Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi para acelerar IA financeira
Itaú Unibanco anuncia a compra de 100% da startup de IA NeoSpace por R$ 2,925 bilhões. Negócio reforça a plataforma ia.i, mira crédito, CRM e prevenção a fraudes.

Inteligência Artificial
Aquisição fortalece a plataforma ia.i para aprimorar crédito, CRM e prevenção a fraudes no setor financeiro.
O Itaú Unibanco fechou a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões, em uma operação bilionária que pretende acelerar o desenvolvimento de tecnologias financeiras baseadas em IA e fortalecer a plataforma ia.i do banco.
O negócio, anunciado após quase dois anos de parceria entre as empresas, ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Banco Central e de outras etapas regulatórias. O pagamento será feito em uma parcela na conclusão da transação e o restante ao longo de cinco anos.
O que a NeoSpace faz e por que o Itaú a comprou?
A NeoSpace é uma startup de inteligência artificial fundacional que desenvolve modelos capazes de identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de dados, com foco em aplicações práticas no setor financeiro, como análise de crédito, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
Na parceria que mantém com o Itaú há quase dois anos, a empresa já vinha entregando soluções nessas frentes, o que deu ao banco um “test drive” da tecnologia antes da aquisição. Agora, com o controle total da NeoSpace, o Itaú quer internalizar essa capacidade e usá-la como motor da sua plataforma de inteligência artificial generativa, a ia.i.
Para o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, o movimento é um passo estratégico na disputa por liderança tecnológica no sistema financeiro. “A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”, afirmou o executivo.
Como a compra da NeoSpace vai fortalecer a operação de inteligência artificial do Itaú?
A compra de R$ 2,925 bilhões permite ao Itaú acelerar o desenvolvimento de modelos próprios de IA, em vez de depender apenas de tecnologias de terceiros. Na prática, isso significa criar sistemas sob medida para as necessidades do banco, usando sua base de dados, seu conhecimento de risco e regulação e a especialização técnica da NeoSpace.
O reforço deve ser sentido em áreas sensíveis para o negócio: concessão de crédito mais precisa, com leitura mais refinada de risco; personalização de ofertas e comunicação com clientes, via CRM turbinado por IA; e sistemas mais sofisticados de detecção e prevenção de fraudes em tempo real.
Essa combinação é vista internamente como resposta direta ao avanço das fintechs e à pressão por modernização dos bancos tradicionais. Com a NeoSpace dentro de casa, o Itaú tenta encurtar o ciclo entre pesquisa, desenvolvimento e lançamento de novos produtos digitais, ganhando velocidade para competir com players mais ágeis.
Entenda o contexto
A NeoSpace foi fundada em 2023 já com foco em inteligência artificial fundacional, ramo que desenvolve modelos gerais de IA a partir de grandes massas de dados, que depois podem ser adaptados a diferentes usos específicos. Esse tipo de tecnologia está na base da atual revolução da IA generativa, que sustenta desde assistentes virtuais até sistemas avançados de análise de dados.
No Itaú, essa aposta se materializa na plataforma ia.i, que concentra os projetos de IA do banco. A compra da NeoSpace encaixa a startup como peça central desse ecossistema, em um momento em que grandes bancos correm para atualizar sua infraestrutura tecnológica e responder ao ambiente competitivo criado por fintechs digitais.
Gestão autônoma e preservação da cultura de startup
Mesmo passando a ser controlada pelo Itaú, a NeoSpace continuará com gestão e operação autônomas. A empresa seguirá sob o comando do atual CEO, Bruno Pierobon, e manterá sua equipe e suas atividades de pesquisa e desenvolvimento.
A estratégia do banco é preservar a cultura de inovação da startup e evitar a perda de talentos, ao mesmo tempo em que conecta essa estrutura ao seu próprio volume de dados e à escala de atuação no sistema financeiro. A integração técnica das soluções de IA será o próximo passo depois da aprovação regulatória.
No mercado, a operação é lida como um movimento de consolidação tecnológica: um grande banco tradicional absorvendo uma peça-chave de inovação para se posicionar na vanguarda da indústria financeira. A expectativa é que o negócio provoque reação de concorrentes, estimulando novos investimentos, parcerias e eventuais aquisições em tecnologia de ponta no setor.

