Por que o debate sobre IA no Brasil ainda é insuficiente em 2026
Em artigo na editoria de Inteligência Artificial, o consultor Maicon Bock defende um debate mais qualificado sobre o uso de IA no Brasil, da reputação pública ao impacto no jornalismo.

Inteligência Artificial
Especialistas destacam a necessidade de aprofundar discussões sobre os efeitos da IA no jornalismo e na sociedade brasileira.
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Nesta quinta-feira, o consultor em comunicação Maicon Bock, sócio-diretor da Mérito Consultoria em Comunicação e ex-secretário-adjunto de Comunicação do Governo do RS, publica um artigo na editoria de Inteligência Artificial em que defende um debate mais qualificado sobre o tema no Brasil, com atenção especial à reputação pública da tecnologia, aos impactos no trabalho e às mudanças na produção de notícias.
Como a inteligência artificial está sendo percebida pela sociedade?
O artigo de Maicon Bock parte da constatação de que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano de boa parte da população brasileira, embora muitas vezes de forma quase invisível. Ele aponta que a percepção social é ambivalente: de um lado, entusiasmo com facilidades no dia a dia; de outro, desconfiança quanto ao uso de dados pessoais, risco de vigilância e medo de substituição de empregos.
Segundo o consultor, essa desconfiança cresce quando a sociedade não entende claramente como os sistemas de IA funcionam, quem os controla e com quais objetivos. A percepção também é influenciada pela forma como a tecnologia aparece no noticiário, frequentemente associada a casos de vazamento de dados, golpes digitais ou demissões em massa.
Para Bock, essa combinação de familiaridade prática e desconhecimento técnico cria um ambiente em que boatos prosperam e em que a discussão pública se polariza entre visões milagrosas e catastróficas, com pouco espaço para nuances.
Como a inteligência artificial está influenciando a produção de notícias e o jornalismo?
No texto, Maicon Bock destaca que o jornalismo é uma das áreas em que os efeitos da inteligência artificial aparecem de forma mais visível e mais sensível ao público. Ele aponta o uso crescente de sistemas automatizados para apoiar redações na apuração de dados, na transcrição de entrevistas, na edição de vídeos e até na geração de textos.
O consultor observa que, ao mesmo tempo em que essas ferramentas podem aumentar a produtividade, reduzir custos e liberar jornalistas para tarefas mais analíticas, elas também abrem dilemas sobre transparência, autoria e responsabilidade editorial. Quando um texto é gerado com apoio de IA, a pergunta central, segundo ele, é quem responde por eventuais erros, vieses ou distorções.
Bock argumenta que veículos de comunicação precisam comunicar com clareza quando e como usam IA, estabelecer regras internas sobre revisão humana obrigatória e investir na formação de jornalistas capazes de compreender as limitações e os riscos das ferramentas. Sem esses cuidados, afirma, cresce o risco de perda de confiança do público em relação às notícias.
Entenda o contexto
O artigo de Maicon Bock chega em um momento em que a discussão sobre inteligência artificial se espalha por diferentes setores no Brasil, do serviço público às empresas privadas, passando por escolas, universidades e redações de jornal. Na ausência de uma regulação detalhada já em vigor e de parâmetros consolidados de uso responsável, o debate público acaba sendo pautado por casos isolados, exemplos extremos e narrativas de marketing.
Ao trazer sua visão de dentro da área de comunicação, o consultor tenta aproximar o tema do leitor comum, chamando atenção para a necessidade de transparência das empresas, de educação digital da população e de um papel mais ativo de governos e instituições na mediação desse processo.
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