Mercados
S&P 5007.659▼ 1,09%Nasdaq26.140▼ 2,14%Dow Jones52.002▼ 0,34%Ibovespa205.430▲ 0,54%FTSE 10010.753▼ 1,18%DAX25.273▼ 1,37%Nikkei64.917▼ 0,62%DólarR$ 5,06▼ 0,02%EuroR$ 5,69– 0,00%BitcoinR$ 415.973▲ 0,14%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.659▼ 1,09%Nasdaq26.140▼ 2,14%Dow Jones52.002▼ 0,34%Ibovespa205.430▲ 0,54%FTSE 10010.753▼ 1,18%DAX25.273▼ 1,37%Nikkei64.917▼ 0,62%DólarR$ 5,06▼ 0,02%EuroR$ 5,69– 0,00%BitcoinR$ 415.973▲ 0,14%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Lançamentos de IA

Even Healthcare levanta US$ 50 mi para ampliar hospitais na Índia

Even Healthcare capta US$ 50 milhões em rodada Series B liderada pela Khosla Ventures para abrir cinco novos hospitais próprios em Bengaluru e acelerar modelo que paga por resultado clínico, não por volume de procedimentos.

Even Healthcare levanta US$ 50 mi para ampliar hospitais na Índia

Saúde

Startup indiana recebe investimento para expandir hospitais e inovar modelo de pagamento baseado em resultados clínicos.

Leia também: Router Fiber Gateway MEO libera modo bridge e IP customizado hoje

A Even Healthcare, startup indiana de saúde fundada por Mayank Banerjee, Matilde Giglio e Alessandro Ialongo, levantou US$ 50 milhões em uma rodada Series B liderada pela Khosla Ventures para acelerar a expansão de seus próprios hospitais em Bengaluru e consolidar um modelo que remunera médicos e gestores por resultados clínicos, e não pelo volume de exames e cirurgias.

O que é a Even Healthcare e como ela está desafiando a economia hospitalar na Índia?

A Even Healthcare é uma startup de saúde que opera hospitais próprios na Índia e busca mudar a forma como o setor ganha dinheiro, trocando o incentivo a mais internações e exames por um sistema em que receita e bônus dependem da qualidade do resultado clínico entregue ao paciente.

Em vez de se apoiar em hospitais parceiros, como fez no início da operação, a empresa passou a construir e gerir suas próprias unidades após identificar que pacientes estavam sendo encaminhados para testes e cirurgias considerados desnecessários. “We think patients are getting not only a bad experience, but insurers are getting a bad economic deal. And as a result, we decided to fix it by building our own hospitals”, disse o fundador Mayank Banerjee.

O modelo da Even parte de contratos de longo prazo para aluguel dos prédios — acordos de cerca de 20 anos — e investimento direto em infraestrutura e equipamentos. Médicos recebem salário fixo, sem vínculo com o número de procedimentos realizados, com possibilidade de bônus atrelados a indicadores clínicos relatados pelos próprios pacientes. A gestão hospitalar também é paga por salário e incentivos ligados ao desempenho geral da empresa, não à geração de conta hospitalar.

Todos os funcionários, incluindo médicos e equipe de enfermagem, recebem participação acionária. A ideia é alinhar o interesse de longo prazo dos times à sustentabilidade do negócio, reduzindo a pressão por intervenções de curto prazo que aumentem a receita, mas não necessariamente melhorem a saúde do paciente.

Para medir o desempenho, a Even monitora a recuperação com métricas clínicas reconhecidas, como o Oxford Knee Score em cirurgias de joelho, e publica os dados em seu site, comparando com outros sistemas de saúde. Segundo a empresa, seus hospitais têm taxa de readmissão não planejada inferior a 1%, contra uma faixa de 8% a 15% em benchmarks de mercado, e os pacientes passam 40% menos tempo internados. A abordagem já teria gerado economia superior a ₹500 milhões (cerca de US$ 5,27 milhões) para seguradoras parceiras.

Qual o valor do investimento da Khosla Ventures na Even Healthcare?

A nova rodada Series B soma US$ 50 milhões, liderados pela Khosla Ventures, que já investe na Even desde a fase seed, e contou também com participação da Alpha Wave.

Com o aporte, a Even passa a ser avaliada em US$ 300 milhões, o triplo do valor registrado há cerca de um ano e meio, e ultrapassa a marca de US$ 120 milhões captados desde a fundação. O investimento reforça a tese dos sócios de que há espaço para um redesenho da economia hospitalar no maior país do mundo em população.

Em nota, Vinod Khosla, fundador da Khosla Ventures, afirmou que a força do modelo está em integrar financiamento, tecnologia e prestação de cuidados em um único desenho. “The clinical and economic results so far give us conviction that this can become an important new model for healthcare in India and beyond”, disse.

Jai Sajnani, parceiro da Khosla Ventures, destacou que o desempenho inicial dos hospitais próprios de Bengaluru foi decisivo para liderar o novo cheque. “We look forward to helping the Even team put quality care within reach of every family in Bengaluru and across India”, afirmou.

Como a Even Healthcare planeja expandir seus hospitais na Índia?

A Even Healthcare já opera dois hospitais próprios em Bengaluru, ambos com lucratividade operacional alcançada em menos de um ano de funcionamento, segundo a empresa, e agora pretende abrir mais cinco unidades na mesma cidade nos próximos seis meses, financiadas justamente pela rodada de US$ 50 milhões.

A estratégia é concentrar a expansão inicialmente em Bengaluru, aprofundando o modelo em uma única grande praça antes de escalar para outras regiões da Índia. Os novos hospitais seguirão o mesmo padrão: prédios alugados em contratos de décadas, investimento direto em equipamentos e equipes contratadas em regime fixo, com bônus atrelados a desfechos de saúde.

No lado financeiro, a receita vem principalmente do pagamento direto de pacientes pelos tratamentos e de parcerias com seguradoras. A Even trabalha ainda na construção de modelos de remuneração em que seja paga também pela prevenção de internações, e não apenas pelos atendimentos efetivamente realizados, numa lógica de “ser recompensada por evitar o hospital, não por encher leitos”.

Entenda o contexto

O movimento da Even ocorre em um mercado hospitalar em que, tradicionalmente, as instituições ganham mais quando conseguem prolongar internações ou indicar mais testes e procedimentos — mesmo quando parte disso não é estritamente necessária. Esse desenho pressiona pacientes com contas mais altas e encarece a operação de seguradoras, que acabam repassando custos em forma de prêmios maiores.

A proposta da startup é inverter o jogo: reduzir procedimentos supérfluos, encurtar o tempo de internação e compartilhar com o mercado dados sobre desfechos clínicos e uso de recursos. Seguradoras se beneficiam de custos mais previsíveis e da queda no número de internações evitáveis; pacientes ganham em transparência e segurança clínica; médicos e gestores passam a ser recompensados por manter pessoas saudáveis, em vez de lotar salas cirúrgicas.

O modelo, porém, vem sendo construído em meio a números ainda vermelhos. No último ano fiscal, a Even reportou prejuízo líquido de ₹902 milhões (cerca de US$ 9,5 milhões), 25% acima do registrado no período anterior, sobre uma receita de ₹272 milhões (aproximadamente US$ 2,86 milhões). Em agosto, a empresa promoveu uma reestruturação que incluiu a demissão de cerca de 350 funcionários, medida que o fundador Mayank Banerjee classificou como difícil, mas necessária, com oferta de pacote de desligamento com extensão de plano de saúde e aceleração de vesting de ações.

Hoje, a Even diz empregar cerca de 650 pessoas, incluindo aproximadamente 300 médicos em tempo integral, e atender uma base de 250 mil membros, com mais de 750 mil interações médicas acumuladas desde o lançamento, entre consultas, exames e cirurgias. Banerjee afirma que a empresa poderia atingir lucratividade em poucos meses se reduzisse o ritmo de expansão, mas opta por manter o foco em crescimento e em alcançar mais pacientes enquanto investidores seguem dispostos a financiar o projeto.

Fonte: matéria original