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Economia

Dólar a R$5,60 eleva diesel e pressiona preço da gasolina hoje

Disparada do dólar após a reeleição de Lula ampliou a defasagem da Petrobras frente ao mercado externo. Governo reage com desoneração e subsídios bilionários, mas risco de reajuste cresce.

Dólar a R$5,60 eleva diesel e pressiona preço da gasolina hoje

Economia

Alta do dólar impacta combustíveis e aumenta pressão por reajustes nos preços da gasolina e do diesel.

Leia também: PIB cresce 3 anos e desemprego cai, mas custo de vida pesa mais

A disparada do dólar, que chegou a superar R$ 5,60 no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou a pressão por alta nos preços da gasolina e, sobretudo, do diesel no Brasil, em um momento em que o governo amplia subsídios e desonerações para tentar segurar os combustíveis nas bombas.

O avanço da moeda americana, de cerca de 12% em relação à cotação da sexta-feira anterior, encarece o custo de importação do petróleo e de derivados, cotados em dólar no mercado internacional. Isso aprofunda uma defasagem que já era considerada elevada entre os preços domésticos da Petrobras e as referências externas, principalmente no diesel.

Diesel é o ponto mais sensível da defasagem

Levantamento recente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontou, em 23 de outubro, uma defasagem média de R$ 3,53 por litro no diesel vendido pela Petrobras, o equivalente a 108% do preço doméstico usado na comparação. Na prática, a referência internacional estava mais que o dobro do valor cobrado nas refinarias da estatal.

Na gasolina, a diferença era menor, mas ainda relevante: R$ 0,58 por litro, ou 19%. Com o dólar mais caro e o barril de petróleo acima de US$ 115, essa diferença tende a crescer se não houver alívio nas cotações externas dos derivados.

“O risco existe, principalmente se essa valorização do dólar se mostrar persistente. Minha atenção está mais voltada para o diesel, porque o Brasil ainda depende de importações para complementar a oferta doméstica”, afirma o economista Tiago Velloso.

Como grande parte das mercadorias no país é transportada por rodovias, um reajuste do diesel encarece fretes e pode pressionar alimentos e outros produtos, ampliando o impacto para além dos motoristas profissionais.

Entenda o contexto

A reação do câmbio veio acompanhando a leitura de investidores sobre o próximo mandato, em especial quanto ao rumo das contas públicas. Mais gasto, na avaliação do mercado, aumenta a incerteza fiscal e enfraquece o real.

Esse movimento não é automático sobre os combustíveis, mas se transmite via custo de importação. “O resultado eleitoral não encarece diretamente o combustível. O que importa é como a reação do mercado afeta o câmbio, os custos de importação e as expectativas”, explica Tatiana Goes, economista da Silo Multi Family Office.

Conflitos internacionais também pesam. Tensões no Oriente Médio, envolvendo o Irã, e ataques a refinarias russas na guerra da Ucrânia reduziram a oferta global de derivados e empurraram o barril para acima de US$ 115, o que reforça a pressão sobre diesel e gasolina.

Estratégia da Petrobras tem limite

Desde 2023, a Petrobras não replica automaticamente o sobe e desce do dólar e do petróleo. A companhia passou a usar uma estratégia comercial que suaviza oscilações de curto prazo e leva em conta diferentes referências de mercado, o que permite retardar repasses.

Na prática, a estatal pode usar estoques comprados mais baratos, ajustar margens e aguardar movimentos do mercado internacional antes de mexer na tabela. Mas essa margem não é infinita quando a defasagem fica grande e duradoura.

“Se a defasagem entre preços domésticos e internacionais ficar elevada e persistente, a estratégia tende a se tornar economicamente difícil de sustentar”, aponta Ari Francisco de Araujo Junior, coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec BH.

Hoje, o preço médio da gasolina no país gira em torno de R$ 6,54 por litro. Quanto maior a distância em relação ao valor de paridade de importação, maior a pressão de importadores e refinarias privadas por reajustes, para evitar prejuízos e riscos de desabastecimento.

Qual o preço da gasolina hoje em Salvador e na Bahia?

O valor da gasolina hoje em Salvador e em outras cidades baianas acompanha esse cenário de pressão, com preços já elevados nas bombas e risco de novos ajustes se dólar e petróleo seguirem em alta.

Na capital baiana, o preço da gasolina hoje reflete não só o câmbio mais caro e o barril acima de US$ 115, mas também o esforço do governo em reduzir tributos federais e ampliar subsídios para conter a escalada. A dinâmica é parecida em outras praças do estado, como Feira de Santana, onde o valor da gasolina hoje já embute parte dessa tensão entre o mercado internacional e a política de preços domésticos.

Mesmo com a defasagem apontando para cima, a combinação de desoneração de R$ 0,63 por litro, reforço recente de R$ 0,26 por litro em impostos federais zerados e maior subvenção ao etanol tem ajudado a evitar aumentos imediatos maiores nas bombas baianas.

Como a intervenção do governo afetou o preço da gasolina recentemente?

A intervenção do governo, via desoneração de tributos e subsídios, segurou parte da alta que a gasolina teria com dólar acima de R$ 5,60 e petróleo acima de US$ 115.

Na gasolina, a União renovou e ampliou a desoneração federal, adicionando mais R$ 0,26 por litro ao benefício e evitando que esse valor fosse incorporado aos preços finais. A medida gera um custo extra estimado em R$ 700 milhões para os cofres públicos nos próximos 30 dias.

Somando gasolina, diesel e etanol, a conta dos subsídios e desonerações chega a cerca de R$ 5,2 bilhões no mesmo período. No diesel importado, o reforço à subvenção econômica é de R$ 1,40 por litro durante 30 dias, com gasto adicional de R$ 1,6 bilhão.

“No caso da gasolina, a gente precisava renovar o decreto. E novamente, a nossa aposta é que nós podemos, se não chegar nos preços pré-guerra, mas garantir um dispositivo adicional, com desoneração integral, pra que a gente mitigue os efeitos da guerra”, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

O ministro diz contar com a concorrência para que os cortes de tributos cheguem ao consumidor. “Agora, a liberdade de preço não se confunde com a liberdade de abuso de preços. Nós vamos ficar vigilantes”, afirmou Moretti, indicando que o governo deve monitorar distribuidoras e postos para evitar que a desoneração vire apenas ganho de margem.

Impacto nas bombas e nas regiões

Em regiões como a metropolitana de Porto Alegre, mesmo com a atuação do governo, os preços já subiram acima da inflação recente. Em 30 dias, a gasolina avançou 2,16% e o diesel, 7,08%, segundo pesquisa oficial de preços, refletindo parte da pressão externa e da defasagem nas refinarias.

Salvador, Feira de Santana e cidades do entorno também sentem o aperto. O preço da gasolina hoje na Bahia é influenciado pelo custo de transporte e pela dependência de combustíveis que chegam por importação, mais caros com o dólar valorizado.

Setores como transporte urbano, logística e agronegócio monitoram principalmente o diesel. A conta de frete mais alta tende a ser repassada para alimentos, materiais de construção e uma série de serviços, o que preocupa economistas atentos à inflação deste fim de ano.

O que esperar para os próximos dias

Para Tatiana Goes, ainda é cedo para tratar a alta do dólar como permanente. Segundo ela, o movimento da moeda dependerá de decisões econômicas do governo, da confiança dos investidores e de fatores externos, como os juros nos Estados Unidos.

O cenário dos combustíveis também pode mudar se as cotações internacionais de gasolina e diesel recuarem o suficiente para compensar o câmbio. Há diferença entre o preço do petróleo bruto e o dos produtos refinados, que têm seus próprios mercados e são afetados por estoques, capacidade de refino e demanda em cada região.

Por ora, não há um percentual de reajuste definido nas refinarias. Mesmo que a Petrobras mexa nos preços, o impacto nas bombas pode ser atenuado por impostos, margens de distribuição e revenda e pela continuidade — ou não — dos subsídios federais. A decisão sobre manter ou reduzir esses benefícios, porém, esbarra no custo fiscal, num momento em que o próprio governo precisa sinalizar compromisso com o ajuste das contas públicas.