Gestores que só comandam pessoas perdem espaço com IA em 2026
Líderes como Brian Chesky, Jensen Huang e Mustafa Suleyman dizem que a inteligência artificial muda a lógica do emprego: quem não se adaptar ficará para trás, inclusive gestores.

Inteligência Artificial
A evolução da IA redefine o papel dos gestores, exigindo adaptação para manter relevância no mercado de trabalho.
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Executivos de gigantes de tecnologia como Airbnb, Nvidia, Microsoft e Netflix intensificam nesta semana o alerta sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho: na visão deles, a sobrevivência profissional passa a depender diretamente da capacidade de aprender e usar as novas ferramentas, e gestores que só administram pessoas tendem a perder espaço.
Executivos descrevem o novo tipo de gestor
Brian Chesky, CEO do Airbnb, afirmou em entrevista que a IA está redesenhando a estrutura das empresas e exigindo um novo perfil de liderança. Para ele, chefes que vivem apenas de reuniões, relatórios e gestão de equipe, sem envolvimento real com o produto ou com o trabalho em si, deixam de ter relevância.
“Os dois tipos de pessoas que não vão conseguir fazer a transição para a IA são os gestores que apenas administram pessoas e aqueles que são rígidos e não querem mudar nem evoluir”, disse Chesky. “Não acho que gestores de pessoas terão valor no futuro. E, quando digo gestores de pessoas, me refiro àqueles que apenas gerenciam pessoas.”
O executivo defende que líderes se tornem “gestores híbridos” ou “gestores-contribuidores”, combinando visão estratégica com atuação prática, técnica e próxima do produto. Ele cita o designer Jony Ive, ex-Apple, como exemplo de equilíbrio entre liderança e mão na massa: é importante construir relações e fazer reuniões, mas o critério central passa a ser a contribuição concreta para o trabalho, e não apenas a supervisão.
Segundo Chesky, o Airbnb só conseguiu crescer na velocidade recente porque incorporou a IA no coração do negócio. “Do ponto de vista empresarial, acho que a IA é a melhor coisa que já aconteceu ao Airbnb”, afirmou. A empresa é avaliada em US$ 103 bilhões.
Entenda o contexto
As falas de Chesky se somam a uma série de alertas públicos de outros nomes de peso da tecnologia sobre o choque que a IA provoca em profissões de escritório e carreiras baseadas em trabalho intelectual, como direito, finanças, programação e entretenimento.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, já apontou que uma fatia relevante dos empregos de entrada em escritórios pode ser impactada pela automação. Mustafa Suleyman, que lidera a área de IA na Microsoft, foi além ao projetar que grande parte do trabalho profissional pode ser substituída em um intervalo de 12 a 18 meses, à medida que agentes de IA ganham capacidade de executar tarefas cada vez mais complexas.
Apesar do tom de urgência, Chesky reforça que vê a tecnologia como oportunidade, desde que a resposta de empresas e indivíduos seja ativa. Para ele, companhias dispostas a se transformar e trabalhadores com “mentalidade de crescimento” tendem a se beneficiar, ganhando produtividade e vantagem competitiva.
‘Você não vai perder o emprego para uma IA’
Na indústria de chips, Jensen Huang, CEO da Nvidia, adota um discurso parecido, com um recado direto para quem ainda resiste à nova tecnologia. “Todos os empregos serão afetados, e imediatamente. Isso é inquestionável”, disse em conferência recente. “Você não vai perder seu emprego para uma IA. Vai perder seu emprego para alguém que usa IA.”
Huang recomenda que ninguém fique de fora desse movimento. “Eu recomendaria que 100% das pessoas aproveitassem a IA. Não seja aquela pessoa que ignora essa tecnologia e, por causa disso, perde o emprego”, afirmou. A avaliação dele é que a IA deixa de ser um tema restrito ao setor de tecnologia e passa a atravessar todas as áreas da economia.
Na prática, isso significa que tarefas antes vistas como exclusivamente humanas, como análise de documentos jurídicos, produção de relatórios financeiros, atendimento ao cliente ou mesmo parte da criação de conteúdo, passam a ser divididas com sistemas automatizados. Profissionais que aprendem a usar essas ferramentas ganham capacidade de fazer mais, mais rápido, com menos custo — e, por isso, tendem a ser mais disputados pelas empresas.
Impacto também em profissões criativas
No entretenimento, Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, reconhece que a IA já começa a alterar a forma como filmes e séries são planejados e produzidos, mas rejeita a ideia de que roteiristas e atores serão simplesmente substituídos por algoritmos.
Para ele, a disputa será entre criativos que incorporam a IA ao processo e aqueles que preferem ignorá-la. A tecnologia pode apoiar na geração de versões de roteiros, análise de audiência ou pré-visualização de cenas, enquanto a decisão final, o refinamento e o talento artístico continuam humanos. Quem dominar esse “trabalho em parceria” com máquinas sai na frente em um mercado cada vez mais competitivo.
Adaptação deixa de ser opcional
Em comum, as declarações de Chesky, Huang, Amodei, Suleyman e Sarandos apontam para uma mesma direção: a estagnação passa a ser penalizada com perda de relevância e, em muitos casos, de emprego.
Do lado das empresas, a tendência é que cresçam os investimentos em treinamento, requalificação e revisão de estruturas internas, substituindo camadas de chefia puramente administrativas por lideranças mais técnicas e próximas do trabalho. Do lado dos profissionais, ganha peso a busca por cursos, certificações e experiências práticas que atualizem habilidades e incluam o uso cotidiano de ferramentas de IA.
A estimativa de que, em um horizonte de até 18 meses, uma parcela considerável das funções profissionais possa ser automatizada funciona como gatilho para acelerar essa transição. Na avaliação dos executivos, quem se move agora amplia as chances de transformar a IA em alavanca de carreira; quem adia a adaptação corre o risco de ser deixado para trás por colegas que já trabalham com a tecnologia no dia a dia.


