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Tecnologia

Elite do Engajamento: O Lucrativo Mercado da Indignação Digital

Elite do Engajamento: O Lucrativo Mercado da Indignação Digital

Mariliz Pereira Jorge analisa como a elite do engajamento nas redes sociais transforma a militância digital em mercado lucrativo, em 14 de agosto de 2026.

A Mercantilização da Dor

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Mariliz Pereira Jorge denuncia a nova dinâmica das redes sociais onde a militância progressista se converte em fonte de lucro. Isso ocorre através do uso da indignação e do justiçamento moral como mercadorias, moldadas pelo neoliberalismo. A elite digital mede-se por seguidores e alcance, não por sobrenome ou patrimônio. A mercantilização da dor substitui o trabalho comunitário por performances virtuais rentáveis. A proposta inicial de emancipação para minorias marginalizadas cede espaço a uma indústria em que a dor vira commodity.

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Mariliz argumenta que essa elite digital privilegia a fiscalização da linguagem e a criação de bodes expiatórios em vez de promover ações concretas. O progresso se torna um péssimo negócio nesse cenário. Quanto mais caótica a realidade parecer, mais lucrativo se torna o espetáculo da indignação. Olúfémi O. Táiwò e Nancy Fraser servem de referência para explicar como a captura do identitarismo favorece uma divisão hierárquica mesmo dentro das minorias.

Impactos na Luta Social

A análise revela que a mercantilização da militância enfraquece a luta social progressista. O foco em visibilidade online alimenta conflitos internos e afasta as pautas dos reais problemas enfrentados pelas comunidades. O narcisismo das pequenas diferenças, conceituado por Freud, evidencia como disputas entre aliados enfraquecem a causa. Enquanto as atenções se voltam para linchamentos virtuais, as verdadeiras injustiças estruturais permanecem inalteradas.

Essa dinâmica acaba por minar a solidariedade e a efetividade das causas sociais, fragmentando as pautas e transformando o ativismo digital em um espetáculo que privilegia interesses mercadológicos.

O Futuro do Ativismo Digital

Para reverter esse cenário, é necessário uma organização que priorize ações concretas e trabalho de base em detrimento de perfomances online. A crítica não pode ser vista como inimiga, mas como um convite à reflexão e ao fortalecimento das causas conjuntas.

Mariliz sugere um retorno ao engajamento genuíno, onde a solidariedade e a efetividade pautem a militância. Esta batalha entre interesses pessoais e o bem coletivo poderá definir o futuro das mobilizações progressistas, oferecendo pistas sobre como florescer em um panorama cada vez mais polarizado e marcado pela mercantilização do ativismo.