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Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 47% e 45%

Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno, com país dividido em blocos regionais e sociais e aposta no impacto da proibição das apostas online.

27/09/2026 10:00 6 min de leitura
Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 47% e 45%
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Pesquisa Eleitoral

Datafolha mostra empate técnico entre os candidatos no segundo turno, destacando divisões regionais e sociais no país.

Pesquisa Datafolha desta semana mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. Lula registra 47% das intenções de voto, Flávio aparece com 45%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

O resultado expõe um país partido em blocos sociais e regionais, a poucos dias do primeiro turno. A disputa acirrada obriga as campanhas a garimpar votos em segmentos específicos do eleitorado, enquanto um novo tema entra no radar: a decisão do governo de proibir apostas online logo após a votação.

Mapa da polarização: onde cada candidato é mais forte

O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de setembro, com nível de confiança de 95%. O instituto registra que “o presidente soma 47% das intenções de voto, enquanto o senador tem 45% em eventual disputa de 2º turno”. Na prática, qualquer vantagem numérica fica engolida pela margem de erro.

Os números nacionais escondem contrastes profundos. No Nordeste, Lula abre uma frente de 61% a 30%, diferença de 31 pontos, fora da margem de erro. Entre pessoas pretas, a vantagem também é folgada: 55% a 34%. O presidente ainda lidera entre eleitores com ensino fundamental (57% a 37%), mulheres (51% a 41%) e quem ganha até 2 salários mínimos (53% a 40%).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, se apoia em redutos quase espelhados. Entre evangélicos, tem 58% contra 34% de Lula, uma dianteira de 24 pontos. No Sul, vence por 57% a 38%. O senador também lidera entre quem recebe mais de 5 salários mínimos, por 52% a 38%, e entre eleitores brancos, por 51% a 40%.

Disputa voto a voto no Sudeste e entre indecisos

Nas demais regiões e faixas sociais, o cenário é mais apertado. No Sudeste, onde está o maior colégio eleitoral do país, Flávio aparece com 48% e Lula com 42%, em quadro ainda dentro da margem de erro segmentada. Em parte do Centro-Oeste e Norte, o senador também leva vantagem, mas com variação estatística maior, que pode chegar a 6 pontos.

Faixas etárias e níveis intermediários de renda e escolaridade também espelham esse equilíbrio. Entre jovens, adultos e idosos, a diferença raramente passa de poucos pontos, sempre sob o guarda-chuva da margem de erro. O mesmo vale para quem cursou até o ensino médio ou tem ensino superior, grupos em que a liderança muda de lado conforme o recorte.

A fotografia da semana reforça um traço da eleição atual: o voto está consolidado em nichos ideológicos e de renda, mas permanece volátil em franjas urbanas de classe média e entre eleitores que se dizem pouco interessados em política. A taxa de indecisos e de eleitores que admitem poder mudar de voto ainda tem peso suficiente para alterar o desenho do segundo turno.

Proibição das apostas online entra na campanha

No meio desse empate técnico, a campanha de Lula tenta transformar uma decisão de governo em ativo eleitoral. O Planalto anunciou a proibição das apostas online, com prazo para que sites e aplicativos saiam do ar a partir de 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno. Segundo o governo federal, “a proibição foi anunciada por Lula na sexta-feira e prevê que os sites e aplicativos de apostas sejam retirados do ar a partir de 6 de outubro”.

A medida é apresentada como proteção às famílias e à economia popular, em um momento em que o endividamento das famílias e a explosão das chamadas bets entram no debate público. A aposta política é clara. De acordo com a equipe de Lula, “a campanha de Lula também espera que a proibição tenha impacto eleitoral”, sobretudo entre eleitores preocupados com o endividamento de jovens e o avanço da publicidade agressiva de jogos.

O tema, porém, carrega riscos. Setores ligados ao mercado de tecnologia, influenciadores digitais e parte do eleitorado liberal veem a proibição como interferência excessiva do Estado em um setor que movimenta bilhões de reais e patrocina clubes e eventos esportivos. A reação desses grupos ainda não aparece de forma consolidada nas pesquisas já divulgadas.

Novas pesquisas medem efeito das bets e do governo

Duas pesquisas em campo até este domingo prometem medir o impacto imediato da decisão sobre apostas e da avaliação do governo. O levantamento BTG/Nexus entrevista 2.000 eleitores entre 25 e 27 de setembro, por telefone, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A Quaest ouve 2.004 pessoas, em entrevistas presenciais, entre 24 e 27 de setembro, com margem semelhante.

Esses institutos incluem perguntas específicas sobre o conhecimento da medida, o grau de aprovação da proibição das apostas e a avaliação do governo Lula. Também medem firmeza do voto, rejeição, potencial de voto e expectativa de vitória, dados que ajudam os comandos de campanha a definir onde insistir e onde recuar na reta final.

Rodadas anteriores dessas mesmas pesquisas já mostravam um cenário apertado, com oscilações mínimas a cada semana. A entrada da agenda das apostas online funciona como um teste em tempo real sobre o poder de temas morais e de proteção social para deslocar votos em um ambiente altamente polarizado.

Quem tem mais a ganhar — e a perder — até o segundo turno

Lula segue com uma base robusta entre os mais pobres, no Nordeste e em segmentos historicamente associados às políticas sociais. Esse núcleo duro garante presença no segundo turno, mas não assegura vantagem confortável em um país em que o Sudeste concentra parte decisiva dos votos e mostra inclinação ligeiramente mais favorável a Flávio Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, depende de maximizar a mobilização entre evangélicos, eleitores de renda mais alta e classes médias urbanas, ao mesmo tempo em que tenta conter sua rejeição em faixas populares que ainda associam o campo bolsonarista a cortes de programas sociais. O desafio é crescer sem assustar o eleitorado moderado, que rejeita radicalização.

Os próximos dias colocam em jogo três variáveis-chave: a consolidação do voto no primeiro turno, a reação do eleitorado à proibição das apostas online e o desempenho de Lula e Flávio nos últimos debates e atos públicos. Pesquisas divulgadas a partir desta segunda-feira começam a indicar se a medida contra as bets vira trunfo, tiro no pé ou apenas mais um capítulo em uma disputa que se desenha voto a voto.

O que mostra a pesquisa Datafolha sobre Lula e Flávio Bolsonaro?

A pesquisa Datafolha mais recente mostra Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, configurando empate técnico pela margem de erro de 2 pontos; o país aparece dividido, com Lula forte no Nordeste e entre mais pobres, e Flávio à frente entre evangélicos e eleitores de renda mais alta.

Quando começa a valer a proibição das apostas online anunciada por Lula?

A proibição das apostas online anunciada por Lula passa a valer a partir de 6 de outubro, quando sites e aplicativos de apostas deverão ser retirados do ar; a medida, apresentada como proteção às famílias e à economia popular, entra em vigor dois dias após o primeiro turno e já é testada como fator de impacto eleitoral.


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