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Documentário acende pressão por investigações sobre Elon Musk

Às vésperas do lançamento de “Musk”, Alex Gibney questiona se maioria Democrata no Congresso dos EUA terá fôlego para enfrentar o poder financeiro de Elon Musk nas investigações.

Documentário acende pressão por investigações sobre Elon Musk

Tech Desk

Novo documentário destaca desafios políticos para investigar o bilionário Elon Musk nos EUA.

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Às vésperas do lançamento do documentário “Musk”, o diretor Alex Gibney diz ver na vitória Democrata no Congresso dos Estados Unidos uma chance de avançar em investigações sobre Elon Musk, mas questiona se parlamentares terão disposição para enfrentar o peso de mais de 474 milhões de dólares doados pelo bilionário a grupos republicanos nesta eleição.

Gibney vê maioria Democrata como teste ao poder do dinheiro

Em debate recente com a editora Zoë Schiffer após exibição do filme em Washington, Gibney afirmou que o momento é um teste para o sistema político americano diante da influência de Musk em Brasília — capital americana do poder federal — e no Texas, estado-chave para o empresário. “Is our political system capable—assuming the Democrats win the House and the Senate—of ignoring the power of money … to hold really tough investigations?”, perguntou o diretor.

O cineasta sustenta que Musk se tornou um dos principais financiadores da direita americana, com mais de 474 milhões de dólares enviados a grupos republicanos. Desse total, pelo menos 158 milhões de dólares foram destinados a super PACs que apoiaram o adversário do agora senador eleito James Talrico no Texas, onde os Democratas também conquistaram o governo estadual com Gina Hinojosa.

Para Gibney, o volume de recursos evidencia a margem de manobra política do empresário. “Now has such an extraordinary amount of money that dropping $500 million on an election means nothing to him”, disse. Ao mesmo tempo, ele aponta uma fragilidade: grande parte da fortuna do bilionário está atrelada às ações de suas empresas, que podem se tornar alvo de maior escrutínio caso o novo Congresso decida aprofundar investigações.

Entenda o contexto

Musk é peça central em setores considerados estratégicos em Washington, como veículos elétricos, contratos espaciais com o governo, infraestrutura de internet via satélite e redes sociais. O documentário destaca que diferentes agências federais já abriram frentes de apuração sobre práticas empresariais do grupo ligado ao bilionário e sugere que esse cerco regulatório contribuiu para aproximá-lo de Donald Trump e de outros candidatos republicanos.

Com a maioria Democrata no Capitólio, Gibney e seus colaboradores veem espaço para comissões e audiências mais duras sobre contratos públicos, impacto de decisões de Musk em políticas de comunicação e segurança, e a influência direta de suas empresas no debate público. “Last I looked things weren’t going Elon’s way, particularly in Texas”, comentou o diretor, num momento em que derrotas eleitorais de aliados do empresário reforçam a sensação de enfraquecimento político regional.

A avaliação de analistas próximos à produção é que eventuais investigações podem afetar o valor de mercado das companhias de Musk, com reflexo imediato no bolso do próprio bilionário e no mercado tecnológico como um todo. A leitura é de que, se ações-chave começarem a perder fôlego, o poder de fogo financeiro que hoje sustenta sua influência política também pode ser reduzido.

Como é o documentário ‘Musk’

Para construir o retrato do empresário, Gibney entrevistou ex-funcionários, empreendedores do setor de tecnologia e fontes que acompanharam de perto a ascensão do bilionário no Vale do Silício e no Texas. Entre os depoimentos mais delicados, o diretor destaca as falas da escritora Justine Wilson, primeira mulher de Musk, e de Ashley St. Clair, ex-namorada do empresário, que relatam abusos emocionais e episódios conturbados na vida pessoal do bilionário.

O filme também traz análises de jornalistas e especialistas, como a diretora editorial global Katie Drummond, que ajudam a conectar bastidores da vida privada de Musk ao desenho atual de seu poder econômico e político. As múltiplas frentes de investigação governamental entram como fio condutor, amarrando histórias individuais a decisões de agências reguladoras e órgãos de fiscalização em Washington.

Musk recusou participar da produção. Diante da negativa, a equipe de Gibney recorreu a um recurso digital: recriou o empresário na tela por meio de um avatar, combinando um modelo 3D a declarações públicas do próprio Musk ao longo dos anos. As falas usadas no filme são literais, mas apresentadas em uma espécie de simulação visual que reforça a ideia de uma persona construída.

Reação de Musk e disputa em torno do lançamento

Pelas redes, especialmente na plataforma X, Musk vem rotulando o documentário como um ataque à sua reputação, chamando o filme de “hit piece” e motivado por interesses políticos. Em paralelo, seu advogado Alex Spiro enviou à produtora Jigsaw Productions uma notificação ameaçando acionar a Justiça por difamação, tentativa vista por aliados de Gibney como forma de intimidar distribuidores e parceiros comerciais.

A estreia comercial de “Musk” também enfrenta obstáculos no ambiente digital. A distribuidora responsável pelos direitos nos Estados Unidos relatou que plataformas como YouTube, TikTok e empresas do grupo Meta recusaram, em um primeiro momento, a veiculação de anúncios do trailer. A rede X, controlada por Musk, não promoveu o material publicitário.

Para especialistas em tecnologia e regulação ouvidos pela equipe de Gibney, a resistência das plataformas expõe uma nova camada da disputa: o controle sobre a circulação de narrativas críticas a grandes bilionários da tecnologia. O caso alimenta debates sobre liberdade de expressão, poder econômico e transparência em sistemas de recomendação e venda de anúncios.

O documentário “Musk” deixa o circuito de salas de cinema e passa a ficar disponível para aluguel e compra digital a partir de 6 de novembro, em meio à transição para a nova maioria Democrata no Congresso e sob a expectativa de que o clima político em Washington determine até onde irão as promessas de escrutínio sobre o homem mais influente — e controvertido — do ecossistema tecnológico americano.