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Lula e Flávio Bolsonaro dividem SC em dia de disputa e protesto

Presidente e senador fazem comícios simultâneos em Santa Catarina, enquanto trabalhadores do saneamento organizam resistência à privatização e o Criciúma goleia por 6 a 2 na Série Ouro de futsal.

19/09/2026 12:01 8 min de leitura
Lula e Flávio Bolsonaro dividem SC em dia de disputa e protesto
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Política

Disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro marca o cenário político em Santa Catarina com protestos e eventos paralelos.

Santa Catarina vive um sábado de alta tensão política, mobilização sindical e festa esportiva. Em cidades diferentes, Lula e Flávio Bolsonaro testam forças nas ruas, enquanto trabalhadores do saneamento discutem como barrar a privatização dos serviços e o Criciúma goleia por 6 a 2 no futsal estadual.

Comícios simultâneos acirram polarização eleitoral

Na Praça Tancredo Neves, no Centro de Florianópolis, Lula discursa desde as 10h para apoiadores que lotam o entorno da sede do governo estadual. O presidente pede votos para sua reeleição e tenta impulsionar aliados como Gelson Merísio, candidato do PSB ao governo catarinense, e o deputado federal Pedro Uczai, líder do PT na Câmara, que busca renovar o mandato.

O comício em Florianópolis mira um eleitorado historicamente hostil ao petismo. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana mostra Lula com 26% das intenções de voto em Santa Catarina, muito atrás de Flávio Bolsonaro, que aparece com 52% e lidera com folga o primeiro turno. A diferença reforça o desafio da campanha governista num dos redutos mais conservadores do país.

Enquanto Lula fala na capital, Flávio Bolsonaro abre ato às 10h20 no Centro de Convenções e Exposições Expoville, em Joinville, a cerca de 180 quilômetros dali. O senador usa a maior cidade do estado como vitrine de sua força, cercado por lideranças do PL, empresários locais e apoiadores com camisetas verde-amarelas e bandeiras do partido.

À tarde, a caravana bolsonarista se desloca para Chapecó, onde Flávio tem novo comício previsto para as 16h, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes. O palanque reúne o governador licenciado Jorginho Mello, candidato à reeleição e favorito na disputa estadual com 49% das intenções de voto, além dos postulantes do PL ao Senado, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.

A estratégia do campo bolsonarista é transformar o bom desempenho nas pesquisas em voto consolidado e arrastar consigo a chapa estadual. O entorno de Flávio trata Santa Catarina como laboratório de um projeto nacional de direita e aposta na imagem de Jorginho Mello como gestor alinhado a esse campo ideológico.

Congresso do Sintaema-SC faz da água o eixo da disputa

Em Itapema, na sede da Fetiesc, o clima é outro, mas a política também domina o dia. O 1º Congresso do Sintaema-SC reúne trabalhadores do setor de água, esgoto e meio ambiente para discutir a resistência à Lei nº 14.026/2020, que redesenha o marco do saneamento e abre caminho para privatizações. As discussões começaram na sexta-feira e seguem hoje com plenárias cheias.

Pedro de Lucena, presidente do Sintaema-SC, abre os debates com um recado direto contra a mercantilização dos serviços básicos. “O saneamento básico não pode ser mercadoria para saciar o capital financeiro”, afirma, sob aplausos. Ele defende que a Casan permaneça 100% pública e que a água seja tratada como direito essencial, não como ativo de mercado.

O encontro reúne dirigentes sindicais de outros estados e lideranças políticas de esquerda. José Antonio Faggian, presidente do Sintaema-SP e dirigente da Fenatema, cita o caso da Sabesp, privatizada em São Paulo, como exemplo dos riscos. “A lógica privatista visa apenas usurpar empresas estratégicas para socializar os custos e privatizar os lucros”, diz. Segundo ele, tarifas mais caras, cortes de pessoal e mais acidentes de trabalho se tornaram rotina após a entrega da empresa à iniciativa privada.

Janaína Deitos, presidenta do PCdoB-SC, o ex-conselheiro da Casan Haneron Victor Marcos e representantes de outras centrais tratam o tema como parte de uma disputa maior sobre o papel do Estado. As falas convergem na crítica a um “projeto neoliberal” que, segundo eles, tenta avançar sobre setores estratégicos, da água à energia, passando pela saúde.

O congresso também volta seus olhos para as urnas. A avaliação predominante é que a correlação de forças no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa será decisiva para qualquer tentativa de revogar a lei federal do saneamento ou travar privatizações no plano estadual. Delegados defendem eleger candidatos comprometidos com o serviço público e usar instrumentos como a exigência de plebiscito para a venda de estatais.

Tarifas, serviço e trabalho no centro da disputa

Os participantes do encontro em Itapema insistem que a discussão sobre saneamento não é um tema abstrato, mas algo que chega à conta de água do fim do mês. Eles alertam para o risco de aumentos de tarifas em municípios menores, onde a operação dá prejuízo e, sem obrigação de universalização, empresas privadas tenderiam a recuar.

Esse cenário preocupa especialmente regiões periféricas e cidades do interior, onde a infraestrutura de esgoto ainda é precária. Dirigentes lembram que, em privatizações já realizadas pelo país, áreas menos rentáveis acabam recebendo investimentos tardios ou insuficientes, o que agrava desigualdades históricas de acesso a serviços básicos.

A pauta trabalhista também ganha espaço. Representantes do setor cobram a criação de um piso nacional para trabalhadores do saneamento e normas específicas de segurança. A categoria argumenta que, durante a pandemia, funcionários de campo seguiram em atividade, expostos ao risco de contágio, sem a mesma visibilidade dada a outras áreas essenciais da saúde.

As deliberações finais do congresso devem incluir uma plataforma de defesa do saneamento público para ser apresentada a candidatos aos Executivos municipal, estadual e federal, além de postulantes ao Legislativo. A ideia é transformar o debate técnico em compromissos políticos claros, cobrados ao longo do próximo mandato.

Criciúma goleia e anima torcida na Série Ouro

Enquanto a política domina palanques e plenárias, o esporte oferece um respiro em Cocal do Sul. No Ginásio Municipal da cidade, o Criciúma atropela o Lages por 6 a 2 pela 8ª rodada do Catarinense de Futsal Série Ouro e se reabilita na competição diante da torcida.

O time da casa impõe ritmo forte desde o início. Paulista marca duas vezes, Saymon e Juca completam, e Vinicius Negretti balança a rede em outras duas oportunidades, fechando a goleada. Do lado lageano, Josué desconta com dois gols, mas não evita a derrota elástica.

Com o resultado, o Criciúma chega a 11 pontos e ocupa a oitava posição na tabela, ainda distante da briga pela ponta, mas em situação mais confortável em relação à zona de risco. O Lages segue na lanterna, com 7 pontos, pressionado a reagir nas próximas rodadas para não se complicar na luta contra o rebaixamento.

O próximo compromisso do Criciúma está marcado para 3 de outubro, em casa, contra o Pouso Futsal, no Ginásio Municipal Walmir Orsi. A partida é tratada internamente como chave para consolidar a recuperação e tentar sonhar com uma arrancada rumo à parte de cima da classificação.

Num estado em ebulição política e social, a bola pesada no interior mostra outra face de Santa Catarina: a de ginásios cheios, atletas em ascensão e comunidades mobilizadas em torno de seus clubes. O contraste com os discursos inflamados dos palanques ajuda a dimensionar o quanto as escolhas feitas nas urnas também impactam o financiamento do esporte e de políticas públicas locais.

Os próximos dias tendem a manter o ritmo intenso. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro devem reforçar agendas no estado, enquanto o movimento sindical promete ampliar a pressão contra a privatização do saneamento. No futsal, cada rodada da Série Ouro passa a valer como decisão para quem busca vaga no mata-mata. A combinação de urnas, mobilização e arquibancadas indica que Santa Catarina segue no centro de debates que extrapolam suas fronteiras.

Como estão as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro em Santa Catarina a 15 dias do 1º turno?

Flávio Bolsonaro lidera hoje em Santa Catarina com 52% das intenções de voto, contra 26% de Lula, e transforma essa vantagem em grandes atos em Joinville e Chapecó, enquanto o presidente tenta reduzir a distância com comício em Florianópolis e aposta na força de aliados como Gelson Merísio e Pedro Uczai.

O que foi discutido no 1º Congresso do Sintaema-SC sobre saneamento público e democracia?

O 1º Congresso do Sintaema-SC debate hoje em Itapema a resistência à Lei nº 14.026/2020, a defesa da Casan 100% pública e a água como direito essencial, cobrando revogação da lei privatizante, tarifa justa, manutenção de empregos, criação de piso nacional e compromisso explícito de candidatos com o saneamento público e a democracia.

Como está o desempenho do Criciúma no Catarinense de Futsal Série Ouro após a goleada contra o Lages?

O Criciúma chega neste sábado a 11 pontos na Série Ouro após vencer o Lages por 6 a 2, resultado que o coloca na oitava posição e afasta momentaneamente o risco na parte de baixo da tabela, dando fôlego para buscar reação antes do duelo em casa contra o Pouso Futsal em 3 de outubro.


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