Mercados
S&P 5007.580▼ 1,82%Nasdaq25.437▼ 2,86%Dow Jones51.770▼ 1,09%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.730▲ 0,07%DAX25.818▼ 0,85%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,07▼ 0,46%BitcoinR$ 423.985▲ 0,66%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.580▼ 1,82%Nasdaq25.437▼ 2,86%Dow Jones51.770▼ 1,09%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.730▲ 0,07%DAX25.818▼ 0,85%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,07▼ 0,46%BitcoinR$ 423.985▲ 0,66%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Inteligência Artificial

IA muda empregos, amplia oferta e concentra ganhos

Análise de Allan Kardec mostra que a inteligência artificial substitui tarefas intelectuais, expande a oferta de bens e serviços, cria novas demandas e aprofunda a concentração de ganhos econômicos.

IA muda empregos, amplia oferta e concentra ganhos

Inteligência Artificial

Estudo revela como a IA transforma o mercado de trabalho, gerando novas oportunidades e desigualdades econômicas.

Leia também: IA amplia 25% vigilância no Pantanal e detecta fogo em 3 minutos

A inteligência artificial já começa a substituir profissionais em atividades intelectuais no Brasil e no mundo, mas ao mesmo tempo faz explodir a oferta de bens e serviços, cria novas demandas e redesenha quem ganha e quem perde na economia, avalia o engenheiro e professor Allan Kardec Duailibe Barros Filho.

A inteligência artificial está destruindo empregos?

Para Allan Kardec, ainda não há evidência de destruição generalizada de empregos, mas a IA já desloca funções específicas e muda a forma de trabalhar em várias áreas. Segundo ele, a automação deixa de atingir apenas tarefas físicas ou de cálculo e avança sobre atividades antes associadas a anos de formação.

O professor lembra que sistemas capazes de gerar textos, imagens e diagnósticos começam a assumir parte do trabalho de médicos, advogados, engenheiros, jornalistas e pesquisadores. Isso não significa o fim imediato dessas profissões, mas uma transformação profunda do conteúdo do emprego, com redução de espaço para funções mais repetitivas e aumento da pressão por qualificação.

Na avaliação de Allan Kardec, a relação da sociedade com a IA repete um padrão histórico. Ele compara a atual inquietação com a revolta dos luditas, que destruíam máquinas têxteis para tentar preservar seus postos. “A história mostra que resistir às tecnologias não impede suas transformações. Isso não significa ignorar os prejuízos que provocam, como demonstraram os próprios luditas, cujas preocupações com o trabalho eram legítimas”, afirma.

A ambivalência aparece também entre os próprios criadores da tecnologia. Allan Kardec cita o manifesto assinado por Elon Musk e outros executivos, pedindo uma pausa no desenvolvimento de sistemas avançados — movimento que não impediu que o mesmo grupo voltasse a acelerar a corrida poucos meses depois.

Mercados criativos viram laboratório da IA

Estudo recente publicado na revista Science, destacado por Allan Kardec, ajuda a dimensionar o impacto da IA em mercados digitais. A pesquisa, assinada por Pamela Samuelson, Abhishek Nagaraj e Christopher Jon Sprigman, analisa o fenômeno da “diluição de mercado”, quando uma enxurrada de produtos gerados por IA reduz a remuneração relativa de criadores humanos.

Em uma grande plataforma de fotografias, a entrada maciça de imagens produzidas com IA fez a oferta total saltar 136% e impulsionou as vendas em 82%. O efeito colateral foi uma queda de 29% no número de artistas que continuaram publicando apenas fotografias feitas sem IA. Ou seja, vende-se mais, mas com menos criadores humanos em destaque.

No mercado editorial, o volume de livros disponíveis na Amazon quase triplicou em poucos anos, impulsionado por novas ferramentas de produção de conteúdo. Os pesquisadores não encontraram, por enquanto, prova de um deslocamento generalizado de autores humanos, mas já detectam perdas relativas em nichos específicos.

Para Allan Kardec, os números mostram que a IA não apenas substitui trabalho, mas barateia a produção, estimula o consumo e puxa a criação de novas atividades. A dúvida central, diz ele, é quem fica com a maior parte desse ganho de produtividade.

Concentração tecnológica decide quem ganha mais

Embora milhões de pessoas usem ferramentas de IA no dia a dia, os grandes modelos dependem de semicondutores avançados, energia em larga escala e centros de dados caríssimos, infraestrutura hoje concentrada em poucas empresas globais. Essa concentração, ressalta Allan Kardec, tende a direcionar uma fatia relevante dos lucros para quem controla a base tecnológica.

A distribuição dos benefícios, lembra o professor, depende de fatores como concorrência, difusão da tecnologia e regras econômicas. Se a competição é limitada e o acesso à infraestrutura continua caro, empresas dominantes podem capturar a maior parte do valor, deixando trabalhadores e pequenos negócios com ganhos restritos.

Ao mesmo tempo, consumidores tendem a se beneficiar de produtos mais baratos e abundantes — de fotos comerciais a livros, relatórios, diagnósticos e serviços personalizados. Empresas que incorporam IA a seus processos reduzem custos e ganham escala. Já profissionais que atuam em modelos tradicionais enfrentam a necessidade urgente de adaptação.

Entenda o contexto

Allan Kardec chama atenção para uma contradição mais ampla na forma como a humanidade lida com tecnologias poderosas. Ele lembra que, mesmo com o avanço de fontes renováveis, combustíveis fósseis ainda respondem pela maior parte da oferta de energia do planeta. Em 2025, essas fontes chegaram a representar 86% do total, segundo o Energy Institute, evidenciando o abismo entre o discurso de transição e a prática.

Na visão do professor, algo semelhante ocorre com a IA: sociedades criticam seus riscos, mas correm para adotá-la em escala, movidas por ganhos de produtividade e competitividade. “Sistemas que geram textos, imagens e diagnósticos operam por probabilidades e possuem limitações matemáticas intrínsecas. No entanto, sua capacidade de escala emite um volume incalculável de conteúdo, alterando profundamente a dinâmica econômica”, explica.

Ele argumenta que a IA não cria a contradição humana entre desejar progresso e rejeitar suas consequências; apenas a torna mais visível. “A inteligência artificial não inventou essa contradição. Apenas colocou um espelho à nossa frente”, resume.

Quais profissões Allan Kardec mencionaria diante das mudanças causadas pela IA?

Na análise de Allan Kardec, as profissões mais diretamente atingidas pela automação intelectual incluem médicos, advogados, engenheiros, jornalistas e pesquisadores. São áreas que sempre dependeram de formação longa, domínio de conhecimento especializado e capacidade de julgamento.

No caso da medicina, algoritmos já auxiliam diagnósticos por imagem, triagem de pacientes e elaboração de laudos. Em escritórios de advocacia, sistemas de linguagem ajudam a revisar contratos, buscar jurisprudência e até rascunhar petições. Engenheiros usam IA para simular projetos e otimizar processos industriais. Redações empregam modelos de texto em tarefas como notas rápidas, resumos e apoio à apuração de dados. Na pesquisa científica, ferramentas de IA vasculham bases gigantescas de artigos, sugerindo hipóteses e rotas de investigação.

Allan Kardec enfatiza, porém, que a automação por enquanto afeta principalmente partes das atividades, não o ofício inteiro. O desafio para esses profissionais é aprender a usar a IA como ferramenta complementar, mantendo o protagonismo em decisões complexas, supervisão de qualidade e responsabilidade ética.

O avanço da tecnologia deve estimular o surgimento de funções novas, ligadas à curadoria de conteúdo gerado por IA, à auditoria de modelos, à proteção de dados, à regulação tecnológica e à tradução de sistemas automatizados para a linguagem do cidadão comum. Mas a transição, alerta o professor, não será neutra: exigirá políticas públicas voltadas à qualificação de trabalhadores, redes de proteção para quem for deslocado e regras que evitem uma concentração ainda maior de renda.

Para Allan Kardec, resistir à IA não bloqueia a mudança tecnológica. O ponto decisivo, conclui, é como sociedades, governos e empresas vão escolher distribuir seus benefícios e enfrentar os custos sociais desse novo ciclo de automação.