Samsung lucra 15 vezes mais com chips, mas ações caem forte
Samsung tem lucro operacional de 107,4 trilhões de won no trimestre, quase todo vindo de chips para IA. Ações caem após empresa evitar anunciar retorno extra a acionistas e adotar tom conservador.

Inteligência Artificial
Apesar do lucro recorde com chips para IA, a Samsung enfrenta queda significativa nas ações devido a decisões estratégicas cautelosas.
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A Samsung Electronics anunciou nesta quinta-feira (29) um salto de 15 vezes no lucro trimestral com chips, impulsionado pela demanda de inteligência artificial, mas viu suas ações caírem na Coreia do Sul após evitar novos planos de retorno financeiro aos acionistas e adotar uma leitura mais conservadora do mercado do que a rival SK Hynix.
Lucro recorde vem quase todo da divisão de chips
No trimestre de julho a setembro, o lucro operacional total da Samsung atingiu 107,4 trilhões de won, muito acima dos 12,2 trilhões de won registrados um ano antes. A divisão de semicondutores respondeu por 106,5 trilhões de won desse resultado, concentrando praticamente todo o lucro do conglomerado.
Mesmo assim, o desempenho da área de chips ficou ligeiramente abaixo da estimativa de mercado, que apontava para 107,3 trilhões de won. A diferença não impediu que o resultado fosse visto como um marco para o setor, já que o avanço é puxado por componentes essenciais para treinar e rodar modelos de IA em larga escala, especialmente em data centers.
Em comunicado, a empresa destacou que o setor de memória está entrando em um novo patamar de investimento. “Em 2027, o setor (de memória) espera que os gastos de capital com infraestrutura de IA atinjam um nível histórico à medida que o ecossistema de IA se expande”, afirmou a Samsung.
Investidores reagem a falta de dividendos extras
Apesar do lucro forte, a reação do mercado foi negativa. Investidores esperavam anúncios mais agressivos de retorno de capital — como dividendos extraordinários ou recompra de ações — em linha com o movimento da concorrente SK Hynix.
Na véspera, a SK Hynix divulgou resultados acima das projeções, mostrou otimismo com a continuidade do ciclo de alta dos chips de memória e apresentou um plano para devolver cerca de US$ 75 bilhões aos acionistas em 2026. O contraste reforçou a frustração com a postura mais cautelosa da Samsung.
Analistas apontam que, no curto prazo, a ausência de sinalizações claras sobre distribuição de recursos tende a pressionar as ações, mesmo com a empresa surfando o boom da IA e registrando margens crescentes na divisão de semicondutores.
Entenda o contexto
A virada da Samsung ocorre em meio a uma corrida global por chips de alta performance, em especial os HBM, memórias de alto desempenho usadas em placas e servidores voltados para aplicações de IA generativa e análise de dados em massa.
Esse tipo de componente se tornou peça-chave para gigantes de tecnologia que operam nuvens e data centers, o que abriu uma oportunidade bilionária para fabricantes de memória na Coreia do Sul, como Samsung e SK Hynix.
Estoque de HBM esgotado e mercado apertado até 2028
No balanço, a Samsung informou que seu estoque de chips HBM destinados a 2027 já está esgotado, reflexo de pedidos antecipados de grandes clientes que operam data centers de IA. A companhia relatou que esses compradores estão solicitando volumes adicionais, sinal de que a demanda continua acelerando.
A empresa projeta que, em 2027, os investimentos globais em infraestrutura de IA atinjam um nível sem precedentes, o que deve fazer com que a procura por memória exceda em muito a oferta do setor em relação a 2026. A avaliação da Samsung, porém, é que o mercado continuará “restrito” até 2028, já que a construção de novas fábricas leva anos até atingir produção plena.
Para tentar acompanhar esse movimento, a companhia prevê um aumento de 62% nos gastos de capital da divisão de chips em 2027, que devem chegar a 76,8 trilhões de won. Os recursos vão para expansão de capacidade, modernização de linhas de produção e desenvolvimento de tecnologias de memória mais avançadas para IA.
Pressão sobre a estratégia da Samsung
O contraste entre lucros robustos e ações em queda deve manter a pressão sobre a Samsung para ajustar sua política de comunicação com o mercado e de retorno aos acionistas. Investidores cobram mais previsibilidade sobre dividendos e eventuais programas de recompra, especialmente diante do plano bilionário anunciado pela SK Hynix.
Ao mesmo tempo, a empresa precisa equilibrar essa demanda com a necessidade de investir pesado em nova capacidade produtiva para não perder terreno na disputa por liderança em chips de IA. Fornecedores de equipamentos e materiais para fabricação de semicondutores tendem a se beneficiar dos aportes anunciados, enquanto o setor como um todo encara anos de oferta apertada e exigência de inovação contínua.


