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Inteligência Artificial

Vídeo viral do bebê beijando estátua dourada é falso por IA

Cena de bebê beijando uma estátua humana dourada que abre os olhos e sorri não é real. Checagem com duas ferramentas indica até 99% de chance de uso de inteligência artificial.

Vídeo viral do bebê beijando estátua dourada é falso por IA

Inteligência Artificial

Análise revela que vídeo popular com bebê e estátua dourada foi criado com tecnologia de IA, não sendo uma cena real.

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O vídeo de cerca de 30 segundos que mostra um bebê beijando uma estátua humana dourada, que então abre os olhos e sorri, é uma criação de inteligência artificial e não registra uma cena real em um parque, apontam ferramentas especializadas usadas em checagem publicada nesta terça-feira (3).

Ferramentas indicam até 99% de chance de uso de IA

Na gravação, que circula em plataformas como X, Facebook, Instagram e TikTok, um bebê caminha até uma artista caracterizada como estátua dourada sentada em um banco, toca o rosto da personagem e a beija nos lábios. Em seguida, a figura abre os olhos e sorri, enquanto um casal ao fundo parece filmar a cena. As postagens, feitas por perfis estrangeiros, trazem legendas que exaltam a “inocência” da criança, mas não informam que se trata de conteúdo sintético.

Ao submeter o material a duas plataformas de detecção de mídia gerada por máquina, a checagem identificou forte indicativo de fabricação digital. A Hive Moderation apontou “97,9% de probabilidade de o conteúdo ter sido criado com IA”. Já a Sightengine registrou “99% de probabilidade de o conteúdo ter sido criado com IA”.

Além dos resultados das ferramentas, analistas identificaram distorções no próprio vídeo. Um dos sinais é a forma como a estátua aparece no banco logo no início: a figura não se apoia de maneira natural, dando a impressão de “surgir” do assento, típica falha de renderização em imagens geradas por inteligência artificial.

Entenda o contexto

A equipe de checagem localizou ainda pelo menos quatro versões diferentes da mesma situação, sempre com a estátua dourada interagindo, no mesmo enquadramento, com bebês distintos. A repetição do cenário com personagens infantis trocados reforça que não se trata de um registro espontâneo, mas de uma cena montada em ambiente digital.

Apesar disso, as publicações viralizaram em diferentes idiomas, somando milhares de curtidas e compartilhamentos. As legendas sugerem que o momento teria sido flagrado em um parque, explorando o apelo emotivo da reação da criança diante da suposta artista de rua, sem qualquer aviso ao público de que o material foi produzido com IA.

Para especialistas em verificação digital, o episódio é mais um exemplo de como vídeos sintéticos, com aparência de registro doméstico, estão se tornando cada vez mais convincentes e fáceis de compartilhar. A combinação de cenas fofas com tecnologia avançada cria um terreno fértil para conteúdos artificiais que se passam por reais.

Desinformação e pressão sobre plataformas

A circulação do vídeo falso evidencia o desafio crescente para usuários, checadores e plataformas de redes sociais. Enquanto criadores de conteúdo ganham alcance e engajamento usando cenas emocionais fabricadas, o público é levado ao engano, o que alimenta desinformação e desconfiança sobre o que se vê na tela.

O caso também aumenta a pressão sobre empresas de tecnologia para aprimorar sistemas automáticos de detecção e rotulagem de conteúdos produzidos por IA. A expectativa é que, diante da sofisticação dos vídeos fabricados, plataformas invistam mais em ferramentas de verificação e em campanhas educativas que ensinem o usuário a identificar sinais de manipulação.

No horizonte, especialistas apontam que casos como o do “bebê e a estátua dourada” devem alimentar debates regulatórios sobre transparência e obrigatoriedade de informar quando uma imagem ou vídeo foi gerado por inteligência artificial, com impacto direto em setores como publicidade digital e produção de conteúdo nas redes.