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Mundo

Democratas dominam Câmara e Senado dos EUA após 38 anos no Texas

Democratas recuperam maioria na Câmara e no Senado dos EUA. No Texas, James Talarico derrota Ken Paxton, na primeira vitória democrata ao Senado desde 1988, e Trump reage.

Democratas dominam Câmara e Senado dos EUA após 38 anos no Texas

Política Internacional

Partido Democrata conquista maiorias no Congresso americano e vence eleição histórica no Texas após décadas.

Leia também: Eleitores latinos podem decidir controle do Congresso dos EUA

O Partido Democrata retomou o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos nas Eleições de Meio de Mandato, consolidadas na madrugada desta quarta-feira (4), e impôs uma derrota simbólica aos republicanos no Texas, onde James Talarico superou Ken Paxton para o Senado, algo que não ocorria desde 1988.

Vitória inédita no Texas redesenha mapa eleitoral

A projeção da vitória de James Talarico no Texas, um dos bastiões históricos do Partido Republicano, é tratada por analistas como um divisor de águas. É a primeira vez desde 1988 que um democrata conquista uma cadeira de Senado pelo estado, abrindo uma brecha em uma das bases mais sólidas do conservadorismo americano.

A derrota de Ken Paxton amplia o impacto político das Midterms. O revés texano sinaliza uma mudança demográfica e ideológica em andamento há anos, agora traduzida em votos. Para os democratas, o resultado fortalece a tese de que é possível competir em territórios antes considerados inalcançáveis. Para os republicanos, representa um alerta sobre a perda de espaço em redutos tradicionais.

Com o novo desenho, os democratas devem comandar as duas Casas do Congresso, condição rara no cenário recente e que altera o equilíbrio de forças em Washington. A maioria, embora possa ser apertada, é suficiente para destravar pautas que vinham sendo barradas pela antiga composição, de maioria republicana.

Trump ataca governador do Texas e admite bom desempenho democrata

Derrotado nas urnas legislativas, o ex-presidente Donald Trump reagiu durante a madrugada em suas redes sociais, concentrando críticas no governador do Texas, Greg Abbott, a quem responsabilizou pela perda do estado. “Se Greg Abbott, o governador do Texas, não tivesse se tornado um RINO (Republicano Apenas no Nome) nos últimos seis meses de sua vida política, ele não teria perdido. Ele voltou à sua fórmula original, e não foi bonito de se ver!”, escreveu Trump.

Apesar do ataque, Trump reconheceu o desempenho do rival. Em entrevista à emissora conservadora Fox News, afirmou que “os democratas fizeram um bom trabalho” e sinalizou disposição para negociar com o novo Congresso de maioria adversária. Ao mesmo tempo, deixou claro que pretende usar todos os instrumentos à disposição para frear a agenda democrata.

Na mesma conversa, ele disse que “os democratas enviariam à minha mesa projetos de lei que eu considerava insanos e que vetaria”. Pouco antes, publicou a imagem de um boné com a palavra “VETO”, ecoando o símbolo usado pelo movimento MAGA (Make America Great Again) e indicando que pretende transformar o poder de veto em bandeira política.

Entenda o contexto

As Eleições de Meio de Mandato são o grande teste político do governo americano na metade do mandato presidencial, definindo todos os assentos da Câmara e parte do Senado. Até agora, os republicanos detinham a maioria nas duas Casas, o que funcionava como um freio à agenda de perfil mais progressista defendida pelos democratas em temas como clima, direitos civis, saúde e regulação econômica.

Com a virada, a liderança democrata ganha mais margem para avançar em projetos sociais, ambientais e de estímulo econômico, além de revisitar regulações que vinham sendo flexibilizadas sob influência republicana. Setores ligados a direitos civis e meio ambiente tendem a sair fortalecidos, enquanto grupos mais conservadores veem aumentar o risco de reversão de pautas caras ao partido, como desregulação e cortes de impostos.

Impacto para o governo Trump e para o Congresso

A nova correlação de forças em Washington abre espaço para um período de tensão entre o Executivo e o Legislativo. Ao mesmo tempo em que fala em cooperação, Trump já adianta a disposição de barrar projetos considerados radicais por sua base, alimentando o cenário de impasse. Na prática, cada grande proposta democrata deverá ser desenhada levando em conta a ameaça de veto presidencial.

Para os democratas, a conquista da maioria carrega também o peso da responsabilidade. A liderança do partido terá de administrar um Congresso plural, em que alas mais moderadas e segmentos progressistas disputam prioridades. A necessidade de manter a coesão interna, mirando já as próximas eleições presidenciais, será central nos próximos meses.

Do lado republicano, a perda da maioria no Capitólio e o colapso simbólico no Texas devem acelerar disputas internas por espaço e liderança, com críticas à estratégia adotada sob influência direta de Trump e de aliados locais como Greg Abbott. A revisão de rumos será decisiva para que o partido tente conter novas erosões em estados-chave.

A médio prazo, o novo Congresso terá papel determinante na direção das políticas internas e externas dos Estados Unidos, na definição de pacotes econômicos e na resposta a temas globais, enquanto a relação entre Trump e a maioria democrata promete balizar o clima político nacional até a próxima disputa pela Casa Branca.

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