Meta vai captar US$ 95 bi em ações para acelerar IA até 2027
Meta anuncia plano para levantar até US$ 95 bilhões com novas ações e financiar infraestrutura de inteligência artificial, preservando controle de Mark Zuckerberg.

Tecnologia
Meta planeja captar bilhões para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial até 2027, mantendo o controle de Zuckerberg.
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A Meta Platforms Inc. anunciou um plano para levantar até US$ 95 bilhões no mercado acionário global para financiar a construção e a expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial, em uma operação de grande porte que preserva o controle da empresa nas mãos do CEO Mark Zuckerberg.
Como será a venda de ações da Meta
O pacote prevê a emissão de diferentes classes de ações. A companhia pretende captar cerca de US$ 22,5 bilhões com a venda de ações ordinárias Classe A, que dão direito a voto e já são negociadas nas bolsas.
Outra fatia, de aproximadamente US$ 12,5 bilhões, virá de ações depositárias preferenciais, cada uma representando um vigésimo de uma nova ação preferencial. Essas ações serão convertidas automaticamente em ações ordinárias em agosto de 2029, a menos que a conversão ocorra antes, conforme interesse dos investidores e condições de mercado.
A maior parte dos recursos, cerca de US$ 60 bilhões, será obtida com a venda contínua de ações Classe C, sem direito a voto, em negociações no mercado aberto. A expectativa da empresa é que esses papéis passem a ser negociados a partir do primeiro trimestre de 2027.
Em comunicado, a Meta afirmou que a emissão das ações Classe C, que “não possuem direito a voto, permitindo levantar dinheiro sem diluir o controle de Zuckerberg”, é peça central da estratégia de financiamento.
Entenda o contexto
Hoje, a estrutura acionária da Meta é formada basicamente por ações Classe A, com um voto por papel, e ações Classe B, com dez votos cada. A maior parte das ações Classe B está nas mãos de entidades controladas por Mark Zuckerberg, o que garante ao executivo poder de decisão mesmo sem deter a maioria econômica do capital.
A criação das ações Classe C, sem voto, permite que a empresa emita um grande volume de papéis novos para financiar investimentos sem mexer nessa balança de poder. Ao mesmo tempo, a emissão de ações preferenciais que só entram como ordinárias em 2029 desenha um reforço de capital de longo prazo, alinhado ao horizonte dos projetos de inteligência artificial.
Qual o impacto para o mercado e para a Meta
Na prática, o plano posiciona a Meta como uma das companhias de tecnologia que mais abrem espaço no mercado para financiar diretamente a corrida pela inteligência artificial. O volume de até US$ 95 bilhões deve sustentar a construção de data centers, compra de chips especializados, expansão de capacidade de processamento e desenvolvimento de modelos de IA próprios.
A movimentação tende a mexer também com a liquidez e a cotação das ações da empresa, já que aumenta significativamente o número de papéis disponíveis para negociação. Acionistas atuais podem enfrentar diluição econômica e de participação relativa, mas o poder de voto de Zuckerberg segue preservado pelo peso das ações Classe B.
No setor de tecnologia, a expectativa é de que o reforço de caixa acelere o desenvolvimento de soluções de IA e pressione concorrentes a adotar estratégias semelhantes de captação, intensificando a disputa por investimentos em infraestrutura e talentos.
Quem já demonstrou interesse em comprar
Segundo a própria Meta, grandes fornecedoras de tecnologia de ponta para o setor já sinalizaram disposição em participar da oferta. “Nvidia, AMD e Broadcom manifestaram interesse não vinculante em comprar até US$ 5 bilhões em ações da Meta”, informou a companhia.
O interesse dessas empresas, que fornecem chips e componentes críticos para operações de inteligência artificial, é visto por analistas como um sinal de alinhamento estratégico: além de potenciais ganhos financeiros, elas podem se beneficiar do fortalecimento de um importante cliente e parceiro tecnológico.
A participação efetiva desses investidores e a reação dos demais participantes do mercado serão conhecidas ao longo da execução do plano de venda, que se estende pelos próximos anos, com marcos importantes como o início da negociação das ações Classe C a partir de 2027 e a conversão das ações preferenciais em 2029.


