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Lançamentos de IA

Titan OS capta US$ 46 mi e aposta em IA para dominar smart TVs

Startup de Barcelona que faz sistema operacional para smart TVs capta US$ 46 milhões para acelerar expansão internacional, investir em IA e ampliar parcerias com fabricantes e canais FAST.

Titan OS capta US$ 46 mi e aposta em IA para dominar smart TVs

Tecnologia

Startup de Barcelona recebe aporte para expandir globalmente e integrar inteligência artificial em sistemas para smart TVs.

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A Titan OS, empresa de Barcelona especializada em sistema operacional para smart TVs, anunciou nesta quarta-feira (4) a captação de US$ 46 milhões em uma rodada que combina equity e dívida, para acelerar a expansão internacional da plataforma e investir em inteligência artificial voltada à descoberta de conteúdo e publicidade.

O que é o Titan OS para smart TVs?

O Titan OS é um sistema operacional que vem instalado diretamente nas smart TVs e promete ajudar fabricantes a ganhar dinheiro mesmo depois da venda do aparelho, por meio de parcerias com canais FAST (canais gratuitos financiados por anúncios) e espaços publicitários na interface.

Na prática, a plataforma organiza os aplicativos e os canais disponíveis, recomenda o que assistir, vende inventário publicitário e compartilha essa receita com os fabricantes. A empresa já atende 30 milhões de usuários, um salto em relação aos 18 milhões registrados no ano anterior.

Segundo o CFO da Titan OS, Hyoungung Kim, o negócio está cada vez mais apoiado nessa frente de mídia: “Nosso pão com manteiga é a monetização do nosso inventário em nossa própria rede. Mas o ponto é que estamos indo além disso. Por isso nosso alcance aumentou significativamente, o que desencadeia um efeito flywheel atraindo mais parceiros de vendas e agências que querem investir em nossa plataforma, seja em propriedades próprias ou via extensões”.

Quais TVs utilizam o Titan OS?

Hoje, o Titan OS equipa TVs de marcas como Philips, Sharp, AOC, Vestel e Skyworth, em acordos que variam entre adoção plena do sistema e uso para complementar soluções já existentes.

O caso mais emblemático é o da Philips, que já migra linhas de seus modelos mais recentes para o Titan OS em substituição a plataformas concorrentes. A base de fabricantes parceiros vem crescendo com a percepção de que poucos grupos conseguem bancar o desenvolvimento de um sistema próprio robusto e atualizado, enquanto o custo do hardware sobe.

Kim resume o cenário do ponto de vista das marcas: “A indústria de hardware de TV não é muito lucrativa. Por isso eles dependem muito de parceiros como a Titan OS que compartilham receita após a venda da TV. Com o boom da IA, os preços dos chips aumentaram e eles basicamente dobraram a aposta em nossa parceria”.

Entenda o contexto

Com margens apertadas e chips mais caros por causa da inteligência artificial embarcada, fabricantes de TV buscam receitas recorrentes para compensar o avanço limitado nas vendas de aparelhos. É nesse ponto que a Titan OS se posiciona: ela assume a camada de software, abre espaço para canais gratuitos com publicidade, vende anúncios segmentados e reparte o resultado.

Ao mesmo tempo, o público se vê diante de um excesso de apps e catálogos, que torna demorada a tarefa de escolher o que ver. A Titan OS tenta transformar esse problema em oportunidade, usando ajustes de interface e IA para tornar a descoberta de conteúdo mais rápida e, de quebra, mais valiosa para o mercado publicitário.

Como o Titan OS pretende expandir internacionalmente com o novo investimento?

Os US$ 46 milhões levantados serão usados para acelerar a entrada em novos mercados além da Europa, reforçar o time e investir em tecnologia de recomendação e segmentação de anúncios baseada em IA.

A startup, que agora soma US$ 110 milhões captados desde a fundação, quer ampliar parcerias com fabricantes e com provedores de conteúdo, sobretudo canais FAST e plataformas de streaming que queiram alcançar a audiência diretamente na TV. A empresa atua hoje a partir de Barcelona, com escritórios em Amsterdam e Taipei, e acaba de abrir um hub em Londres dedicado à publicidade.

O quadro de funcionários cresceu para 250 pessoas, com reforço nas áreas comercial e de produto. A expectativa é expandir a atuação geográfica da mesma forma que fez na Europa, onde é parceira comercial de players como TiVo em algumas regiões e da Tubi no Reino Unido.

Segundo Tobias Pfalzgraff, vice-presidente sênior de pessoas e marketing, o posicionamento “neutro” em relação ao conteúdo é um dos trunfos para conquistar novos fabricantes e parceiros: “Nosso diferencial em relação aos jardins murados é que não temos oferta própria de conteúdo. Enquanto o Google tenta direcionar para o YouTube, nós somos imparciais na descoberta de conteúdo e buscamos reduzir o tempo gasto na busca”.

Além de recomendações mais precisas, a Titan OS usa IA para refinar a segmentação de anúncios exibidos na TV conectada, o que tende a aumentar o valor do inventário para marcas e agências. O movimento reforça a disputa com sistemas operacionais ligados a grandes ecossistemas de conteúdo, que podem perder espaço entre fabricantes em busca de alternativas mais abertas e com foco em monetização compartilhada.