Mercados
S&P 5007.663▼ 1,21%Nasdaq26.009▼ 2,60%Dow Jones52.868▲ 0,02%Ibovespa204.120▼ 1,15%FTSE 10010.725▼ 0,26%DAX25.372▼ 1,07%Nikkei61.865▼ 1,66%DólarR$ 5,05▲ 0,02%EuroR$ 5,67▲ 0,06%BitcoinR$ 411.055▲ 0,08%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.663▼ 1,21%Nasdaq26.009▼ 2,60%Dow Jones52.868▲ 0,02%Ibovespa204.120▼ 1,15%FTSE 10010.725▼ 0,26%DAX25.372▼ 1,07%Nikkei61.865▼ 1,66%DólarR$ 5,05▲ 0,02%EuroR$ 5,67▲ 0,06%BitcoinR$ 411.055▲ 0,08%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Joice Hasselmann declara voto em Lula e acusa Bolsonaro de tentar matá-la

Ex-líder do governo Bolsonaro, Joice Hasselmann anuncia voto em Lula no segundo turno, relata agressões, fala em minuta de golpe desde 2019 e vê família Bolsonaro como ameaça à democracia.

Joice Hasselmann declara voto em Lula e acusa Bolsonaro de tentar matá-la

Política

Joice Hasselmann revela mudança de voto e denuncia ameaças de Bolsonaro, destacando riscos à democracia brasileira.

Leia também: Quem é Rubel, cantor alvo de ataque político de Nikolas Ferreira

A ex-deputada federal Joice Hasselmann, ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, declarou voto em Lula no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), e afirmou que o ex-presidente “tentou me matar”, ao relatar agressões sofridas e o rompimento com o bolsonarismo. O anúncio foi feito em vídeo nas redes sociais e em entrevista exibida na noite desta quinta-feira (22), na TV 247.

Joice rompe com bolsonarismo e diz votar em Lula pela democracia

No vídeo em que formaliza o apoio, Joice afirma que a decisão é uma escolha pela preservação das instituições, apesar de continuar em oposição ao PT. “Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, disse. Ela declarou votar “em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia” e insistiu que não está aderindo ao programa petista, mas defendendo o ambiente democrático em que pretende seguir fazendo oposição institucional.

A ex-deputada, que construiu sua carreira em confronto direto com o PT, lembrou que participou ativamente da campanha de Bolsonaro em 2018 e, depois, assumiu a liderança do governo no Congresso. “Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, afirmou, antes de destacar que a convivência com o núcleo duro do então presidente mudou sua percepção. “Eu vi o clã por dentro”, disse.

Segundo Joice, ainda no primeiro ano de gestão ela percebeu que o funcionamento interno do grupo presidencial destoava das promessas de combate à corrupção e de respeito às instituições. Ela citou práticas de bastidor, interferência da família em decisões de governo e o que descreve como um projeto de poder continuado dos Bolsonaro.

Relato de agressões e acusação: “Bolsonaro tentou me matar”

Na entrevista, Joice associou o rompimento político a uma escalada de perseguições e violência. Ela relembrou o episódio de 2021, quando foi encontrada ferida em seu apartamento em Brasília, caso que, à época, ganhou repercussão nacional. A ex-parlamentar voltou a afirmar que foi vítima de um ataque planejado e ligou o episódio ao entorno do ex-presidente. “Bolsonaro tentou me matar”, declarou.

Joice disse ter sido grampeada, espionada e alvo de ataques coordenados nas redes sociais depois que rompeu com o governo. Segundo ela, o bolsonarismo opera a partir de uma máquina de difamação contra dissidentes e constrói narrativas para desacreditar ex-aliados. “Já perdi muito e não tenho medo de perder”, resumiu, ao comentar o custo pessoal e político de sua decisão de denunciar o grupo.

Denúncia de minuta de golpe levada ao STF em 2019

A ex-deputada também afirmou que uma minuta de golpe circula entre aliados de Bolsonaro desde o primeiro ano de mandato. Ela contou que levou a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, ainda em 2019. “Esta minuta já existia no primeiro ano de governo”, disse.

Segundo Joice, a existência desse documento é um dos indícios de que o grupo de Bolsonaro nunca aceitou plenamente as regras do jogo democrático e sempre manteve, em paralelo, um plano para contestar o resultado das urnas e ameaçar a alternância de poder.

“Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais”

Ao justificar o voto em Lula, Joice fez questão de marcar diferenças entre sua posição ideológica e a escolha que diz ser emergencial. “Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais”, afirmou. Ela reforçou que segue discordando “da esquerda e de muitas ideias do PT”, mas considera que esse embate deve ocorrer “dentro das regras da democracia”.

Joice direcionou críticas duras à família Bolsonaro, que hoje tem o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Em sua avaliação, uma vitória do filho mais velho de Jair Bolsonaro abriria espaço para décadas de domínio familiar sobre o Executivo e “assalto aos cofres públicos”.

Ela disse saber que sua declaração de voto pode fechar portas, provocar novas rupturas e ampliar ataques nas redes, mas afirma estar preparada. “Já perdi muito e não tenho medo de perder”, repetiu.

Entenda o contexto

Joice Hasselmann foi uma das principais vozes da direita na onda que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Jornalista de formação, fez carreira em veículos conservadores, liderou mobilizações contra o PT e, já eleita, assumiu papel central na articulação do governo no Congresso.

O rompimento com Bolsonaro ocorreu ainda no início do mandato presidencial e se agravou com trocas de acusações públicas, perda de espaço político e o episódio de violência em seu apartamento. Desde então, Joice se tornou uma das críticas mais contundentes do bolsonarismo, acusando o grupo de atuar contra a democracia.

Na mesma entrevista em que Joice falou, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo no início da gestão Bolsonaro, também elevou o tom contra o ex-chefe e sua família. “Bolsonarismo não é direita, mas vigarice, e a família é capacho dos EUA”, disse o militar da reserva, reforçando o discurso de que o movimento bolsonarista se afastou de pautas tradicionais da direita para operar em torno de um projeto de poder personalista.

Decisão judicial mantém vídeo em que Joice ataca Michelle Bolsonaro

Enquanto Joice se reposiciona no tabuleiro eleitoral, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sofreu uma derrota na Justiça do Distrito Federal em ação movida justamente contra a ex-deputada. A 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) negou recurso de Michelle, que pedia a retirada de um vídeo das redes e indenização de R$ 30 mil por danos morais.

No vídeo, Joice chama Michelle de “sem vergonha”, “maçaneta do PP”, “santinha do pau oco”, “uma vergonha toda” e a descreve como “figura horrorosa, horripilante, fútil e tudo de ruim que você pode imaginar”. A ação já havia sido rejeitada em primeira instância, e a ex-primeira-dama recorreu.

Ao manter a decisão, o colegiado entendeu que, embora o discurso fosse duro, ele se insere no campo da crítica política dirigida a uma figura pública. A relatora do caso, desembargadora Leonor Aguena, escreveu no acórdão publicado na quarta-feira (21) que “a vida pregressa de quem se projeta voluntariamente na arena pública e pretende representar a sociedade em cargos eletivos sofre legítimo escrutínio quanto à coerência de suas bandeiras discursivas”.

Na prática, o tribunal reforçou que agentes políticos e seus familiares com atuação pública estão mais expostos a críticas e questionamentos sobre sua trajetória e discursos, especialmente em contexto eleitoral e de intenso debate público.

Impacto político às vésperas do segundo turno

A movimentação de Joice Hasselmann ocorre a três dias do segundo turno presidencial e mira, principalmente, o eleitorado de direita e centro-direita desconfortável com o bolsonarismo. Ao declarar voto em Lula e, ao mesmo tempo, se reafirmar como opositora ao PT dentro das instituições, ela tenta oferecer uma espécie de “voto de contenção” à parcela do eleitorado que rejeita a esquerda, mas teme novos sobressaltos democráticos.

As denúncias de minuta de golpe, o relato de agressões e as críticas à família Bolsonaro alimentam a narrativa de que o atual pleito opõe, de um lado, a continuidade do processo democrático e, de outro, um projeto de ruptura. Para o bolsonarismo, a estratégia é reagir desqualificando a ex-aliada e minimizando seu peso eleitoral. Enquanto isso, decisões como a do TJDFT, que resguardam críticas duras a figuras públicas, reforçam o espaço da liberdade de expressão no embate político às vésperas da votação.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3