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Inteligência Artificial

Uso de inteligência artificial nas empresas do Brasil dobra em dois anos

Em dois anos, a fatia de indústrias que usam IA salta de 16,9% para 41,9%, e metade dos pequenos negócios já testa ferramentas. Agentes de IA passam a tocar processos inteiros e gerar milhões em resultados.

Uso de inteligência artificial nas empresas do Brasil dobra em dois anos

Inteligência Artificial

A adoção de IA nas empresas brasileiras cresce rapidamente, transformando processos e impulsionando resultados financeiros.

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O uso de inteligência artificial nas empresas brasileiras mais que dobra em dois anos e começa a redesenhar a rotina de indústrias e pequenos negócios, com agentes de IA assumindo processos inteiros e entregando ganhos diretos em redução de custos e aumento de receita.

Indústrias aceleram adoção de IA

Dados da PINTEC Semestral 2024, do IBGE, mostram que a fatia de empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas que utilizam inteligência artificial salta de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. Em números absolutos, o total de indústrias que adotam a tecnologia passa de 1.619 para 4.261, um avanço de 163%.

Nas grandes empresas, a IA já está concentrada sobretudo em tarefas administrativas e de apoio à operação. O IBGE aponta que 87,9% das indústrias que usam a tecnologia a empregam em administração, 75,2% em comercialização e 73,1% em desenvolvimento de projetos.

O instituto relaciona parte dessa arrancada à popularização das ferramentas de IA generativa, que baratearam e simplificaram o acesso à tecnologia mesmo para empresas sem grandes equipes de tecnologia da informação.

Pequenos negócios entram no jogo

O movimento não fica restrito às grandes indústrias. Levantamento sobre transformação digital nos pequenos negócios, conduzido pelo Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa, mostra que 52% dos empreendedores entrevistados usaram alguma ferramenta de IA nas duas semanas anteriores à pesquisa.

O estudo ouviu 7.182 microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. Entre eles, 60% afirmam que pretendem adotar ou ampliar o uso de inteligência artificial no semestre seguinte, sinalizando uma segunda onda de crescimento entre os pequenos.

Na prática, esses negócios usam IA principalmente para tarefas como atendimento automatizado, criação de conteúdo de marketing, apoio administrativo, organização de finanças e suporte à gestão de estoque e vendas online.

De copilotos a agentes que tocam áreas inteiras

Dentro das empresas, o uso da inteligência artificial costuma ser descrito em três níveis. No primeiro, a tecnologia funciona como um assistente acionado por uma pessoa, respondendo perguntas e produzindo textos, planilhas ou códigos sob demanda. No segundo, agentes de IA já executam processos inteiros, com pouca intervenção humana. No terceiro, grupos de agentes passam a operar áreas completas do negócio, integrados a sistemas e rotinas.

É nessa transição do uso pontual para a automatização de processos que está a maior parte do ganho financeiro, avalia Cayo Syllos, CEO da Pixel AI, empresa especializada em implementação de agentes de IA em companhias brasileiras. “As empresas que estão gerando resultado financeiro com IA já passaram do copiloto. Estão, no mínimo, no nível 2, com agentes executando processos inteiros, e não apenas respondendo a perguntas”, afirma.

A Pixel AI atua justamente em projetos de desenho, construção e implantação desses agentes. Segundo a companhia, mais de 2 mil empresas integram hoje sua base de membros. Apenas em 2026, os projetos desenvolvidos por esses clientes somam mais de R$ 60 milhões em resultados financeiros, entre redução de custos e geração de receita.

Mercado muda toda semana, foco é no caixa

Para quem está à frente das decisões, o desafio passa a ser selecionar o que realmente importa em meio a um mercado de inteligência artificial em rápida mutação. “O mercado de inteligência artificial muda toda semana. O empresário não precisa acompanhar cada lançamento, precisa saber o que muda o resultado da empresa na semana seguinte”, diz Bruno Okamoto, CCO da Pixel AI.

Na prática, isso significa priorizar casos de uso com impacto direto no fluxo de caixa – como automação de rotinas administrativas, atendimento e cobrança – em vez de dispersar esforços em dezenas de testes sem conexão com indicadores de negócio.

Segundo a empresa, a demanda mais frequente vem de áreas como marketing, vendas, atendimento, financeiro e operações, onde é possível medir em pouco tempo economia de horas de trabalho humano, queda em erros operacionais e aumento de conversão de vendas.

Entenda o contexto

O avanço recente da inteligência artificial nas empresas brasileiras é puxado por três fatores principais: queda de barreiras tecnológicas, pressão por produtividade e maturidade maior das ferramentas disponíveis. Plataformas de IA generativa passaram a ser oferecidas em português, com interfaces simples e modelos de assinatura de baixo custo, o que atraiu tanto grandes indústrias quanto MEIs.

Ao mesmo tempo, a combinação de juros altos por um longo período, competição intensa e necessidade de recuperar margens apertou o caixa das empresas, incentivando cortes de custos e busca por eficiência. A automação com IA aparece como alternativa mais rápida e flexível do que reestruturar equipes inteiras ou trocar sistemas legados complexos.

Esse cenário tende a ampliar as diferenças entre negócios mais e menos digitalizados. Empresas que conseguem investir em tecnologia e reorganizar processos ganham produtividade e competitividade, enquanto quem fica de fora corre o risco de perder espaço no mercado.

Da prova de conceito à rotina diária

Especialistas em implementação de IA apontam que o ponto crítico não está mais em fazer testes pontuais, mas em levar os projetos para a rotina diária. “A implementação só gera economia quando o agente entra no processo e é medido todos os dias, com indicador e responsável definidos”, afirma Matheus Cardozo, COO da Pixel AI.

Ele explica que, sem essa etapa, empresas até chegam a experimentar ferramentas de IA, mas não capturam ganhos sustentáveis. Na própria Pixel AI, parte de áreas internas como marketing, financeiro e produção de conteúdo já é executada por agentes criados pela companhia, com metas e métricas de desempenho acompanhadas diariamente.

Essa profissionalização da gestão de projetos de IA inclui definir claramente o processo que será automatizado, identificar quais dados serão usados, adaptar fluxos de trabalho, treinar equipes para conviver com os agentes e ajustar indicadores de desempenho para considerar a nova divisão de tarefas entre humanos e máquinas.

O que vem a seguir para as empresas brasileiras

Os dados de IBGE e Sebrae sugerem que a inteligência artificial tende a se consolidar como peça central da competitividade empresarial no país. Nas grandes indústrias, o próximo passo é aprofundar a integração da IA com sistemas de produção, logística e cadeia de suprimentos, ampliando ganhos de escala. Nos pequenos negócios, a tendência é sair do uso experimental em marketing e conteúdo para processos mais estratégicos de gestão e relacionamento com o cliente.

Ao mesmo tempo, o avanço rápido da tecnologia pressiona por políticas públicas e estratégias privadas de qualificação profissional e inclusão digital, para que setores menos digitalizados não fiquem para trás. Para empresários e gestores, a mensagem é clara: IA deixou de ser aposta de futuro distante e passa a ser, agora, ferramenta concreta de eficiência operacional e sobrevivência competitiva.