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Lançamentos de IA

Google assume data center e investe US$ 17 bi em Wyoming

Google compra da Crusoe um projeto inacabado de data center no sudeste de Wyoming e anuncia investimento de US$ 17 bilhões no campus, enquanto mantém parceria com a empresa em outro projeto no Texas.

Google assume data center e investe US$ 17 bi em Wyoming

Tecnologia

Google amplia presença em Wyoming com investimento bilionário em data center e mantém parceria estratégica no Texas.

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O Google comprou da Crusoe um projeto inacabado de data center no sudeste de Wyoming e decidiu assumir diretamente a construção do campus, para o qual anunciou um investimento de US$ 17 bilhões. A desenvolvedora, avaliada em US$ 30,9 bilhões, continuará trabalhando com a gigante de tecnologia em outro projeto de data center, em desenvolvimento perto de Amarillo, no Texas.

Por que a Crusoe vendeu o projeto de data center em Wyoming para o Google?

A Crusoe vendeu o projeto em Wyoming depois que o Google, que a empresa tentava atrair como cliente, manifestou preocupações sobre os custos e o cronograma de construção sob a gestão da desenvolvedora. Diante do risco de atrasos e estouro de orçamento em um projeto de grande porte, o Google optou por assumir o controle do empreendimento, em vez de seguir apenas como cliente da infraestrutura.

O valor pago pelo projeto não foi divulgado. Em comunicado interno, a Crusoe confirmou que, “uma desenvolvedora de data centers com oito anos e avaliada em US$ 30,9 bilhões, confirmou a venda do projeto”. A operação permite que a companhia redesenhe seu portfólio, foque em outros contratos já assinados e mantenha a relação comercial com o Google por meio de novos data centers.

Mesmo com o revés em Wyoming, a Crusoe reforça sua musculatura financeira: a empresa levantou US$ 3,9 bilhões em financiamento em setembro, dinheiro que deve ser direcionado à expansão de sua capacidade para atender a demanda crescente de clientes de inteligência artificial.

O que levou o projeto de data center da Crusoe em Wyoming a enfrentar dificuldades?

O projeto de Wyoming enfrentou dificuldades típicas dos megaempreendimentos de data centers: custos crescentes, pressão sobre o cronograma e desafios para garantir insumos críticos, como equipamentos e energia. O Google “manifestou preocupações sobre o custo e o cronograma de construção sob a gestão da Crusoe”, segundo o relato do negócio.

Anunciado inicialmente em parceria com a Tallgrass, empresa de infraestrutura apoiada pela Blackstone, o plano previa escalar o local para uma capacidade de até 10 gigawatts. A ambição, porém, esbarrou em um ambiente cada vez mais hostil para desenvolvedores independentes, que têm mais dificuldade do que as gigantes de tecnologia para negociar contratos de fornecimento de energia em larga escala, travar preços de equipamentos e enfrentar a oposição de comunidades locais preocupadas com impacto ambiental e uso de água.

O acordo com o Google expõe essa assimetria: com mais capital e experiência em grandes obras, a big tech consegue absorver riscos que são muito mais pesados no balanço de empresas especializadas, como a Crusoe e a própria Tallgrass.

Entenda o contexto

A Crusoe nasceu como um negócio de mineração de criptomoedas movido a gás natural que seria queimado, como contam os fundadores Chase Lochmiller, hoje CEO, e Cully Cavness. Depois, migrou para o modelo de construção e operação de data centers voltados à computação em nuvem e à inteligência artificial.

Hoje, a companhia ganha dinheiro alugando espaço em seus data centers para clientes que levam suas próprias GPUs, alugando as GPUs que ela mesma compra e vendendo poder computacional para execução de modelos de IA. Entre os maiores projetos, estão um campus em Abilene, no Texas, em fases para Oracle e OpenAI, e um campus separado de 900 megawatts ao lado, em construção para a Microsoft, além de contratos com a Meta.

A Crusoe também fechou um acordo de nuvem estimado em US$ 13 bilhões ao longo de cinco anos com a firma de trading Jane Street, o que garante receita recorrente em um momento de forte expansão da demanda por capacidade de processamento.

Em seu conselho, a empresa conta com nomes como JB Straubel, fundador da Redwood Materials e membro do conselho da Tesla. Straubel “investiu na Crusoe em 2021” e a desenvolvedora se tornou cliente da empresa de armazenamento de energia criada por ele, reforçando a aposta em soluções energeticamente mais eficientes.

A Crusoe continuará envolvida em projetos de data center após a venda?

Sim. A Crusoe segue ativa em vários projetos de data center e mantém uma parceria direta com o Google em outro empreendimento, em desenvolvimento perto de Amarillo, no Texas. A venda do ativo em Wyoming é tratada internamente mais como ajuste de portfólio do que como recuo estratégico.

Além do contrato com o Google no Texas, a companhia segue à frente de grandes obras, como o campus de Abilene e o projeto de 900 megawatts para a Microsoft. Com a injeção de US$ 3,9 bilhões em setembro, a empresa indica que vai continuar ampliando sua oferta de infraestrutura para clientes de IA, o que inclui tanto novos data centers quanto a expansão dos já existentes.

Quais são os planos futuros do Google para o data center em Wyoming?

O Google planeja transformar o terreno adquirido da Crusoe em um grande campus de data centers, com investimento de US$ 17 bilhões ao longo do desenvolvimento. A empresa não detalhou a configuração final do site, mas sinalizou que o complexo será peça importante na expansão de sua infraestrutura de nuvem e de serviços de inteligência artificial.

Ao assumir diretamente o controle da obra, o Google ganha liberdade para ajustar projeto, ritmo de execução e contratos com fornecedores de energia e equipamentos, além de calibrar o diálogo com as comunidades locais. A expectativa é que o campus em Wyoming se some a outros polos de computação avançada da empresa, reforçando a corrida global por capacidade para treinar e rodar modelos de IA.

O movimento também envia um recado ao mercado de infraestrutura digital: em projetos de escala bilionária, gigantes de tecnologia tendem a privilegiar a integração vertical, assumindo a propriedade e o comando das instalações, enquanto parceiras especializadas como a Crusoe se reposicionam em projetos onde conseguem maior controle sobre risco e retorno.