Telescópio Swift pode deixar destroços no Brasil, diz Urânia
Telescópio espacial Neil Gehrels Swift, da NASA, inicia queda descontrolada após 22 anos em órbita. Partes do Norte e Nordeste estão na faixa possível de reentrada.

Espaço
Telescópio da NASA inicia queda e pode deixar destroços no Norte e Nordeste do Brasil.
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O telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory, da NASA, entrou em rota de reentrada na atmosfera e pode deixar destroços em solo brasileiro nas próximas semanas, sobretudo em áreas do Norte e Nordeste que estão dentro da faixa de sua órbita inclinada em cerca de 20,6° em relação à Linha do Equador. Especialistas, porém, ressaltam que a chance existe, mas não há qualquer previsão concreta de impacto no país.
Quando e onde o telescópio Swift da NASA deve cair na Terra?
Não há data, horário nem local definidos para a queda do telescópio Swift; por enquanto, só se sabe que a reentrada deve ocorrer nas próximas semanas, em algum ponto da faixa coberta por sua órbita.
O Swift realizou sua última observação científica em 20 de outubro, já a aproximadamente 275 quilômetros de altitude, quando o aumento do arrasto atmosférico começou a atrapalhar a orientação da espaçonave. Desde então, o observatório vem perdendo altitude de forma acelerada e caminha para atravessar as camadas mais densas da atmosfera, etapa em que a maior parte da estrutura deve ser destruída pelo aquecimento intenso.
A incerteza sobre o local e o momento exatos da queda é grande. Pequenas variações na densidade da atmosfera, mudanças na atividade solar e o próprio comportamento do telescópio ao se aquecer e se fragmentar podem alterar significativamente o ponto final da reentrada. À medida que o Swift se aproximar da atmosfera mais densa, cálculos orbitais atualizados deverão permitir previsões mais precisas, mas, por enquanto, qualquer indicação de lugar específico é especulação.
Quais são os riscos da queda do telescópio espacial da NASA no Brasil?
O risco existe, mas é considerado baixo: o Brasil está dentro da faixa de órbita do Swift, o que torna fisicamente possível a queda de destroços, porém a maior parte do telescópio deve se desintegrar na atmosfera e não há dados que indiquem hoje um impacto certo sobre o país.
A órbita atual do observatório é inclinada cerca de 20,6 graus em relação à Linha do Equador, abrangendo parte do território brasileiro, especialmente regiões do Norte e Nordeste. Isso significa que, em tese, fragmentos que sobrevivam à reentrada podem atingir áreas dentro dessa faixa. Ao mesmo tempo, uma grande porção do percurso do satélite passa sobre oceanos e outros continentes, o que dilui a probabilidade de queda justamente aqui.
Durante a reentrada, o telescópio será submetido a temperaturas altíssimas. Estruturas mais leves e externas tendem a ser totalmente destruídas, enquanto componentes mais densos e resistentes podem atravessar o aquecimento e chegar ao solo em forma de fragmentos menores. Sem dados sobre o ponto exato de início da fragmentação e a altitude em que isso ocorrerá, não é possível indicar se possíveis destroços atingiriam áreas povoadas ou acabariam no mar.
Para o Prof. Dr. Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário, é preciso cuidado na leitura dos cenários. “É importante separar possibilidade de previsão. O Brasil não pode ser descartado simplesmente por estar parcialmente dentro da faixa orbital do Swift, mas hoje não existe qualquer dado que permita afirmar que os destroços cairão no país”, afirma.
Entenda o contexto
Lançado para uma missão inicialmente planejada para durar apenas dois anos, o Neil Gehrels Swift Observatory chegou a quase 22 anos em operação, monitorando eventos cósmicos de alta energia. Nesse período, registrou mais de 2 mil explosões de raios gama e ajudou a estudar supernovas, buracos negros, asteroides e cometas, tornando-se uma referência na astronomia de fenômenos extremos.
Com o desgaste natural e a perda gradual de altitude, a NASA tentou prolongar a história do telescópio com uma missão de recuperação em parceria com a empresa privada Katalyst. A operação, descrita como milionária, fracassou, e o Swift acabou abandonado em órbita, sem possibilidade de correção de trajetória ou desorbitamento controlado. Agora, resta apenas acompanhar a queda.
A Urânia Planetário informa que segue monitorando as atualizações sobre a reentrada e promete divulgar previsões refinadas assim que os cálculos permitirem margens menores de erro. As transmissões ao vivo e análises semanais do observatório têm sido usadas para explicar o fenômeno ao público e reduzir alarmismos, reforçando que o episódio é raro, mas faz parte da rotina de satélites e telescópios em fim de vida útil.


