Mercados
S&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 399.185▼ 0,84%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 399.185▼ 0,84%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Debate na Globo acirra disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula

No último debate antes do segundo turno, Flávio Bolsonaro e Lula trocam acusações sobre milícias, economia e meio ambiente, detalham propostas e miram o eleitor indeciso.

Debate na Globo acirra disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula

Política

Flávio Bolsonaro e Lula intensificam embate com críticas mútuas e propostas para conquistar votos decisivos no segundo turno.

Leia também: Lula cancela entrevista hoje para poupar voz antes do debate

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) transformaram o último debate presidencial antes do segundo turno, na noite de sexta-feira (23), no estúdio da TV Globo, em um confronto direto sobre economia, segurança, meio ambiente e educação, com troca de acusações pessoais e checagem de fatos em tempo real enquanto ambos tentavam falar ao eleitor indeciso às vésperas da votação deste domingo (25).

Troca de acusações marca embate sobre segurança

Ao longo do encontro, os dois candidatos alternaram momentos de propostas com ataques duros. Flávio Bolsonaro voltou a utilizar o apelido “nove dedos” para falar de Lula, que reagiu chamando o adversário de “miliciano” e ligando seu nome a grupos criminosos do Rio de Janeiro.

Em um dos blocos, o candidato do PL escolheu perguntar sobre retomada de territórios e defendeu classificar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. Lula respondeu citando o caso da menina Ana Clara e questionou Flávio sobre a defesa a um policial acusado pelo crime. O senador disse prestar solidariedade à mãe da vítima, afirmou confiar que o autor do disparo não foi o policial acusado e reiterou que pretende enquadrar as facções como narcoterrorismo.

Na tréplica, Lula afirmou que o adversário defendeu e condecorou milicianos e sugeriu que a proposta de classificar organizações como narcoterroristas tem interesse externo. Mais tarde, já nas considerações finais, Flávio usou um direito de resposta para rebater o rótulo de miliciano. “Eu nunca fui investigado por envolvimento com milícia e vou combater esses grupos criminosos”, declarou, prometendo endurecer o enfrentamento ao crime organizado.

Economia, dívidas e Banco Central em foco

A situação econômica dos brasileiros foi tema recorrente. Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre o endividamento da população e a dívida pública, afirmando que o governo petista deixa uma dívida trilionária e juros altos. Disse defender a manutenção do Banco Central com autonomia para, segundo ele, evitar explosões na taxa de juros e prometeu pagar parte da dívida pública para abrir espaço a novos investimentos.

Lula respondeu citando programas como o Desenrola, apontado por ele como instrumento para renegociação de dívidas de consumidores, e afirmou que trabalha para que o povo “volte a consumir e a ganhar dinheiro”. Questionado depois, em entrevista, se pretendia reverter a autonomia do Banco Central, o presidente afastou essa hipótese. “Eu não sou de minha competência reverter a autonomia do Banco Central, mas espero que o BC baixe os juros”, disse, acrescentando que confia na condução do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e atribuindo parte do quadro ao cenário internacional.

Saúde, SUS e legado da pandemia

Na área da saúde, Lula levou o debate para o Sistema Único de Saúde (SUS) e cobrou do adversário propostas concretas. Flávio Bolsonaro respondeu que o problema central está na má aplicação dos recursos e defendeu refinanciar as dívidas das Santas Casas e investir na expansão do Inca.

Lula reagiu lembrando o papel do SUS na pandemia de Covid-19, que, segundo ele, evitou a perda de mais vidas, e usou o tema para criticar a gestão de Jair Bolsonaro na crise sanitária. Na tréplica, Flávio disse reconhecer a importância do SUS e afirmou que o sistema salvou a vida do pai após a facada sofrida em campanha, prometendo ampliar a estrutura e melhorar a gestão.

Entenda o contexto

O debate aconteceu a menos de 48 horas da abertura das urnas e é o último encontro cara a cara entre os dois candidatos antes do segundo turno presidencial. A transmissão incluiu intervenções do serviço de checagem Fato ou Fake, que começou a verificar em tempo real as declarações de Lula e Flávio Bolsonaro e prosseguiu com as análises durante a madrugada, reforçando a disputa por narrativas em torno de dados econômicos, números da dívida pública, índices de desmatamento e políticas sociais.

A temperatura alta no estúdio reflete o cenário de polarização no país e mira especialmente o eleitor ainda indeciso ou pouco engajado, que pode ser decisivo neste domingo.

Disputa por meio ambiente e agronegócio

Após o debate, Flávio Bolsonaro foi entrevistado por Renata Lo Prete, do Jornal da Globo, e cobrado sobre a promessa de manter linhas gerais da política ambiental do governo atual. Ele afirmou que seu programa prevê zerar o desmatamento ilegal e prometeu que Ibama e ICMBio “vão respeitar a lei” e, nas palavras dele, deixarão de “perseguir moradores e suas propriedades”. Ao falar das queimadas na Amazônia, reconheceu que não foram tomadas iniciativas suficientes para combatê-las, mas procurou se distanciar de críticas internacionais.

O tema ambiental expõe diferenças de estratégia: enquanto Lula tenta se aproximar de compromissos de preservação e reconstrução da imagem externa do país, Flávio busca equilibrar discurso de combate ao crime ambiental com a defesa de produtores rurais e proprietários de terra.

Educação e ensino integral dividem candidatos

Na educação, Lula escolheu perguntar sobre ensino integral. Ele acusou o governo aliado de Flávio de ter zerado o orçamento federal para escolas em tempo integral e criticou o fim de investimentos em programas da área. Flávio rebateu dizendo que o chamado “tigrinho” — expressão usada por ele para se referir a programa alvo de críticas — foi criado na gestão Jair Bolsonaro e acusou Lula de ter cancelado a iniciativa às vésperas da eleição.

O presidente citou ações do governo para retomar investimentos em institutos federais e prometeu estender o programa Pé-de-Meia para as universidades, além de criticar modelos de escolas cívico-militares. Já o candidato do PL afirmou ser mentira que pretende acabar com o Fies e disse apostar no ensino integral com foco em tecnologia, defendendo parcerias entre empresas e escolas e ênfase em matemática e português.

Salário mínimo, dívidas e poder de compra

Além das discussões temáticas, os candidatos debateram o impacto da inflação e do salário mínimo na vida cotidiana. Em seus compromissos finais diante do público, Flávio Bolsonaro buscou falar diretamente ao bolso do eleitor. “Eu vou me comprometer com três coisas: nunca vou prometer o que não vou poder cumprir, vou devolver o poder de compra e vou lutar pela liberdade das pessoas”, afirmou, agradecendo o apoio de aliados e fazendo referência ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula, por sua vez, afirmou que pretende continuar políticas de valorização do salário mínimo e programas de renegociação de dívidas, associando sua trajetória à melhoria das condições de vida da população mais pobre. Ao falar sobre o endividamento das famílias, voltou a mencionar iniciativas para permitir que brasileiros limpem o nome e voltem a ter acesso a crédito.

Entrevistas e considerações finais buscam acalmar tom

Depois do debate, Lula foi o primeiro a falar com Renata Lo Prete. Na entrevista, além da questão do Banco Central, tentou moderar a imagem deixada pelo embate acalorado. Afirmou que o tom duro do encontro não reflete sua postura desejada. Nas considerações finais no estúdio, o presidente agradeceu ao povo brasileiro e admitiu o excesso. “Domingo é um dia decisivo para o país, sou um homem que tem biografia e história”, disse, retomando passagens da própria trajetória até chegar ao Planalto.

Flávio Bolsonaro, em sua fala conclusiva, reforçou o discurso de compromisso com segurança pública, prometeu combater milícias e facções e disse querer que o brasileiro tenha tranquilidade para andar com o celular na rua. Ao insistir que não é e não foi alvo de investigação por envolvimento com milícias, buscou neutralizar um dos ataques mais repetidos por Lula ao longo da campanha.

Com o fim do debate, as campanhas partem para as últimas horas de mobilização nas ruas e nas redes sociais. As análises sobre o impacto do confronto devem alimentar a disputa por votos até a abertura das urnas neste domingo, com reflexos diretos sobre a formação do próximo governo e o clima político após a eleição.