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Meta lança ação sem voto para Zuckerberg pagar imposto bilionário

Meta aprova nova classe de ações sem direito a voto para permitir que Mark Zuckerberg venda parte de sua participação, pague imposto de 5% sobre fortuna na Califórnia e mantenha cerca de 60% do poder de voto.

Meta lança ação sem voto para Zuckerberg pagar imposto bilionário

Tech Desk

Meta cria ações sem voto para que Zuckerberg possa vender parte da participação e pagar imposto sem perder controle da empresa.

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A Meta aprovou a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto, a Classe C, para que Mark Zuckerberg possa vender parte de sua participação na empresa, pagar o imposto sobre bilionários proposto na Califórnia e ainda assim manter o controle de cerca de 60% dos votos da companhia.

Como funciona a nova ação Classe C da Meta

Pelo plano aprovado pelo conselho de administração, a Meta vai emitir uma ação Classe C para cada ação Classe A ou B já existente, em um dividendo em ações que, na prática, equivale a um desdobramento de dois para um. As novas ações dão direito à fatia econômica da empresa, mas não oferecem voto nas decisões societárias.

Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA detalham que “o dividendo permitirá que o Sr. Zuckerberg venda ou transfira até 20% das ações Classe C que receber, representando 10% de sua participação econômica total na empresa, para qualquer motivo, incluindo o pagamento do imposto potencial sob a Proposta 40 da Califórnia, sem afetar seu controle majoritário de voto”.

Com a operação, metade das ações de Zuckerberg passará a ser Classe C. Ele poderá vender até 20% desse lote, o que corresponde a 10% de todo o seu patrimônio econômico na Meta, sem diluir o poder de voto, que permanece em torno de 60%. A estimativa é que o imposto chegue a até US$ 11 bilhões.

Oficialmente, a empresa afirma que a Classe C também servirá para levantar capital, remunerar funcionários com ações e viabilizar aquisições ligadas, sobretudo, à expansão em inteligência artificial, sem alterar a estrutura de poder concentrada no fundador.

Entenda o contexto

A Proposta 40, em debate na Califórnia, cria um imposto único de 5% sobre a riqueza líquida de algumas centenas de bilionários que vivem majoritariamente no estado. O desenho da medida foi elaborado por professores de direito tributário da Universidade de Berkeley e tem o apoio do maior sindicato de saúde da Califórnia, o SEIU United Healthcare Workers West.

Os idealizadores projetam arrecadar até US$ 100 bilhões ao longo de cinco anos, com a maior parte dos recursos destinada à saúde pública e o restante dividido entre alimentação e educação. A iniciativa coloca diretamente no alvo grandes fortunas ligadas ao setor de tecnologia do Vale do Silício.

Segundo o registro à autoridade reguladora, Zuckerberg discute os impactos da Proposta 40 com o conselho da Meta desde julho. Nas reuniões seguintes, entre julho e setembro, o tema voltou à mesa até a formatação do plano que culminou na nova classe de ações, anunciada na teleconferência de resultados desta semana. Em discussões internas, o executivo chegou a dizer que colocaria à venda sua propriedade em Palo Alto se não houvesse uma saída para o imposto.

Meta quer Zuckerberg ancorado na Califórnia

No mesmo documento, a companhia afirma que a decisão também busca garantir a permanência de Zuckerberg na liderança, a partir da Califórnia. “O Comitê Especial afirmou sua crença de que era importante que o Sr. Zuckerberg continuasse a liderar a empresa da Califórnia, inclusive porque é crucial que ele permaneça em coordenação próxima com a gestão da empresa e próximo ao Meta Superintelligence Labs”, diz o comunicado oficial.

A Meta vem apostando pesado em laboratórios de inteligência artificial avançada, reunidos sob a marca Meta Superintelligence Labs. A avaliação interna é de que a presença física do fundador perto dessas equipes é estratégica para a continuidade dos projetos de longo prazo.

Imposto bilionário divide Vale do Silício

A Proposta 40 acirrou o clima político e econômico na Califórnia. Entre os críticos mais ruidosos está Sergey Brin, cofundador do Google, que investe recursos próprios em campanhas contra o imposto. O argumento central dos opositores é que a tributação da fortuna poderia provocar fuga de capital e enfraquecer a economia do estado.

Do outro lado, defensores da medida sustentam que o impacto social da arrecadação justifica a cobrança excepcional sobre os super-ricos. “Se aprovarmos a Proposta 40, crianças pobres da Califórnia poderão ter acesso à saúde”, afirma o deputado democrata Ro Khanna, um dos principais porta-vozes da iniciativa.

O parlamentar vê na estratégia da Meta um sinal de que os bilionários, em vez de deixar o estado, buscarão formas de acomodar o novo custo. “Parece que os bilionários vão ficar e encontrar uma forma de pagar o imposto”, disse Khanna.

O que muda para Zuckerberg e para outros bilionários

Na prática, a engenharia acionária da Meta permite que Zuckerberg converta parte de sua fortuna em liquidez para pagar o imposto, sem vender propriedades pessoais nem abrir mão do controle estratégico da empresa. O desenho, que combina ações com e sem voto, é visto por especialistas em tributação como um modelo que pode ser replicado por outras companhias de tecnologia.

Para o estado da Califórnia, porém, a disseminação de estruturas semelhantes pode reduzir o potencial transformador do imposto, ao permitir que os bilionários administrem o impacto sem alterar de forma significativa sua influência econômica e corporativa. A médio prazo, essa movimentação tende a alimentar debates sobre fechamento de brechas legais e ajustes na legislação para garantir que a cobrança atinja o objetivo de reduzir desigualdades.

A nova classe de ações da Meta entra em vigor em janeiro. Até lá, o mercado e os demais acionistas acompanham como o plano será detalhado e se a Proposta 40 será confirmada, em um embate que mistura alta tecnologia, engenharia financeira e disputa em torno de justiça fiscal na principal economia dos Estados Unidos.

Fonte: matéria original