UFMG lança supercomputador de IA para mapear 92% do Brasil
UFMG coloca em operação o supercomputador Soberano, com IA e câmera hiperespectral, para acelerar o mapeamento do território brasileiro e o monitoramento ambiental.

Inteligência Artificial
Supercomputador Soberano da UFMG acelera o mapeamento do território nacional e aprimora o monitoramento ambiental com tecnologia avançada.
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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou nesta terça-feira (27), em Belo Horizonte, o supercomputador Soberano, equipado com inteligência artificial para analisar grandes volumes de imagens e dados geográficos e acelerar o mapeamento detalhado do território brasileiro, hoje coberto em apenas 8% na escala considerada ideal.
Supercomputador Soberano entra em operação
Instalado no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, o Soberano foi desenvolvido em parceria com o Exército Brasileiro e o Instituto Militar de Engenharia, com investimento público de R$ 15 milhões. A máquina vai processar, de forma automatizada, informações geradas por satélites, drones, radares e outros sensores para identificar desmatamento, áreas de risco, mudanças na vegetação, características do solo e pontos estratégicos para planejamento urbano e segurança.
O supercomputador reúne oito unidades Nvidia H200, cada uma com 141 GB de memória de alta velocidade, e cerca de 400 terabytes de armazenamento. Esse conjunto permite executar, ao mesmo tempo, uma quantidade massiva de cálculos matemáticos, condição fundamental para treinar e rodar modelos de inteligência artificial capazes de extrair, sozinho, os elementos de interesse em milhões de imagens.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Sônia Carvalho Ribeiro, do IGC, o Soberano muda o patamar da cartografia nacional. “A grande vantagem do supercomputador é extrair informação dessas imagens de forma automática. Então, todas essas imagens de satélites lançadas diariamente vão poder ser rapidamente analisadas para fazer cartografia. Antigamente, quando o mapa estava pronto, ele já estava desatualizado”, afirmou.
Entenda o contexto
O Brasil tem cerca de 8,5 milhões de km² de extensão, mas apenas 8% dessa área está mapeada na escala 1:25.000, em que 1 centímetro no mapa equivale a 250 metros no terreno. Esse nível de detalhamento é considerado essencial para planejar cidades, estradas e obras de infraestrutura, administrar rios e bacias hidrográficas, definir zonas de proteção ambiental, prevenir desastres como inundações e deslizamentos e apoiar ações de segurança nacional.
Produzir esses mapas exige analisar um volume gigantesco de dados. Até hoje, boa parte desse trabalho dependia de equipes especializadas examinando imagens manualmente, em um processo lento, caro e sujeito a atrasos. Com o uso intenso de inteligência artificial, a expectativa da UFMG e dos parceiros é reduzir drasticamente o tempo entre a coleta dos dados e a disponibilização das informações para órgãos públicos.
O Soberano vai apoiar diretamente instituições federais e estaduais ligadas a meio ambiente, recursos hídricos, defesa, agricultura e planejamento urbano. A promessa é entregar mapas mais atualizados e precisos, ajudando, por exemplo, a identificar rapidamente novos focos de desmatamento ou ocupações irregulares em áreas de risco.
Câmera hiperespectral amplia precisão
No mesmo evento, foi apresentada a Hyper-Cam Mini xLW, uma câmera hiperespectral que vai complementar o trabalho do supercomputador. Diferentemente de uma câmera comum, o equipamento registra faixas de luz invisíveis ao olho humano, permitindo distinguir materiais que pareceriam idênticos em uma foto tradicional.
Na prática, a Hyper-Cam Mini xLW consegue separar, por exemplo, uma folha saudável de uma folha seca, diferentes tipos de solo, água, concreto e minerais. Essa capacidade aumenta a precisão do mapeamento, ajudando a detalhar o estado da vegetação, a composição do terreno e a presença de estruturas urbanas ou industriais. As imagens captadas pela câmera alimentam diretamente os modelos de inteligência artificial rodando no Soberano.
Aplicações em meio ambiente, defesa e cidades
Entre as principais aplicações previstas estão o monitoramento de desmatamento e mineração ilegal, o acompanhamento de regiões suscetíveis a inundações e deslizamentos, a gestão de bacias hidrográficas e a vigilância de fronteiras. O sistema deve servir ainda de base para estudos sobre uso e ocupação do solo, expansão urbana, produtividade agrícola e impactos de obras de infraestrutura.
Para a coordenadora, a combinação de IA, supercomputação e sensores avançados coloca o país em outro patamar de gestão territorial. “O grande objetivo é essa automatização, que faz essa geração para monitoramento ambiental, para a questão de defesa, estar pronta de uma forma muito mais célere e com grande precisão, porque ela tem ciência embasando esse mapeamento”, disse Sônia Carvalho Ribeiro.
O projeto também é visto como estratégico do ponto de vista de soberania. Ao concentrar, em instituições brasileiras, a capacidade de produzir e interpretar dados de alta resolução sobre o próprio território, UFMG, Exército e Instituto Militar de Engenharia pretendem influenciar políticas públicas, orientar ações de fiscalização e abrir caminho para novas pesquisas em geoprocessamento, inteligência artificial e ciência de dados.


