MT usa só IA para corrigir redações do Pré-Enem e dá 50 tablets
Seduc-MT decide que inteligência artificial fará sozinha a correção das redações dos simulados do Pré-Enem Digit@l MT. Nota não poderá ser revista e vale para disputa de 50 tablets.

Inteligência Artificial
Seduc-MT adota tecnologia para avaliar redações do Pré-Enem e distribuir tablets aos melhores colocados.
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As redações dos simulados do Projeto Pré-Enem Digit@l MT passam a ser corrigidas exclusivamente por inteligência artificial em todo o Mato Grosso, e a nota atribuída pelo sistema será definitiva para definir quem leva 50 tablets oferecidos pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Não haverá revisão por professores nem possibilidade de contestar os critérios usados pela tecnologia.
Correção automática e nota inquestionável
A regra está no edital nº 020/2026/GS/Seduc/MT, publicado nesta quarta-feira (4) no Diário Oficial, e vale para os dois simulados previstos para o segundo semestre. O documento determina que “a nota dada pela ferramenta será definitiva para a classificação dos estudantes na premiação” e que “os estudantes que participarem da disputa por 50 tablets não poderão pedir uma nova correção feita por um professor ou outro profissional, nem contestar os critérios utilizados pelo sistema”.
O sistema de IA vai avaliar os textos com base nas mesmas competências cobradas na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas a mudança vale apenas para os simulados do projeto, sem qualquer efeito sobre a correção oficial do exame nacional.
O edital não informa qual tecnologia será usada, nem traz detalhes sobre eventuais testes de precisão, margens de erro ou mecanismos para revisar notas em casos de falha. Também não há explicação pública sobre como a ferramenta foi escolhida ou auditada.
Combate a plágio e fraudes
Além de atribuir as notas, a inteligência artificial será responsável por checar plágio e uso indevido de recursos externos. O texto do edital prevê que o sistema identifique cópias e redações produzidas com ferramentas não autorizadas durante o simulado.
Se a plataforma apontar fraude, o estudante pode ser desclassificado da disputa pelos aparelhos, seguindo os procedimentos previstos no edital. A Seduc-MT não detalha, porém, quais sinais de suspeita serão considerados nem se haverá revisão humana nesses casos específicos.
Como será a disputa pelos 50 tablets
O Pré-Enem Digit@l MT vai distribuir 50 tablets entre os participantes com melhor desempenho nas provas. Serão 25 aparelhos destinados aos primeiros colocados no primeiro simulado e outros 25 para os melhores resultados no segundo.
A classificação considera a soma das notas de cinco áreas avaliadas no modelo Enem: Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Redação. As provas objetivas serão corrigidas pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), mesmo método usado na prova nacional, enquanto a redação será inteiramente pontuada pela inteligência artificial da plataforma dos simulados.
Em caso de empate na 25ª colocação de cada prova, a redação será o primeiro critério de desempate: fica com a vaga quem tiver a maior nota no texto. Se o empate persistir, valem, nessa ordem, as notas de Matemática e de Linguagens.
Quem pode participar do Pré-Enem Digit@l MT
O projeto atende estudantes do 2º e do 3º ano do Ensino Médio da rede estadual de Mato Grosso, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e pessoas que já concluíram o Ensino Médio. As inscrições deste ano ficaram abertas de 1º a 21 de junho, com vagas para aulas e atividades gratuitas de preparação para o Enem.
A programação inclui conteúdos on-line e presenciais, videoaulas, revisões, simulados e exercícios de produção textual. A disputa pelos tablets, no entanto, é exclusiva para quem está regularmente inscrito no curso.
Entenda o contexto
A adoção da inteligência artificial como única responsável pela correção das redações marca uma mudança importante na rotina de avaliações preparatórias para o Enem na rede estadual de Mato Grosso. Até agora, a correção de textos em simulados costumava envolver professores e equipes pedagógicas, que podiam discutir critérios e oferecer devolutivas individualizadas.
Com a nova regra, todo o processo passa a ser automatizado nos simulados que valem para a premiação. A promessa é de agilidade na divulgação dos resultados, padronização das notas e maior controle sobre plágio e uso indevido de ferramentas, em um contexto de popularização de geradores de texto.
Por outro lado, a decisão elimina qualquer canal de recurso para estudantes que se sintam prejudicados pela avaliação da máquina e retira do professor o papel final de avaliador nessas provas específicas. A falta de informações sobre qual sistema será usado e sobre eventuais testes de validação tende a alimentar o debate sobre transparência, possíveis vieses e a necessidade de regras claras para o uso de IA em avaliações educacionais.
Concurso de vídeos tem premiação separada
A entrega dos 50 tablets está ligada apenas ao desempenho nos simulados e não se confunde com o concurso “Desafio Estudante Influencer: Enem 2026”, também previsto no mesmo edital. Esse outro eixo da iniciativa é voltado a estudantes do 3º ano do Ensino Médio e do 3º semestre da EJA e premia vídeos que incentivem a participação no exame.
No concurso de vídeos, as recompensas incluem brindes como camisetas, cadernos, mochilas, aparelhos de leitura digital, fones de ouvido e uma viagem ao Rio de Janeiro para três vencedores estaduais, acompanhados dos respectivos professores tutores. Ganhar ou participar do desafio, porém, não garante vaga entre os 50 contemplados com tablets, que serão definidos exclusivamente pelas notas dos simulados corrigidos com apoio da inteligência artificial.

