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Lançamentos de IA

IA aumenta lucros só das 7 maiores techs dos EUA, revela Apollo

Análise da Apollo Global mostra que ganhos de receita, margem e produtividade com IA se concentram em Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla, enquanto o restante do S&P 500 segue estagnado.

IA aumenta lucros só das 7 maiores techs dos EUA, revela Apollo

Tecnologia

Estudo da Apollo Global destaca concentração dos benefícios da IA nas maiores empresas de tecnologia dos EUA.

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Uma análise da Apollo Global Management revela que, por enquanto, a inteligência artificial está engordando o caixa apenas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, enquanto o restante das companhias listadas no S&P 500 praticamente não vê melhora em receita por funcionário, margens de lucro ou produtividade.

O que é a análise da Apollo sobre os benefícios da IA para as empresas?

A Apollo comparou o desempenho das sete maiores empresas de tecnologia americanas — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla — com o das outras 493 companhias do S&P 500, batizadas no estudo de “S&P 493”. A conclusão é que os ganhos financeiros atribuídos à IA estão concentrados nesse grupo restrito de gigantes.

O trabalho, assinado pelo analista Torsten Slok, usa séries de gráficos com três métricas principais: receita por trabalhador, margens de lucro e crescimento de produtividade. Enquanto as big techs viram a receita média por funcionário saltar de US$ 550 mil em 2022 para quase US$ 800 mil neste ano, o restante do índice está praticamente parado em cerca de US$ 550 mil por funcionário desde 2019.

As margens de lucro contam a mesma história: elas disparam entre as gigantes de tecnologia a partir do terceiro trimestre de 2023, enquanto seguem de lado para as demais empresas. Já os dados de produtividade são mais ruidosos, mas, segundo a Apollo, não mostram um avanço relevante para a maioria das companhias fora do núcleo de tecnologia.

Para Slok, isso indica que o entusiasmo em torno da IA ainda não se traduz em retorno financeiro amplo. “Mainstream corporate America is pulling back and starting to view token spending not as a source of growth but as a cost center that weighs on margins”, escreveu o analista, em referência às empresas tradicionais dos EUA.

Por que apenas as maiores empresas de tecnologia estão se beneficiando da IA segundo a Apollo?

Para a Apollo, o problema não é falta de investimento — é falta de retorno. As gigantes de tecnologia conseguem transformar modelos de IA em novos produtos, serviços e ganhos de eficiência em escala global. Já a maior parte das empresas, mesmo investindo, não consegue converter a “inteligência barata” em mais receita nem em margens melhores.

Slok argumenta que a inteligência que importa nos negócios está ligada sobretudo a julgamento, algo que a tecnologia ainda não domina. “The problem AI, according to Slok, is that intelligence in the business world is mostly related to judgment. And though AI is great at calculating and researching and generating things, judgment requires much more context”, afirma o analista.

Esse julgamento envolve entender cultura empresarial, responsabilidade, ética, justiça e confiança — fatores que pesam diretamente sobre risco reputacional, crescimento de receita e aumento de lucros. Hoje, segundo o estudo, a IA ainda falha em entregar esse tipo de decisão “contextualizada” de forma confiável para a massa das empresas.

Entenda o contexto

O estudo da Apollo chega num momento em que o mercado vinha prometendo uma “era de abundância” impulsionada pela IA, com trabalho mais eficiente e mais tempo livre para as pessoas. A análise, porém, indica que esse cenário está longe de se materializar de forma ampla.

Algumas startups financiadas por capital de risco seguem ampliando gastos com IA, apostando em ganhar mercado rapidamente. Já empresas estabelecidas em setores tradicionais mostram mais cautela, justamente porque não enxergam, por ora, a conversão desse gasto em resultados tangíveis.

“The bottom line is that the AI story will be decided in the S&P 493, not the Magnificent Seven, and so far there is no evidence that revenue growth or margins are improving outside of the tech sector”, resume Slok. Na prática, ele diz que o verdadeiro teste da IA está fora do grupo de gigantes — e esse teste ainda não foi superado.

Quem são os maiores beneficiados pela IA segundo a análise da Apollo?

Os maiores beneficiados, de acordo com a Apollo, são as sete big techs reunidas sob o apelido de “Magnificent Seven”: Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla. São elas que concentram o salto de receita por funcionário, as margens em alta e os primeiros sinais claros de aumento de produtividade ligado à IA.

Nessas companhias, a IA é incorporada diretamente ao core do negócio, em anúncios, nuvem, comércio eletrônico, hardware, carros conectados e serviços digitais. Essa integração profunda permite capturar ganhos de escala e de eficiência que o restante das empresas ainda não consegue replicar.

Quais são as implicações da análise da Apollo para o mercado de tecnologia?

Para o mercado de tecnologia e para investidores, a leitura imediata é de concentração de valor: a IA reforça a vantagem competitiva das maiores empresas, enquanto a maioria ainda trata os projetos com modelos como um custo adicional, que comprime margens em vez de ampliá-las.

Slok observa que o avanço da IA como motor da economia depende justamente da adoção bem-sucedida pelo “S&P 493”. “The question looking ahead is whether, even as models become commoditized, mainstream corporate America can turn increasingly cheap intelligence into higher revenue growth and higher profit margins”, escreveu. Para ele, isso “may be harder than it sounds”.

Se a maior parte das empresas continuar sem conseguir transformar IA em crescimento real, a tendência é que o capital siga privilegiando gigantes de tecnologia e startups inovadoras, aprofundando a distância entre líderes e retardatários na economia americana.