IA brasileira acelera e resolve 7 mil casos policiais em 2026
Plataforma de inteligência artificial da brasileira Pax já apoiou mais de 7 mil investigações em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, com 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados.

Inteligência Artificial
Solução tecnológica da Pax impulsiona investigações policiais em quatro estados brasileiros, aumentando prisões e recuperações.
Leia também: IA cria clones de apps em 24h e ameaça trabalho de programadores
Uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela empresa brasileira Pax já apoiou o esclarecimento de mais de 7 mil casos policiais em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, contribuindo para 4,7 mil prisões e a recuperação de 2,1 mil veículos. A ferramenta cruza dados de câmeras, boletins de ocorrência e registros de veículos em poucos instantes, acelerando investigações que antes levavam horas ou dias.
Como a inteligência artificial brasileira ajudou a polícia a esclarecer mais de 7 mil casos?
A Pax criou uma plataforma que funciona como um assistente de investigação: o policial descreve, em linguagem natural, o que procura, e a inteligência artificial vasculha imagens, textos e bases de dados para apontar pistas que serão checadas pela equipe.
Em vez de analisar manualmente milhares de horas de vídeo e documentos, as forças de segurança usam o sistema para localizar veículos mesmo sem placa conhecida, reconstruir trajetos de fuga, reconhecer padrões de deslocamento e relacionar informações antes dispersas. Um detalhe aparentemente banal — como a cor de uma roupa, um adesivo ou uma marca em um automóvel — pode virar ponto de partida para montar o quebra-cabeça de uma investigação.
A plataforma integra diferentes bancos de dados e aplica modelos avançados de visão e linguagem, capazes de interpretar ao mesmo tempo imagens, textos e descrições. Com isso, identifica relações entre pessoas, veículos, locais e horários, mapeia pontos frequentemente visitados por alvos investigados e analisa automóveis que circulam juntos em determinados trajetos.
Na prática, o ganho aparece na velocidade: o sistema faz em segundos o cruzamento que, no método tradicional, exigiria equipes inteiras dedicadas por longos períodos. A ferramenta, porém, não faz prisões nem decide quem é culpado — serve de apoio à tomada de decisão humana, liberando policiais para a checagem das evidências e a atuação em campo.
Casos em Goiânia ilustram impacto da tecnologia
Em Goiânia, a polícia usou a ferramenta para chegar a criminosos que invadiram uma joalheria pelo sistema de ar-condicionado e tentaram despistar a investigação trocando de roupa e de veículo mais de uma vez. Com poucas informações iniciais — a descrição física dos envolvidos e uma picape branca — o sistema ajudou a reconstruir cerca de dois quilômetros do trajeto de fuga, ligar deslocamentos e apontar suspeitos. Três homens foram presos no mesmo dia graças à inteligência artificial.
Em outro caso, 32 celulares foram furtados durante um show na capital goiana. A investigação começou a partir do sinal de um dos aparelhos. Com o apoio da plataforma, a polícia foi estreitando o universo de veículos investigados até identificar o deslocamento dos suspeitos para outro estado. A operação terminou em Brumado, na Bahia, com a prisão de um homem e a recuperação de 28 aparelhos escondidos em um fundo falso de um carro na noite seguinte ao crime.
Quais estados brasileiros utilizam a inteligência artificial na investigação criminal?
As polícias de Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará utilizam hoje a plataforma de inteligência artificial da Pax em suas rotinas investigativas, com resultados consolidados em mais de 7 mil casos.
Nesses estados, delegacias e unidades especializadas recorrem ao sistema principalmente em investigações que envolvem grandes volumes de imagens, roubos e furtos de veículos, identificação de suspeitos e rastreamento de rotas de fuga entre cidades e estados. O uso integrado com câmeras de segurança e bancos de dados de registros de ocorrência é apontado por policiais como o diferencial da tecnologia.
Entenda o contexto
O avanço da ferramenta acompanha uma demanda clara da população por respostas mais rápidas na segurança pública. Pesquisa nacional da Quaest, encomendada pela própria Pax e realizada em setembro com 2.004 entrevistas, mostra que a violência é hoje o principal problema do país para 28% dos brasileiros, à frente da corrupção e da economia.
Segundo o levantamento, “86% consideram positivo o uso de inteligência artificial na segurança pública” e “93% consideram efetiva a integração entre câmeras, IA e polícia”. O apoio sobe para mais de “95%” quando a tecnologia é destinada a encontrar pessoas desaparecidas, recuperar veículos roubados e localizar foragidos da Justiça.
Os dados ajudam a explicar por que soluções desse tipo ganham espaço nas forças de segurança. A expectativa é que o modelo adotado em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará seja ampliado para outros estados, com mais integração de bases de dados e uso de modelos de visão e linguagem ainda mais sofisticados.
Quais são os benefícios da inteligência artificial para a investigação criminal no Brasil?
Os principais ganhos relatados por policiais e pela Pax são a velocidade e a abrangência das apurações. Ao automatizar o trabalho pesado de vasculhar imagens, relatórios e cadastros, a IA permite que o investigador concentre tempo e energia na análise das pistas mais promissoras e na operação em campo.
Os números mostram o impacto: mais de 7 mil casos já tiveram apoio direto da tecnologia, com 4,7 mil prisões e 2,1 mil veículos recuperados. Para a população, o efeito aparece na maior chance de recuperação de bens roubados, na localização mais rápida de suspeitos e na redução da sensação de impunidade.
Especialistas apontam ainda que a tecnologia tende a mudar a cultura de investigação no país, com mais digitalização, integração de sistemas e decisões baseadas em dados. Ao mesmo tempo, reforçam que o uso ético da ferramenta, a transparência dos processos e a capacitação contínua dos agentes são essenciais para evitar erros e abusos e garantir que a inteligência artificial complemente — e não substitua — o trabalho humano nas ruas e nas delegacias.

