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Lançamentos de IA

Nvidia lança data center em 14 dias e robô humanoide na Europa

Em Berlim, Jensen Huang apresentou o DSX Pod, data center de IA plug-and-play que entra em operação em 14 dias, e uma plataforma para robótica humanoide, em meio a protesto do Greenpeace.

Nvidia lança data center em 14 dias e robô humanoide na Europa

Tecnologia

Nvidia apresenta em Berlim soluções inovadoras em IA e robótica, enfrentando protestos ambientais.

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Jensen Huang, CEO da Nvidia, usou a conferência global da empresa em Berlim para desenhar um futuro em que a Europa deixa de ser apenas consumidora e passa a produzir tecnologia de inteligência artificial, com data centers plug-in, robôs humanoides e parcerias com gigantes como Volkswagen e Mercedes. Diante de um público de 4.000 pessoas no Tempodrom, ele lançou o DSX Pod, um data center modular que entra em operação em 14 dias, e anunciou uma plataforma completa para robótica humanoide, incluindo o robô de referência Agile One, previsto para o primeiro trimestre do ano que vem.

Data center de IA em 14 dias

O principal anúncio de Huang foi o DSX Pod, descrito por ele como uma “fábrica de IA” modular. O sistema chega pré-montado em grandes contêineres metálicos, equipados com racks de computação Vera Rubin da Nvidia, e foi projetado como solução plug-and-play para acelerar a construção de centros de dados dedicados à IA.

Segundo o executivo, a estrutura pode ser ligada e começar a operar em apenas 14 dias, em contraste com os meses ou anos normalmente necessários para erguer um data center tradicional. “This is a complete transformation”, disse Huang, ao argumentar que a redução drástica do tempo de implantação também diminui o período em que a capacidade de computação fica ociosa.

Para a Europa, onde projetos de infraestrutura costumam avançar lentamente, a aposta é que esses módulos de alta densidade de processamento possam ser instalados em ritmo muito mais rápido por empresas e governos, destravando projetos de IA em larga escala e aplicações de computação de alto desempenho.

Robôs humanoides e IA física

Outro eixo central do discurso foi a chamada “IA física”, que vai da robótica humanoide à presença de chips de alto desempenho em infraestruturas como torres de telecomunicações. “Humanoid robotics will be the next great industry”, afirmou Huang, defendendo que a tradição industrial europeia coloca o continente em posição privilegiada para liderar esse mercado. “This is your great opportunity”, reforçou.

Para acelerar esse movimento, a Nvidia anunciou uma plataforma de robótica humanoide “full stack”, que padroniza desde o hardware até o software de desenvolvimento. Dentro desse pacote está o Agile One, um robô de referência pré-configurado que a empresa promete disponibilizar no primeiro trimestre do próximo ano, para que desenvolvedores e fabricantes possam começar a testar e construir sistemas de IA física sem partir do zero.

Huang também destacou que a IA física não se limita às fábricas. Operadoras de telecomunicações, por exemplo, já começam a instalar GPUs Nvidia em torres de celular para levar recursos de processamento de IA para a borda da rede, reduzindo latência e abrindo espaço para novos serviços conectados.

Parcerias com Volkswagen e Mercedes

No setor automotivo, o CEO confirmou parcerias com Volkswagen e Mercedes para o desenvolvimento de veículos autônomos, usando a plataforma de computação e os softwares de IA da Nvidia. A estratégia reforça o papel da empresa como fornecedora de infraestrutura crítica para montadoras europeias em um momento de transição para carros mais conectados e automatizados.

Ao falar de modelos de IA, Huang disse acreditar que as empresas combinarão sistemas fechados e abertos, sempre adaptados aos próprios dados. “Every company in the future will use both closed models as well as open models that you customize”, previu, citando modelos de código aberto da Nvidia que, segundo ele, alcançam desempenho de ponta quando treinados com dados proprietários.

Ele também projetou a expansão dos chamados agentes de IA — sistemas capazes de raciocinar, iterar e usar ferramentas de forma autônoma —, o que, na avaliação dele, fará crescer o número de usuários de softwares e, com isso, o consumo de tokens de processamento e a demanda por poder computacional, em especial por GPUs da própria Nvidia.

Entenda o contexto

Ao longo de 90 minutos de apresentação, Huang buscou convencer o público de que a Europa tem condições de ser protagonista na economia da inteligência artificial, desde que invista em capacidade produtiva própria. “To be part of this AI economy, you don’t want to just be consuming the AI. You want to be producing the AI”, disse. “We can do all of that here in Europe”, completou, em inglês.

A visão passa pela disseminação de centros de dados de rápida instalação, pela adoção de robôs humanoides em fábricas e serviços e por parcerias com setores tradicionais, como o automotivo e o de telecomunicações. Na prática, isso significa aumentar a oferta de infraestrutura de computação, reduzir custos operacionais e permitir que empresas europeias personalizem modelos de IA para suas necessidades.

Protesto do Greenpeace expõe pressão ambiental

O clima de espetáculo tecnológico no Tempodrom foi interrompido quando dois ativistas do Greenpeace se levantaram na plateia e abriram uma faixa pedindo que a Nvidia “limpasse seus negócios sujos”. O protesto mirou o impacto ambiental da infraestrutura de computação pesada que sustenta a IA, tema que ganha relevância à medida que data centers consomem mais energia e recursos naturais.

Os manifestantes foram retirados pela segurança enquanto Huang pedia calma. “Go easy”, orientou o executivo aos seguranças, em inglês, antes de retomar a apresentação. O episódio evidenciou a pressão crescente para que empresas de tecnologia não só avancem em desempenho, mas também adotem práticas mais transparentes e sustentáveis.

Para além do protesto, a própria proposta de data centers modulares pode ser vendida como uma forma de reduzir desperdícios, ao encurtar o tempo de ociosidade de equipamentos caros e potencialmente aumentar a eficiência energética. Ainda assim, a expansão rápida de infraestrutura de IA tende a alimentar debates regulatórios e sociais sobre consumo de energia, emissões e uso responsável de recursos.

Europa mira protagonismo na economia da IA

As reações na plateia e entre empresas parceiras foram majoritariamente entusiasmadas, com a combinação de DSX Pod, plataforma de robótica humanoide e parcerias automotivas sendo vista como um mapa para que o continente dispute a liderança da chamada economia da IA.

Nos próximos meses, a Nvidia deve começar a ofertar comercialmente o DSX Pod e preparar o lançamento do Agile One, enquanto amplia o número de indústrias atendidas com modelos de IA customizados. Se o plano de Huang se concretizar, a Europa pode se consolidar como polo de inovação em IA física e serviços avançados — ao preço de ter de equilibrar o apetite por poder computacional com metas de sustentabilidade e aceitação social.

Para fechar a apresentação, a Nvidia exibiu uma música gerada por IA em estilo Eurovision, que resumiu em tom bem-humorado os anúncios feitos no palco e ajudou a traduzir, para o público mais amplo, a mensagem de que a próxima fase da inteligência artificial será cada vez mais europeia — e cada vez mais física.

Fonte: matéria original