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Lula abre frente no 1º turno e vai à Justiça contra rede pró-Flávio

Pesquisas de 2026 mostram Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no 1º turno e empate técnico no 2º, enquanto o PT aciona o TSE por rede de collabs no Instagram.

21/09/2026 08:00 8 min de leitura
Lula abre frente no 1º turno e vai à Justiça contra rede pró-Flávio
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Eleições 2026

Lula lidera pesquisas para o primeiro turno e o PT recorre ao TSE contra rede pró-Flávio Bolsonaro no Instagram.

A duas semanas do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas e, ao mesmo tempo, leva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação que mira o coração da estratégia digital do adversário: uma rede de páginas no Instagram acusada de turbinar ilegalmente a propaganda bolsonarista.

O movimento judicial aumenta a pressão sobre a campanha de Flávio em um momento em que os levantamentos de intenção de voto apontam equilíbrio técnico no segundo turno, com variações dentro da margem de erro e margem mínima para erros de cálculo político.

Pesquisas apertam cenário e cristalizam voto

Os cinco principais institutos que divulgam dados nesta reta final – BTG/Nexus, Quaest, AtlasIntel, Datafolha e CNT/MDA – convergem em um ponto: Lula lidera numericamente no primeiro turno. Dependendo do instituto, o petista oscila entre 36% e 44,1% das intenções de voto, enquanto Flávio varia de 30,4% a 41,7%.

Na pesquisa BTG/Nexus mais recente, divulgada nesta segunda-feira, Lula registra 40% no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 3 pontos percentuais fica dentro da margem de erro de 2 pontos. O escritor Augusto Cury aparece bem atrás, com 6%, em um campo minoritário e fragmentado.

No cenário de segundo turno, o quadro é ainda mais tenso. BTG/Nexus, Quaest, AtlasIntel e Datafolha falam em empate técnico entre Lula e Flávio, com distâncias que vão de 0,4 a poucos pontos percentuais, quase sempre dentro da margem estatística. Só a CNT/MDA indica vantagem de Lula acima da margem, com folga de 7,3 pontos.

Os institutos usam metodologias distintas, mas todos registram os levantamentos no TSE e apontam um eleitorado já bastante cristalizado. Em um dos questionários da BTG/Nexus, por exemplo, “84% afirmam que a decisão está tomada e não mudará”, o que limita o espaço para reviravoltas espetaculares na reta final.

Rede de collabs no Instagram entra na mira do TSE

É nesse ambiente de disputa milimétrica que a coligação “O Brasil Pronto pra Mais”, encabeçada pelo PT, aposta em um flanco sensível da campanha de Flávio Bolsonaro: o uso das redes sociais, em especial o Instagram. A aliança protocolou no TSE uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o senador, o ex-secretário de Cultura Mario Frias e o ex-procurador Alfredo Gaspar, todos do PL.

A petição acusa os três de se beneficiarem de uma rede coordenada de páginas de apoio no Instagram que, por meio de publicações colaborativas – as chamadas collabs –, teria servido para multiplicar o alcance da propaganda eleitoral, contornando limites impostos às contas oficiais de campanha. O núcleo da tese é que essa engrenagem digital configura abuso dos poderes econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação social.

Os estudos anexados à ação descrevem um crescimento acelerado da rede em apenas dez dias. Entre 7 e 17 de setembro, o número de collabs mapeadas salta de 492 para 1.826, alta de 271,1%. No mesmo período, os perfis participantes aumentam de 324 para 492, e os pares distintos de coautores sobem de 1.554 para 2.603.

A audiência nominal somada dos perfis também se expande. Segundo os pesquisadores, “a soma dos seguidores das contas passou de 130,9 milhões para 147,4 milhões”. O próprio documento ressalva que há sobreposição de seguidores, o que impede traduzir esses números diretamente em pessoas atingidas, mas o volume ilustra a potência dessa rede.

Coautoria, coordenação e dinheiro

O mecanismo das collabs permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente em mais de um perfil, compartilhando curtidas, comentários e alcance. Para os autores da ação, isso cria um canal privilegiado entre contas oficiais de campanha e páginas de apoio não declaradas, que funcionam como satélites amplificadores.

A petição sustenta que a repetição das parcerias revela organização centralizada. “A repetição das parcerias e a participação de contas de candidatos indicariam uma estrutura coordenada de comunicação”, afirma a coligação nos autos. Em alguns casos, o mesmo conjunto de seis perfis reaparece dezenas de vezes nas collabs, o que, para os técnicos, foge da dinâmica orgânica típica da plataforma.

O documento, porém, admite limites da própria prova técnica. “A coautoria demonstra a publicação compartilhada, enquanto titularidade, comando e remuneração dependem de outras evidências”, registra um dos trechos encaminhados ao TSE. A equipe que assina o estudo deixa claro que a mera presença de um perfil em publicações conjuntas não basta, isoladamente, para concluir que ele integra formalmente uma estrutura de campanha.

A ação também leva ao TSE o tema da monetização dessas páginas. O levantamento identifica 11 perfis que divulgam links para venda de produtos relacionados à eleição em plataformas de comércio eletrônico, sendo nove integrantes de um dos grupos da rede, somando mais de 10 milhões de seguidores. A coligação argumenta que essa mistura de propaganda política e negócio privado seria mais um indício de uso econômico da máquina digital.

Meta na linha de frente e risco jurídico para Flávio

No pedido liminar, os advogados de Lula e aliados querem que a Meta, dona do Instagram, seja obrigada a preservar dados sensíveis dos perfis e das collabs, como registros de cadastro, acessos, metadados de coautoria e informações sobre contas vinculadas. Na prática, é uma tentativa de congelar o rastro digital antes que eventuais exclusões ou alterações dificultem a investigação.

No mérito, a coligação requer a cassação dos registros de candidatura de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias, além da declaração de inelegibilidade por 8 anos para os três. Se o TSE acolher a tese central de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, a decisão pode reconfigurar radicalmente a disputa presidencial às vésperas das urnas.

O tribunal ainda não se pronuncia sobre o mérito, mas a simples abertura de uma AIJE com esse alcance já pressiona campanhas e plataformas. O TSE, que desde eleições recentes endurece regras sobre impulsionamento e uso de robôs, passa a lidar com um modelo mais sofisticado: redes de coautoria, clusters de perfis e monetização distribuída, tudo abrigado na arquitetura oficial das redes sociais.

Para a Meta, o caso reabre o debate sobre até onde vai a responsabilidade das empresas no controle de estruturas políticas coordenadas que operam dentro das regras aparentes da plataforma. A preservação de dados e a eventual quebra de sigilo telemático dependerão de ordens judiciais, mas o processo já coloca a companhia sob escrutínio público em plena temporada eleitoral.

Estratégias em ajuste fino na reta final

Enquanto o TSE avalia os primeiros pedidos, as campanhas calibram a comunicação. A vantagem numérica de Lula no primeiro turno – em alguns levantamentos chegando a 10 pontos – dá ao presidente uma margem para apostar em agendas positivas e na mobilização de aliados regionais, mas o risco de empate no segundo turno impede qualquer clima de já ganhou.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, depende de um desempenho robusto na primeira rodada para chegar à segunda em pé de igualdade ou com ligeira vantagem simbólica. Qualquer limitação judicial no uso de redes, especialmente do Instagram, afetaria um dos principais canais de contato com sua base mais engajada.

O pano de fundo dessa disputa é um eleitorado saturado de informação e cada vez mais exposto a campanhas segmentadas. A AIJE contra a rede de collabs transforma o terreno digital em campo oficial de batalha jurídico, não apenas político. Se o TSE enxergar abuso, abre-se precedente para uma regulação mais dura das estratégias de comunicação nas próximas eleições; se não enxergar, campanhas de todos os espectros tendem a investir ainda mais em estruturas similares.

Até o primeiro turno, o relógio corre ao mesmo tempo no Tribunal e nas ruas. Pesquisas apertadas, ações judiciais pesadas e redes sociais em xeque compõem um tabuleiro em que cada ponto percentual e cada postagem podem fazer diferença. O desfecho dirá não só quem governará o país, mas também quais limites digitais a democracia brasileira está disposta a impor.

O que é a ação contra Flávio Bolsonaro no TSE?

A ação contra Flávio Bolsonaro no TSE é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral que acusa o senador e dois aliados de usarem uma rede coordenada de collabs no Instagram para ampliar ilegalmente propaganda eleitoral, pede preservação de dados à Meta, cassação das candidaturas e declaração de inelegibilidade por 8 anos.

O que as pesquisas mostram hoje sobre Lula e Flávio Bolsonaro?

As pesquisas mais recentes de 2026 mostram Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno pela BTG/Nexus, numericamente à frente dentro da margem de erro, e um cenário de empate técnico no segundo turno em quatro dos cinco institutos, com apenas um levantamento apontando vantagem folgada para Lula.


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