Trump promete vetos após derrota e ataca Fox News em reação
Após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, Trump minimiza revés, culpa ausência de seu nome nas urnas, ataca a Fox News, cita guerra contra o Irã e promete usar veto contra projetos democratas.

Política Internacional
Trump reage à derrota nas eleições de meio de mandato com críticas e promete vetar projetos democratas.
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Derrotado nas eleições de meio de mandato que deram o controle das duas Casas do Congresso aos democratas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu nesta quarta-feira (4) minimizando o revés, atacando a cobertura da Fox News, culpando a ausência de seu nome nas cédulas e prometendo recorrer com frequência ao poder de veto para barrar projetos da oposição.
Trump promete vetos e minimiza derrota republicana
Ainda na noite de terça-feira (3), enquanto a votação seguia em curso, Trump disse em entrevista por telefone que está pronto para usar o veto presidencial contra propostas aprovadas por um Congresso sob comando democrata. “Eu tenho o poder supremo — chama-se veto”, afirmou o republicano, sugerindo que o instrumento será usado como principal arma para tentar travar a agenda adversária nos dois anos restantes de seu mandato.
Trump argumenta que, diante de vetos sucessivos, os democratas seriam levados à mesa de negociação com a Casa Branca. Ao mesmo tempo, insiste que o resultado não representa uma rejeição direta a seu governo, porque seu nome não constava nas cédulas de terça. Em publicação na rede Truth Social, escreveu: “Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido POR UMA LAVADA!”.
Na prática, o novo desenho do Congresso limita a capacidade do presidente de aprovar reformas estruturais, indica um período de maior fiscalização sobre o Executivo e abre espaço para impasses prolongados entre Casa Branca e parlamentares democratas.
Trump ataca Fox News e culpa guerra contra o Irã
Ao longo da apuração, já na noite de terça, Trump transformou a Fox News, tradicionalmente alinhada aos republicanos, em alvo constante. Em mensagens na Truth Social, chamou um comentarista do canal de “burro como uma pedra” e reclamou das perguntas usadas em pesquisas e do espaço concedido a convidados democratas, enquanto os primeiros números mostravam dificuldades para candidatos de seu partido.
Horas depois, já com a derrota consolidada, o presidente voltou a responsabilizar a emissora pelas perdas republicanas, criticando a presença de figuras da oposição na programação e atribuindo à Fox parte do desgaste de sua legenda.
Trump também reconheceu que a guerra contra o Irã pesou no voto. Em entrevistas à imprensa americana, admitiu que o conflito, que elevou o preço dos combustíveis e pressionou o custo de vida, influenciou o humor do eleitorado, embora tenha defendido a decisão de iniciar a operação militar e dito que tomaria “a mesma decisão” novamente.
Disposição para negociar com democratas
Apesar do tom combativo, o presidente tentou sinalizar alguma abertura para acordos com a nova maioria parlamentar. Em conversa com um jornal americano na madrugada desta quarta (4), afirmou que pretende aceitar o resultado e buscar entendimentos com a oposição. “Vamos, vocês sabem, esperar trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo”, disse.
Segundo Trump, temas como o teto da dívida podem entrar na pauta de cooperação entre governo e Congresso. Ele, porém, volta e meia lembra que tem a prerrogativa de vetar projetos aprovados pelos democratas, reforçando a perspectiva de uma relação marcada por tensão, barganhas duras e risco constante de paralisia legislativa.
Equilíbrio de poder muda e aumenta pressão sobre Casa Branca
Com a vitória democrata na Câmara dos Representantes e no Senado, a oposição ganha instrumentos para abrir investigações, convocar auxiliares da Casa Branca e redesenhar ou travar propostas-chave da agenda econômica e externa de Trump. A partir de agora, qualquer avanço legislativo relevante dependerá de alguma forma de negociação entre o presidente e líderes democratas.
O revés também repercute dentro do Partido Republicano, que sai enfraquecido da disputa e deve enfrentar disputas internas sobre o peso da figura de Trump na campanha, a condução da guerra contra o Irã e a estratégia para recuperar terreno no Congresso antes das próximas eleições nacionais.
Enquanto isso, o presidente indica que pretende ocupar com ainda mais intensidade o espaço midiático: além dos ataques à Fox News, disse em uma de suas publicações que pretende atuar como uma espécie de comentarista político, analisando publicamente as vitórias e derrotas de candidatos nos próximos ciclos eleitorais.


