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Inteligência Artificial

Coordenadora de Flávio Bolsonaro defende IA no lugar de servidores

Daniella Marques, da coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, sugeriu substituir parte dos servidores públicos por inteligência artificial no lugar de novos concursos, gerando debate sobre o futuro do funcionalismo.

Coordenadora de Flávio Bolsonaro defende IA no lugar de servidores

Inteligência Artificial

Daniella Marques propõe uso de IA para substituir servidores públicos, fomentando discussão sobre concursos e o futuro do funcionalismo.

Leia também: Bispos dos EUA debatem IA e imigração em assembleia de novembro

Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, defendeu em entrevista a um podcast que parte dos servidores públicos seja gradualmente substituída por sistemas de inteligência artificial, em vez de novos concursos para repor aposentadorias. A fala, dada em 30 de setembro, viraliza nesta semana e reacende o debate sobre o futuro do funcionalismo no país.

O que Daniella Marques propôs

Na conversa, a economista questiona a manutenção da atual lógica de reposição de quadros e sugere usar tecnologia para ocupar funções administrativas e operacionais. Ela cita o universo de cerca de 12,5 milhões de servidores públicos e estima que cerca de 20% se aposentam a cada ciclo de um a cinco anos.

“Quais carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial? 12 milhões e meio de servidores públicos. Tudo certo, começou lá atrás. Agora, a cada 5 anos, cada ano, vai aposentando 20%. E aí, substitui, faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, afirmou Daniella.

Pela proposta levantada por ela, o Estado deixaria de repor automaticamente, por concurso, todos os postos que forem sendo abertos com as aposentadorias. Em vez disso, funções consideradas repetitivas e burocráticas passariam a ser realizadas por softwares e sistemas de IA.

Quais áreas do serviço público podem ser afetadas

A ideia mira principalmente atividades administrativas e operacionais, como atendimento básico, análise de dados padronizados, protocolos, triagem de solicitações e processamento de documentos — áreas vistas como mais suscetíveis à automação.

Hoje, o funcionalismo público brasileiro reúne cerca de 12,5 milhões de trabalhadores nos âmbitos federal, estadual e municipal, em carreiras muito distintas, que vão de professores e profissionais de saúde a policiais, analistas, técnicos e pessoal de apoio. A proposta ventilada por Daniella atinge, sobretudo, esse último grupo, responsável por tarefas de bastidor.

Na prática, a adoção em larga escala de IA nesse tipo de função pode reduzir a necessidade de concursos para reposição de vagas administrativas, alterando o perfil das seleções futuras e das atribuições de quem permanece no quadro.

Entenda o contexto

A declaração ocorre no momento em que o uso de inteligência artificial avança em órgãos públicos, com soluções voltadas a automatizar triagem de processos, gerar documentos padrão e responder dúvidas frequentes de cidadãos. Ao levar o tema para o centro de uma proposta de governo, Daniella amplia a discussão para além de projetos pontuais de modernização.

De um lado, a substituição gradual de postos por tecnologia é apresentada como forma de enxugar gastos de pessoal, reduzir custos de longo prazo e acelerar rotinas internas. De outro, levanta dúvidas sobre a qualidade do atendimento, a transparência das decisões automatizadas e o impacto social sobre milhares de trabalhadores que hoje ocupam essas funções.

A discussão também deve atravessar o Congresso e órgãos de controle, que já acompanham o avanço da IA no setor público com atenção para temas como privacidade de dados, vieses algorítmicos e responsabilidade por erros cometidos por sistemas automatizados.

Impactos e resistências esperados

Especialistas e representantes do funcionalismo apontam que mudanças desse tipo costumam encontrar resistência de sindicatos e associações de servidores, que defendem concursos públicos como forma de acesso impessoal e garantias de estabilidade para quem já está na carreira.

Sindicatos tendem a cobrar, em discussões desse tipo, políticas de transição e requalificação profissional para trabalhadores que possam ser afetados por automação, além de limites claros para a substituição tecnológica em áreas sensíveis, como saúde, educação, segurança e fiscalização.

Setores que defendem um Estado mais enxuto e maior uso de tecnologia no serviço público, por sua vez, podem ver na fala de Daniella um aceno a reformas estruturais, com foco na redução de gastos com salários e benefícios e no redesenho de carreiras para funções mais estratégicas e menos repetitivas.

Com a repercussão do vídeo nesta semana, a tendência é que o tema entre na agenda de debates da campanha e pressione por propostas mais detalhadas: que tipos de cargo seriam alvo da automação, quais serviços continuariam obrigatoriamente com atendimento humano e como garantir que a modernização não comprometa o acesso da população a serviços públicos essenciais.

Fonte: matéria original