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Inteligência Artificial

Saylor alerta para uso de IA por hackers após ataques a Binance

No OranjeBTC Summit em São Paulo, Michael Saylor disse que a inteligência artificial está tornando hackers mais perigosos e cobrou testes de segurança mais rígidos de corretoras e bancos digitais.

Saylor alerta para uso de IA por hackers após ataques a Binance

Inteligência Artificial

Michael Saylor destaca riscos crescentes com IA e pede reforço na segurança de plataformas financeiras digitais.

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Durante o OranjeBTC Summit, em São Paulo, Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, afirmou que o avanço da inteligência artificial está tornando os ataques cibernéticos mais sofisticados e elevando os riscos para corretoras de criptomoedas, bancos digitais e serviços financeiros. O executivo citou os recentes incidentes na Binance e no Mercado Bitcoin, e cobrou uso intensivo de IA defensiva e autenticação mais forte para proteger o dinheiro dos clientes.

O que Michael Saylor disse sobre o ataque à Binance?

Saylor usou o ataque à Binance, no fim de outubro, como exemplo de como sistemas que movimentam grandes volumes de ativos digitais se tornaram alvo prioritário de criminosos equipados com inteligência artificial. No episódio, cerca de US$ 6,34 bilhões em ativos digitais foram afetados, em um incidente que, segundo a própria empresa, não gerou perdas para clientes, já que os prejuízos seriam arcados com recursos próprios.

Quatro dias depois, o Mercado Bitcoin também identificou um ataque, que atingiu suas chamadas carteiras quentes, usadas para operações do dia a dia. A corretora brasileira igualmente garantiu que cobriria eventuais danos aos usuários. Os dois casos foram citados por Saylor como sinais de que a pressão sobre a infraestrutura das plataformas está aumentando.

“Um hacker que tenha os modelos mais avançados ao seu alcance se torna um hacker muito competente”, afirmou o executivo. Para ele, o problema central não é apenas o volume de valores em jogo, mas a combinação de softwares cada vez mais complexos com a pressa para colocá-los em operação.

“A coisa mais vulnerável do mundo será um software complicado, mal construído, que movimenta dinheiro”, disse. Em outro momento, resumiu o diagnóstico: “A verdadeira ameaça é um hacker altamente focado, utilizando inteligência artificial contra um software novo, que não foi adequadamente testado nem protegido e que alguém colocou em produção rápido demais”.

Como a inteligência artificial pode aumentar o perigo dos hackers?

Na avaliação de Saylor, modelos avançados de IA potencializam o trabalho de hackers ao automatizar testes de invasão, encontrar falhas de forma mais rápida e escalar ataques contra softwares complexos que movimentam recursos financeiros. Isso vale para corretoras de criptomoedas, bancos digitais e qualquer provedor de carteiras e serviços que dependam de código próprio para custodiar e transferir dinheiro.

O executivo argumenta que, diante dessa nova assimetria, instituições financeiras precisam responder na mesma moeda: usar os modelos de IA mais avançados para reforçar a defesa, antes que as brechas sejam exploradas por criminosos. “Vocês estão utilizando os modelos de inteligência artificial mais avançados para testar, proteger e reforçar a segurança do seu software?”, provocou, orientando que essa passe a ser uma pergunta-chave de qualquer cliente ao escolher onde deixar seus ativos.

Segundo ele, bancos, corretoras e provedores de carteiras digitais devem empregar continuamente IA em testes de invasão e varreduras automáticas de vulnerabilidades, inclusive com ferramentas desenvolvidas por grandes laboratórios do setor. A ideia é transformar a tecnologia em aliada permanente na rotina de auditoria de sistemas, em vez de apenas reagir quando um ataque já aconteceu.

Entenda o contexto

O alerta de Saylor vem em um momento de maior exposição para plataformas que lidam com criptomoedas e dinheiro digital. Binance e Mercado Bitcoin operam com grandes volumes de ativos, em ambientes de negociação 24 horas e com camadas de integração a sistemas de pagamento tradicionais, o que torna seus softwares mais complexos e, portanto, mais sensíveis a erros de implementação.

Ao mesmo tempo, o uso de IA ofensiva reduz barreiras de entrada para grupos de ataque, que conseguem automatizar desde a criação de códigos maliciosos até o monitoramento de brechas em tempo real. O impacto potencial não se limita a perdas financeiras imediatas: falhas de segurança podem abalar a confiança dos usuários e provocar fuga de clientes.

No caso da própria Strategy, dona de um dos maiores balanços corporativos em bitcoin, a empresa vem apresentando avanço nos resultados financeiros em meio à valorização do ativo. A margem financeira trimestral chegou a R$ 1,559 bilhão, alta de 3,1% em relação ao trimestre anterior e de 15,9% na comparação anual, o que reforça o interesse do mercado por ativos digitais — e, por consequência, amplia a superfície de ataque para hackers em todo o ecossistema.

O que especialistas recomendam para se proteger contra ataques cibernéticos com IA?

A principal recomendação destacada por Saylor é que instituições financeiras adotem um ciclo contínuo de testes de segurança com IA, tratando a busca por falhas como processo permanente. Isso inclui simular ataques com as mesmas ferramentas que criminosos podem usar e corrigir rapidamente qualquer vulnerabilidade identificada em sistemas que movimentam dinheiro.

O executivo também defende o reforço das camadas de autenticação. Em vez de depender apenas de senhas e perguntas pessoais, ele recomenda a adoção de autenticação multifator e de dispositivos físicos de segurança, como chaves de autenticação, para liberar acessos sensíveis e grandes transferências. Esses mecanismos tornam mais difícil que um invasor, mesmo com dados roubados, consiga tomar controle de contas.

Saylor faz ainda uma distinção entre as plataformas que operam ativos digitais e a infraestrutura básica da blockchain do bitcoin. Na visão dele, a rede é mais resistente justamente por manter um protocolo simples, sem funções extras como contratos inteligentes, e por se apoiar em criptografia e poder computacional distribuído. “O que é arriscado é quando alguém cria um software extremamente complicado sobre ativos digitais ou sobre qualquer outro ativo”, afirmou.

Já corretoras, bancos digitais e provedores de carteiras constroem camadas adicionais de software para oferecer serviços ao usuário final, e é nessas camadas que costumam surgir as brechas. Diante do uso crescente de IA em ataques, o recado do executivo ao setor é de urgência: investir agora em segurança avançada, sob risco de enfrentar perdas maiores — financeiras e de reputação — no curto prazo.