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Tecnologia

Sam Altman critica RAM em PCs e alerta para escassez global

CEO da OpenAI diz que memória RAM em computadores pessoais é usada só 5% do tempo e deve ser priorizada para data centers de IA, acendendo alerta sobre escassez e concentração de poder tecnológico.

Sam Altman critica RAM em PCs e alerta para escassez global

Tecnologia

CEO da OpenAI destaca uso ineficiente de memória RAM em PCs e alerta para impacto na disponibilidade global e no avanço da IA.

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Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou em entrevista que o uso de memória RAM em computadores pessoais é um “desperdício” de um recurso escasso e defendeu que a produção de memórias DRAM e NAND seja direcionada prioritariamente para grandes data centers de inteligência artificial operados por empresas como OpenAI, Microsoft e Nvidia. A posição, que reforça a centralização da computação na nuvem, acendeu o alerta em setores que temem escassez de componentes e maior concentração de poder tecnológico nas mãos de poucos grupos.

Por que Sam Altman critica o uso de memória RAM em PCs pessoais?

Altman sustenta que a memória RAM em computadores pessoais fica ociosa cerca de 95% do tempo e, portanto, consome uma parte importante da oferta global de DRAM sem retorno proporcional. No podcast Cheeky Pint, apresentado pelo cofundador da Stripe John Collison, ele disse ver “como terrível” a ideia de cada usuário reservar grande quantidade de RAM local para rodar modelos de IA de forma independente.

“É bastante terrível que as pessoas tenham memória RAM no PC sendo utilizada apenas 5% do tempo”, afirmou o executivo. Ao comentar a moda de baixar modelos de código aberto e executá-los em notebooks e desktops, ele argumentou que essa tendência piora a alocação dos recursos de hardware. “Muitas pessoas querem inferência local (…). Poderemos executá-los em nossos computadores. E, portanto, não precisaremos de todos os recursos dos data centers. Mas, de uma perspectiva de alocação global, na verdade, é péssimo que todos tenham uma grande quantidade da oferta limitada de DRAM do mundo armazenada em seus próprios computadores”, declarou.

Na avaliação de Altman, a computação local robusta — seja para IA, seja para jogos, produtividade ou outras tarefas — deixa de fazer sentido num cenário em que a oferta de memórias não acompanha a demanda. Ele defende que praticamente tudo, de aplicativos a entretenimento, migre para serviços em nuvem baseados em IA generativa.

O que Sam Altman propõe para o uso de memória em data centers?

O CEO da OpenAI defende que a prioridade na produção de DRAM (memória volátil) e NAND (armazenamento) seja dada a grandes clientes corporativos de IA em nuvem, que operam data centers com alta taxa de uso de hardware. “Você quer a utilização máxima na nuvem se estiver tentando lidar com esse ambiente de oferta extremamente limitada. E, de alguma forma, a intuição de muitas pessoas é o oposto disso”, disse Altman.

Na prática, a proposta significa concentrar ainda mais o fornecimento de memórias em gigantes de tecnologia que treinam e operam grandes modelos de IA, caso da própria OpenAI, de empresas de nuvem e fabricantes de chips aceleradores. Fabricantes como Micron, SK Hynix e Samsung já vêm direcionando suas linhas para esse mercado, o que tem pressionado preços de PCs, smartphones, videogames e placas de vídeo, e tende a dificultar o abastecimento de outros setores, de equipamentos médicos a infraestrutura de transporte e educação.

Altman também critica desenvolvedores e empresas que investem em soluções de IA locais, pois isso reduz a dependência de serviços em nuvem pagos por uso, como os oferecidos pela OpenAI. Segundo ele, do ponto de vista econômico e de eficiência, faz mais sentido que a maior parte da computação — especialmente a relacionada à IA generativa — seja centralizada em data centers de alta utilização do que distribuída em bilhões de dispositivos pessoais subaproveitados.

Entenda o contexto

A disputa por memória DRAM e NAND se intensificou com a corrida por inteligência artificial. Data centers de IA consomem volumes gigantescos desses componentes para treinar e executar modelos, enquanto o restante da indústria — PCs, celulares, consoles, equipamentos industriais e médicos — depende do mesmo tipo de chip para funcionar.

Com a priorização dos grandes clientes de nuvem, analistas apontam para uma escalada de preços e para a possibilidade de escassez em segmentos que não tenham o mesmo poder de compra. Ao mesmo tempo, governos e empresas em todo o mundo correm atrás de engenheiros de IA, com salários que chegam a R$ 817 mil por ano em alguns mercados, o que reforça a concentração de talento e investimento nas big techs.

Qual foi a reação do público às declarações de Sam Altman sobre memória RAM?

As falas de Altman geraram forte reação entre desenvolvedores, defensores de computação local e especialistas em tecnologia. Críticos veem na proposta de priorizar quase toda a produção de memória para data centers de IA uma estratégia para tornar usuários e empresas ainda mais dependentes de serviços em nuvem, reduzindo a autonomia de quem prefere rodar software no próprio equipamento.

Ativistas também manifestaram preocupação com o impacto social e ambiental da expansão acelerada dos centros de dados de IA. A ambientalista Erin Brockovich, conhecida por confrontar grandes corporações em casos de poluição, passou a mirar nas gigantes de tecnologia, cobrando responsabilidade sobre consumo de energia, uso de água e pressão sobre cadeias de suprimentos, como a de memórias.

Setores que dependem de hardware local — de escolas que precisam de computadores até hospitais, sistemas de transporte, distribuição de água e energia e serviços básicos — temem ficar em segundo plano numa disputa em que as margens do negócio de IA na nuvem são mais atraentes para os fabricantes. Desenvolvedores de modelos abertos e entusiastas de IA caseira enxergam na fala de Altman uma tentativa de desestimular alternativas descentralizadas e de restringir o acesso à tecnologia avançada a quem aceita pagar por tokens na nuvem.

Empresas de memória, por sua vez, já indicam em comunicados a investidores que a prioridade nos próximos anos será atender ao mercado de IA, mesmo com o risco de desabastecimento parcial de outros segmentos. Para especialistas em regulação, o cenário pode levar a pressões por regras que impeçam abusos de posição dominante e obriguem a reservar parte da produção para usos considerados estratégicos, como saúde, infraestrutura e educação.

Quem é Sam Altman e qual sua relação com o ChatGPT?

Sam Altman é empresário e investidor do Vale do Silício e atualmente ocupa o cargo de CEO da OpenAI, organização responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT, um dos modelos de IA generativa mais populares do mundo. Sob o comando dele, a empresa se tornou referência global na corrida pela inteligência artificial, firmou grandes parcerias com companhias de nuvem e passou a influenciar diretamente o rumo de setores como hardware, software e serviços digitais.

Altman se tornou uma das vozes mais ouvidas — e controversas — do debate sobre o futuro da IA. Suas declarações sobre o uso de memória RAM, a centralização da computação e o papel dos grandes data centers reforçam a visão de que a próxima fase da tecnologia será comandada por poucos provedores globais, enquanto governos, empresas e usuários discutem como evitar que isso se traduza em monopólios e perda de controle sobre a própria infraestrutura digital.