud pediu à Comissão Eleitoral Central uma prorrogação do horário de funcionamento das urnas, alegando necessidade de ampliar a participação. O pedido foi rejeitado, apesar da mobilização de Netanyahu para levar sua base às seções.
Enquanto o comparecimento geral foi elevado em nível nacional, dados parciais divulgados poucas horas antes do fim da votação mostraram que, nas cinco cidades onde o Likud teve seu melhor desempenho na eleição anterior, a participação estava até dez pontos percentuais abaixo da média do país. O quadro é lido dentro e fora do governo como sinal de cansaço e desmobilização entre eleitores tradicionalmente fiéis ao premiê.
Mesmo que o partido mantenha a liderança em número de cadeiras individuais, essa queda de engajamento em seus redutos é um alerta para o futuro político de Netanyahu e para o peso do Likud em eventuais negociações de coalizão.
Como funciona a apuração dos votos
Apesar da rapidez na divulgação de boca de urna, a apuração oficial em Israel é lenta e fortemente baseada em procedimentos manuais. Em cada uma das mais de 12 mil seções eleitorais, representantes dos partidos fazem a contagem das cédulas uma a uma, sob supervisão de observadores equipados com câmeras corporais.
Depois da conferência local, as cédulas e atas seguem para centros regionais, onde os resultados são registrados eletronicamente e consolidados. Só então as autoridades começam a liberar números oficiais, em um processo que deve se estender por horas e que, segundo a expectativa, só estará concluído, com o quadro final de cadeiras, ao longo da tarde de quinta-feira.
Até lá, o país segue em suspenso, entre projeções, disputa de narrativas e telefonemas de bastidor em busca de alianças que possam destravar a formação do próximo governo.


