Meta compra Conductor e reforça aposta em IA para programar
Meta anuncia a aquisição da startup Conductor, que roda vários agentes de programação em paralelo. Serviço em nuvem será encerrado em novembro, e app para Mac funciona só até o início de 2027.

Tecnologia
Meta expande sua atuação em inteligência artificial com a compra da startup Conductor, focada em agentes de programação paralela.
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A Meta Platforms Inc. anunciou nesta quarta-feira (4) a compra da Conductor, startup de inteligência artificial usada por times de engenharia de empresas como Google e Spotify para rodar múltiplos agentes de programação em paralelo, em ambientes isolados, acelerando a escrita e a revisão de código.
Meta mira próxima geração de ferramentas de código
A Conductor desenvolve um aplicativo para Mac e um serviço em nuvem que permitem disparar vários agentes de IA sobre uma mesma base de código, cada um em uma cópia separada do projeto. O desenvolvedor acompanha o trabalho, compara resultados e decide o que entra ou não no repositório final.
Entre os agentes compatíveis estão o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o Cursor, da SpaceX. O usuário conecta suas próprias chaves e assinaturas a esses modelos dentro do Conductor, que orquestra as execuções, inclusive em máquinas virtuais na nuvem que podem ficar trabalhando por horas e ser monitoradas também pelo iPhone.
De acordo com uma pessoa familiarizada com o acordo, a Meta espera que “a velocidade da equipe da Conductor ajude a construir a próxima geração de ferramentas de programação com IA”. O movimento vem na esteira do lançamento recente do modelo Muse Spark Open, voltado justamente para tarefas de programação e agentes de longa duração.
Na prática, a Meta incorpora uma tecnologia já testada internamente — engenheiros da empresa usavam o Conductor antes da aquisição — e passa a ter uma equipe especializada em orquestrar vários agentes de código ao mesmo tempo. A expectativa no mercado é que essa combinação resulte em terminais e interfaces mais poderosos para desenvolvedores, tanto dentro da companhia quanto em produtos comerciais.
Serviço em nuvem vai fechar em novembro
Com o anúncio da compra, a Conductor iniciou o desligamento gradual de seus produtos atuais. Novos cadastros e downloads foram suspensos, e assinantes do plano Pro passaram a ter acesso gratuito aos recursos pagos.
O Conductor Cloud, versão em nuvem do serviço que roda agentes em máquinas virtuais sandboxadas, entra em modo somente leitura em 13 de novembro. A partir de 20 de novembro, o serviço será encerrado e a empresa começará a excluir os dados armazenados pelos usuários.
Até essa data, será possível exportar o conteúdo ou migrar os workspaces da nuvem para máquinas próprias. Usuários com assinaturas ativas deverão receber reembolsos, como parte do processo de transição. Segundo a Conductor, “mais de 100 mil pessoas usam o produto”, número que inclui equipes de empresas globais.
O aplicativo local para Mac continuará funcionando por mais tempo, mas também tem data para sair de cena. A startup informa que o app deve operar até o início de 2027, quando uma nova interface, desenvolvida já sob o guarda-chuva da Meta, deve ser lançada. A partir daí, novos modelos e correções críticas deixarão de ser entregues e os dados locais armazenados pelo app serão apagados.
Entenda o contexto
A Conductor foi criada por Charlie Holtz (CEO) e Jackson de Campos (CTO) e se posicionou desde o início como uma camada de orquestração de agentes de IA para código, mais do que como um modelo de inteligência artificial próprio. Em vez de disputar com os grandes laboratórios, a empresa aproveita os modelos já existentes e oferece infraestrutura para que trabalhem em conjunto e por longos períodos.
Em março, a startup levantou US$ 22 milhões em uma rodada Série A que atraiu fundos como Spark Capital e Matrix, além de Y Combinator e dos fundadores de ferramentas populares entre desenvolvedores, como Notion e Linear. O capital ajudou a escalar a base de usuários e consolidar a tecnologia, que agora passa a integrar o arsenal da Meta.
No comunicado sobre o fechamento gradual do serviço, a Conductor reforçou que “nunca vendeu dados de usuários nem treinou modelos com eles, e não planeja” fazer isso. A afirmação mira uma das principais preocupações de empresas que testam ferramentas de IA para código: o risco de que trechos proprietários acabem usados para treinar modelos generalistas.
A compra acontece no mesmo dia em que a OpenAI anunciou a aquisição da startup Pierre Computer, também focada em ferramentas de desenvolvimento com IA. A coincidência evidencia a corrida das grandes empresas de tecnologia para dominar o segmento de programação assistida por inteligência artificial, vista como peça-chave na produtividade de equipes de software e na própria velocidade de inovação dessas gigantes.
Para os usuários corporativos da Conductor, o curto prazo será de adaptação, com necessidade de buscar alternativas ou migrar fluxos para soluções internas. Para a Meta, o desafio agora é integrar rapidamente a equipe e a tecnologia adquiridas e transformar esse ativo em produtos concretos já no início de 2027, em um mercado que se move em ritmo cada vez mais acelerado.


