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Lula e Flávio Bolsonaro empatam em pesquisa decisiva para 2026

Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no segundo turno, enquanto novas pesquisas Quaest e BTG/Nexus vão medir o impacto da proibição das apostas online.

27/09/2026 08:00 6 min de leitura
Lula e Flávio Bolsonaro empatam em pesquisa decisiva para 2026
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Eleições 2026

Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final da campanha presidencial em empate técnico no segundo turno, com o eleitorado dividido por região, renda e religião. Novas pesquisas, que serão divulgadas nesta segunda-feira, prometem medir o efeito eleitoral da proibição das apostas online anunciada pelo governo.

Empate numérico e país fatiado em grupos

O Datafolha mais recente, realizado ao longo da semana com 2.002 entrevistados, mostra Lula com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro de 2 pontos percentuais coloca os dois dentro de um empate técnico.

O cenário, porém, está longe de ser homogêneo. O Nordeste segue como principal base de Lula, onde o presidente abre vantagem de 61% a 30%. Entre eleitores pretos, ele chega a 55%, contra 34% de Flávio. Lula também lidera entre pessoas com ensino fundamental (57% a 37%), mulheres (51% a 41%) e quem ganha até 2 salários mínimos (53% a 40%).

No outro extremo, Flávio Bolsonaro constrói sua força em segmentos específicos e de maior renda. Entre evangélicos, ele tem 58%, contra 34% de Lula. No Sul, a diferença também é larga: 57% a 38% para o senador. Flávio lidera ainda entre quem ganha mais de 5 salários mínimos, por 52% a 38%, e entre brancos, por 51% a 40%.

Em registros mais equilibrados, como Sudeste, Centro-Oeste/Norte, pessoas com ensino médio e diferentes faixas etárias, a disputa se mantém dentro da margem de erro. Institutos explicam que “o empate técnico acontece quando a diferença entre os candidatos está dentro do intervalo da margem de erro”. Na prática, qualquer movimento pequeno pode inverter a dianteira nesses grupos.

Proibição das apostas entra no centro da campanha

Enquanto as curvas de intenção de voto quase se tocam, Lula leva para o debate eleitoral uma decisão de alto impacto econômico e simbólico: a retirada do ar de sites e aplicativos de apostas. O governo anuncia que a proibição passa a valer logo após o primeiro turno.

A medida mexe com um setor bilionário e com milhões de usuários, muitos deles jovens e de baixa renda. No discurso oficial, “a decisão foi apresentada pelo governo como uma medida de proteção às famílias e à economia popular”. A mensagem tenta dialogar com o eleitorado mais vulnerável, no qual o presidente ainda mantém vantagem.

Campanhas, especialistas e o próprio mercado político observam os possíveis efeitos colaterais. Setores ligados à indústria de jogos e plataformas digitais enxergam risco de perda de receita e corte de patrocínios em áreas como esporte, entretenimento e influenciadores. Adversários exploram o argumento de intervenção excessiva do Estado e potencial prejuízo econômico.

Aliados de Lula, por outro lado, afirmam que a decisão reforça uma agenda de proteção social e combate ao endividamento de famílias, especialmente em periferias urbanas, onde o impacto das apostas é visível em orçamentos apertados. O eleitor que circula entre indignação com o preço dos alimentos, medo da violência e desconfiança da política pode reagir de forma imprevisível a uma medida desse porte.

BTG e Quaest testam efeito imediato nas urnas

É nesse ambiente tenso que duas novas pesquisas nacionais, BTG/Nexus e Quaest, entram em campo para medir o humor do país. Ambas têm coleta de dados concentrada entre quinta e este domingo e vão ao ar amanhã, já com parte dos entrevistados respondendo depois do anúncio de Lula sobre as apostas.

A BTG/Nexus entrevista 2.000 eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07557/2026.

A Quaest faz um trabalho de campo presencial e domiciliar, ouvindo 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro, também com margem de erro próxima de 2 pontos e registro BR-06520/2026 no TSE. Os dois institutos já apontaram, em rodadas anteriores, cenários de empate técnico ou pequenas vantagens alternadas entre Lula e Flávio, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Os novos questionários vão além da fotografia básica da disputa. Pesquisadores investigam a firmeza do voto, o grau de rejeição a cada candidato e quais temas pesam mais na decisão do eleitor: economia, segurança pública, corrupção, saúde e educação aparecem entre as prioridades. A partir de agora, o conhecimento e a avaliação das recentes medidas do governo, como a proibição das apostas, o reajuste do Bolsa Família e a oferta de medicamentos para obesidade, entram no radar.

Estratégias regionais e disputa voto a voto

Dados regionais ajudam a guiar as estratégias de campanha nos próximos dias. Levantamentos recentes mostram Lula na frente em 11 estados, enquanto Flávio Bolsonaro lidera em 8 e no Distrito Federal. O mapa revela um país dividido, em que poucos pontos percentuais podem definir quem sai na frente em colégios eleitorais decisivos.

No Nordeste, a prioridade da campanha petista é transformar vantagem numérica em comparecimento às urnas, reduzindo abstenção em áreas pobres e distantes dos grandes centros. No Sul e em parte do Centro-Oeste e Norte, assessores de Flávio miram o fortalecimento do apoio de evangélicos, empresários e produtores rurais, grupos nos quais ele já aparece à frente.

Nas regiões mais urbanizadas do Sudeste, sobretudo em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, as duas campanhas travam disputa voto a voto na classe média, onde temas como segurança, custo de vida, emprego e impostos ganham peso. A proibição das apostas e outros anúncios de impacto rápido entram nesse pacote de argumentos.

Analistas avaliam que “as próximas pesquisas poderão registrar se a proibição das bets terá algum impacto na corrida, em um momento em que a disputa presidencial se encontra próxima do primeiro turno”. Em um cenário tão apertado, um ponto a mais ou a menos em segmentos estratégicos pode redefinir a narrativa da reta final.

A campanha segue, portanto, em modo de alerta máximo. Os dados que BTG/Nexus e Quaest divulgam amanhã tendem a orientar decisões sobre onde investir tempo de televisão, quais estados priorizar em agendas de rua e que temas enfatizar em debates e entrevistas.

Com o país polarizado, voto fragmentado por região e renda, e um conjunto de medidas do governo em avaliação, o desfecho da eleição permanece aberto. A combinação entre novas pesquisas, debates e eventuais fatos de última hora pode consolidar tendências ou produzir uma virada às vésperas do primeiro turno.

O que muda com as novas pesquisas sobre Lula e Flávio?

As novas pesquisas BTG/Nexus, com 2.000 entrevistas, e Quaest, com 2.004, medem já nesta segunda-feira como o anúncio da proibição das apostas online afeta o empate técnico entre Lula, hoje com 47%, e Flávio Bolsonaro, com 45%, e indicam quais segmentos do eleitorado mais reagem à medida e aos temas centrais da campanha.


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