Reino Unido alerta para ataques de IA à infraestrutura até 2028
Chefe de cibersegurança do Reino Unido prevê ataques com uso de IA contra infraestrutura crítica até 2028 e cobra medidas urgentes de proteção de empresas e serviços essenciais.
Inteligência Artificial
Especialistas alertam para riscos crescentes de ataques cibernéticos com IA contra sistemas essenciais do Reino Unido.
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O chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC) do Reino Unido, Richard Horne, afirmou nesta semana que o país provavelmente enfrentará até 2028 ataques cibernéticos com uso intensivo de inteligência artificial (IA) contra infraestrutura crítica, como redes de energia, sistemas de água e linhas de produção, se empresas e órgãos públicos não reforçarem rapidamente suas defesas digitais.
Ameaça de ataques com IA à infraestrutura crítica
Segundo Horne, Estados como China e Rússia e grupos criminosos já usam IA para ampliar a escala e a eficiência de operações hostis, incluindo malware de nova geração para ataques de ransomware. A tecnologia permite automatizar a busca por brechas em larga escala e acelerar a exploração de falhas em sistemas sensíveis.
“Vulnerabilidades que vêm sendo toleradas há tempo demais serão descobertas e exploradas em uma escala que antes era inimaginável”, disse o chefe do NCSC. Ele destacou que a tendência não é a IA criar vulnerabilidades totalmente novas, mas potencializar táticas que já existem, tornando-as mais rápidas, baratas e difíceis de conter.
Para Horne, infraestrutura crítica vai muito além de redes de energia. “A tecnologia é a base da automação de processos físicos que são vitais para a vida moderna”, afirmou. Entram nesse grupo a distribuição de eletricidade, comportas em instalações hídricas, operações de barragens, linhas de produção industriais e sistemas de aquecimento e refrigeração, entre outros.
Falhas em linguagem usada em 70% dos sites
O alerta ocorre na esteira de uma corrida por correções emergenciais após a descoberta, com auxílio de IA, de falhas graves em uma linguagem de programação usada por cerca de 70% dos sites do mundo. As vulnerabilidades identificadas poderiam permitir acesso remoto não autenticado a servidores web, abrindo caminho para que invasores assumam o controle de sites e serviços sem precisar de senha.
Governos e empresas trabalharam em atualizações de segurança para reduzir o risco de exploração dessas brechas, que ilustram como a IA já está sendo empregada para vasculhar códigos em busca de pontos fracos antes ignorados ou pouco compreendidos.
Horne citou ainda ataques recentes a sistemas de refrigeração de supermercados na França como exemplo de como agentes hostis conseguem, com relativa facilidade, usar ataques digitais para afetar diretamente a infraestrutura civil e o abastecimento.
Entenda o contexto
O Reino Unido e a União Europeia atribuem à Rússia um ataque contra a rede de energia da Polônia ocorrido em período recente, que, se tivesse obtido pleno êxito, poderia ter deixado 500 mil pessoas sem eletricidade em pleno inverno. O episódio é apontado como sinal da disposição de potências estrangeiras em mirar infraestrutura essencial europeia.
No campo econômico, o impacto também é crescente. De acordo com o NCSC, atividades cibernéticas maliciosas custam cerca de US$ 20 bilhões por ano às organizações no Reino Unido. Um dos casos mais emblemáticos foi o ataque à Jaguar Land Rover, que resultou em mais de US$ 260 milhões em perdas diretas e atingiu fornecedores e a economia local.
Para especialistas em segurança, o avanço da IA tende a baratear e profissionalizar ainda mais esse tipo de crime, permitindo que grupos com menos recursos técnicos usem ferramentas automatizadas para lançar campanhas sofisticadas em escala global.
Chefe do GCHQ cobra ação imediata de empresas
Em paralelo ao alerta de Horne, a diretora do GCHQ, Anne Keast-Butler, fez um apelo direto ao setor privado e às instituições britânicas para que adotem, sem demora, medidas básicas de proteção digital. “Precisamos que todas as organizações no Reino Unido tomem medidas agora. Não apenas para proteger seus clientes, serviços e meios de subsistência, mas porque a segurança cibernética agora faz parte da linha de frente da defesa de nossa nação”, afirmou.
Entre as recomendações, o NCSC destaca três ações consideradas simples e de alto impacto: manter sistemas e dispositivos sempre atualizados com as correções de segurança mais recentes; limitar rigorosamente acessos administrativos a sistemas críticos; e realizar backups regulares de dados importantes, armazenados de forma isolada de redes principais para resistir a ataques de ransomware.
Para as autoridades britânicas, sem esse “mínimo obrigatório” de higiene digital disseminado por toda a economia, dos grandes conglomerados às pequenas empresas, o país entra na segunda metade da década em desvantagem frente a adversários que já exploram o potencial da IA para testar, invadir e, em último caso, paralisar serviços essenciais.


