Óculos com IA em MG dão autonomia a 16 deficientes visuais
Projeto em Araxá doa óculos com inteligência artificial de R$ 3 mil para 16 pessoas com deficiência visual, ampliando autonomia, estudo e socialização na cidade mineira.

Inteligência Artificial
Projeto em Araxá oferece tecnologia avançada para ampliar a independência e inclusão social de deficientes visuais.
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Óculos com inteligência artificial estão mudando a rotina de 16 pessoas com deficiência visual em Araxá, no Alto Paranaíba, ao descrever em áudio tudo o que elas não podem enxergar e permitir interação por voz, o que tem garantido mais autonomia para estudar, trabalhar e se relacionar.
Como funciona o óculos com inteligência artificial para pessoas com deficiência visual em MG?
Cada óculos do projeto em Araxá custa cerca de R$ 3.000 e reúne, na própria armação, câmera, alto-falantes e microfones conectados a um sistema de inteligência artificial que analisa o que está à frente do usuário.
A câmera capta imagens em tempo real. A inteligência artificial identifica objetos, textos e características do ambiente e transforma tudo em descrições faladas, reproduzidas pelos alto-falantes próximos aos ouvidos da pessoa. Assim, o usuário consegue “ouvir” o que não vê: placas, rótulos, livros, rostos e detalhes de lugares por onde circula.
Os dispositivos também contam com microfones que permitem comandos e perguntas por voz. A pessoa pode solicitar, por exemplo, a leitura de um texto específico, a identificação de um produto ou orientações sobre o espaço ao redor. A resposta vem em áudio, quase instantaneamente.
Para bancar o custo de aproximadamente R$ 3.000 por unidade, empresários e instituições de Araxá se juntam para arrecadar recursos e doar os equipamentos a pessoas cegas ou com baixa visão selecionadas pelo projeto, que está em andamento há seis meses.
De que forma os óculos com IA ajudam na autonomia diária das pessoas com deficiência visual?
Na prática, os óculos com inteligência artificial têm funcionado como um guia pessoal para tarefas simples e complexas do dia a dia, reduzindo a dependência de familiares e acompanhantes.
Dona de casa e uma das beneficiadas, Ana Paula de Oliveira, de 35 anos, conta que ela e a irmã gêmea, Ana Flávia, têm apenas 5% da visão e passaram a ganhar liberdade dentro e fora de casa. “Os óculos se tornaram meu melhor amigo. Me ajudam até a escolher a roupa que vou usar, e também uso para fazer ligações, conversar com meu namorado e em outros momentos do meu dia”, afirma.
No estudo, o impacto é direto. O estudante Luiz Eduardo Machado, de 29 anos, que tem deficiência visual e está concluindo um curso técnico de contabilidade, diz que o equipamento foi decisivo para que ele se mantivesse no curso. “Os óculos estão me ajudando a ler os livros, fazer os trabalhos propostos pelos professores e também no convívio com os colegas na sala de aula. Sem esse equipamento, eu não conseguiria chegar até aqui”, relata.
Segundo os participantes do projeto, o recurso sonoro dos óculos facilita desde a leitura de textos impressos e digitais até a organização de documentos, o uso do celular, a circulação em ambientes desconhecidos e a interação social, ao reconhecer pessoas e contextos.
Entenda o contexto
O projeto é idealizado por Wellington Martins, empresário e dono de uma escola técnica em Araxá. Ele criou um instituto para reunir parceiros interessados em financiar a compra dos dispositivos e distribuir os óculos a quem mais precisa.
Martins explica que a motivação vem de uma vivência antiga com pessoas cegas e de uma história familiar ligada à baixa visão. “Minha mãe também tem baixa visão e desde criança eu percebi a importância de pessoas com deficiência poderem ser independentes, empreendedoras e autônomas. E com o passar do tempo, percebi que a tecnologia poderia ajudar muito nisso. Os óculos com Inteligência Artificial conseguem auxiliar em inúmeras funções, promovendo inclusão e transformando a rotina dessas pessoas”, afirma.
Desde que começou, há seis meses, a iniciativa já atendeu 16 pessoas cegas ou com baixa visão na cidade. Os organizadores veem espaço para crescer, mas admitem que o valor de cerca de R$ 3.000 por equipamento ainda limita a quantidade de doações e exige a busca constante por novos apoiadores.
Além de melhorar diretamente a qualidade de vida dos beneficiados, o projeto em Araxá serve como vitrine para o potencial da tecnologia assistiva na educação inclusiva, na saúde e nas políticas públicas de acessibilidade. A expectativa de Wellington Martins e dos empresários envolvidos é ampliar o número de contemplados na região e inspirar ações semelhantes em outras cidades, aproximando mais pessoas com deficiência visual da autonomia plena e da participação ativa na sociedade.
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