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Inteligência Artificial

Explosão da IA acende alerta ambiental em data centers

Crescimento da inteligência artificial faz consumo elétrico de data centers saltar 50% em um ano, pressiona a rede, aumenta emissões e custos de saúde. Setor corre atrás de soluções verdes.

Inteligência Artificial

O aumento no uso da IA eleva o consumo energético e as emissões dos data centers, exigindo práticas sustentáveis no setor.

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O avanço acelerado da inteligência artificial já começa a pesar na conta ambiental: data centers dedicados à tecnologia consumiram 50% mais eletricidade no último ano, respondem hoje por cerca de 0,5% de toda a energia usada no planeta e podem triplicar essa fatia até 2030, pressionando metas climáticas e sistemas de saúde, sobretudo nos Estados Unidos.

Quais são os impactos ambientais da inteligência artificial?

O principal impacto ambiental da IA está no consumo de energia e na forma como essa energia é gerada. Treinar e operar modelos exige enormes fazendas de servidores, que rodam 24 horas por dia, demandam resfriamento intenso e concentram uso de eletricidade e água em poucas regiões do mundo.

De acordo com estimativas recentes, os data centers de IA já usam algo em torno de 0,5% da eletricidade global e podem chegar a 1,5% até 2030. O consumo é altamente concentrado: quase metade dessa energia é gasta em instalações nos Estados Unidos, onde projeções apontam que, em poucos anos, centros de dados poderão representar até 12% de toda a eletricidade consumida no país.

Como as redes elétricas ainda são dominadas por combustíveis fósseis, essa corrida computacional se traduz em mais emissões de gases de efeito estufa e poluição do ar. Hoje, a matriz que alimenta data centers no mundo é composta principalmente por carvão (30%), seguido por fontes renováveis (27%) e gás natural (26%).

Os impactos não param no clima. Estudos recentes estimam que o fardo para a saúde pública associado à expansão dos data centers nos EUA pode chegar a US$ 20 bilhões até 2028, por causa de poluentes como óxidos de nitrogênio e partículas finas emitidos na geração de energia, principalmente em usinas a gás e carvão.

Há ainda a pressão sobre recursos hídricos: centros de dados usam água diretamente para resfriamento dos equipamentos e indiretamente na produção de energia. Uma estatística muito citada aponta que “um e-mail de 100 palavras gerado por um chatbot de IA requer cerca de uma garrafa de água” para ser produzido, considerando toda a cadeia. Em áreas de escassez hídrica, o efeito cumulativo preocupa especialistas.

No entorno dos data centers, comunidades relatam problemas de ruído, aumento de temperatura local e conflitos pelo uso de água. As enormes instalações também dependem de uma cadeia de suprimentos intensiva em mineração de metais e minerais para chips e componentes, com risco de desmatamento e contaminação em países fornecedores.

Como a inteligência artificial pode prejudicar o meio ambiente?

A IA prejudica o meio ambiente principalmente quando é alimentada por energia suja e instalada sem planejamento. Cada pedido a um modelo generativo sozinho tem impacto pequeno, mas o volume de usos e a explosão de aplicações pesadas, como geração de vídeo e imagens em massa, ampliam a pressão sobre a infraestrutura elétrica e hídrica.

A Agência Internacional de Energia destaca que consultas de texto simples “normalmente usam menos eletricidade do que uma TV” ligada no mesmo período. A diferença está nas aplicações de alto consumo: tarefas mais complexas podem exigir milhares de vezes mais energia que uma consulta básica, sobretudo em treinos de grandes modelos ou em fluxos contínuos de mídia gerada por IA.

Como a rede elétrica global ainda é majoritariamente fóssil, essa demanda adicional tende a aumentar emissões e poluição. Nos EUA, mais de um terço de toda a nova capacidade de energia a gás em construção tem como destino alimentar instalações ligadas à IA, segundo levantamentos recentes. Para aliviar a sobrecarga nas redes locais, muitas empresas estão instalando turbinas a gás ao lado dos data centers — estruturas menos eficientes que grandes usinas e com potencial de agravar a poluição do ar nas cidades.

Os impactos sonoros também entram na conta: o zumbido constante de sistemas de resfriamento, turbinas e geradores já motivou ações judiciais de moradores em áreas próximas a grandes centros de dados. Estudos em cidades quentes mostram ainda que a poluição térmica desses complexos pode elevar a temperatura em bairros vizinhos em até alguns graus, intensificando ilhas de calor urbanas.

Na base de toda essa infraestrutura, a mineração de minerais críticos para chips de alto desempenho e sistemas de armazenamento de dados amplia riscos ambientais, com registros de poluição da água, do ar e conflitos socioambientais em países fornecedores, especialmente no Sul Global.

Como diminuir os impactos ambientais causados pela inteligência artificial?

A chave para reduzir o impacto ambiental da IA é atacar três frentes ao mesmo tempo: a fonte de energia, a eficiência dos sistemas e a regulação pública. Especialistas defendem que, sem mudanças estruturais, o ganho tecnológico da IA virá acompanhado de uma conta ambiental e social cada vez mais alta.

No lado da energia, a prioridade é aumentar rapidamente a participação de fontes renováveis na matriz que alimenta data centers, seja por contratos diretos com parques solares e eólicos, seja por investimento em novas plantas dedicadas. Quanto maior a fatia de energia limpa, menor o impacto climático do mesmo volume de processamento.

Na frente tecnológica, empresas de nuvem e desenvolvedores de modelos trabalham para fazer mais com menos: algoritmos mais eficientes, chips otimizados para IA, servidores de menor consumo e técnicas de compressão de modelos ajudam a reduzir a energia gasta por tarefa. A própria Agência Internacional de Energia aponta que a eficiência tem melhorado rapidamente, embora ainda perca para o ritmo do aumento da demanda.

O resfriamento é outro ponto crítico. Novas soluções, como sistemas de água em circuito fechado, resfriamento por imersão e reaproveitamento do calor gerado para aquecer edifícios próximos, podem cortar o uso de água potável e diminuir o desperdício de energia. A escolha de locais com clima mais frio e abundância hídrica também ajuda a reduzir a pressão sobre recursos locais.

Governos e agências ambientais, por sua vez, são pressionados a estabelecer regras claras: exigência de transparência no consumo energético e hídrico, metas de uso mínimo de renováveis, limites de ruído, critérios para instalação em áreas de estresse hídrico e avaliação prévia de impactos climáticos e de saúde são algumas das medidas em discussão.

Para pesquisadores, é essencial criar padrões comuns de medição das emissões e do uso de recursos pelos serviços de IA, para que usuários corporativos e governos possam comparar fornecedores e cobrar metas de descarbonização. Hoje, a falta de dados públicos detalhados dificulta saber exatamente quanta energia e água cada sistema consome.

No dia a dia, especialistas sugerem que empresas e órgãos públicos que adotam IA incluam critérios ambientais na escolha de provedores, priorizando data centers com compromissos claros de energia renovável e planos de redução de emissões. Desenvolvedores podem optar por modelos menores e mais eficientes quando possível, e usuários finais são orientados a evitar usos supérfluos de aplicações intensivas em energia, principalmente vídeo gerado por IA em grande escala.

Entenda o contexto

O salto no consumo energético da IA ocorre em meio a uma onda de desconfiança pública, sobretudo nos Estados Unidos. “Quase 90% dos americanos dizem que estão mais preocupados do que animados com o aumento dos data centers de IA”, aponta uma pesquisa recente realizada no país.

Essa percepção se soma a alertas sobre o peso da IA nas metas climáticas globais. Analistas temem que a expansão desordenada de centros de dados empurre ainda mais para longe os objetivos de redução de emissões, ao mesmo tempo em que amplia desigualdades: regiões que recebem os data centers concentram ruído, calor e disputa por água, enquanto os benefícios econômicos são capturados por grandes grupos de tecnologia.

Empresas do setor afirmam que estão acelerando investimentos em energias renováveis, eficiência e novas tecnologias de resfriamento. Na prática, porém, a própria popularização de ferramentas generativas e o crescimento de aplicações empresariais e industriais fazem a demanda de processamento disparar, o que dificulta transformar ganhos de eficiência em redução absoluta de impacto.

Estudos recentes indicam que, mantida a trajetória atual, data centers podem consumir volumes de água equivalentes a uma fração relevante do uso público anual em grandes países e gerar custos bilionários à saúde por poluição do ar. O equilíbrio entre avanço da IA e sustentabilidade ambiental, alertam pesquisadores, tende a ser um dos principais pontos de tensão tecnológica, política e econômica nos próximos anos.

Fonte: matéria original