Debate presidencial hoje: Lula e Flávio ao vivo às 20h na Band
Lula e Flávio Bolsonaro travam primeiro debate presidencial neste domingo, em São Paulo, com ataques mútuos sobre corrupção, economia e segurança, a uma semana do segundo turno.

Política
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no primeiro debate presidencial antes do segundo turno, com foco em corrupção, economia e segurança.
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O primeiro debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (18), nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, começou às 20h com clima tenso, ataques cruzados e poucas propostas no confronto direto, transmitido ao vivo pela TV Band e pelo YouTube.
Que horas é o debate e onde assistir ao debate presidencial de hoje?
O debate presidencial de hoje vai das 20h às 22h, com transmissão ao vivo pela TV Band e pelo canal da emissora no YouTube, em estúdio na capital paulista. É o primeiro embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta eleição e acontece exatamente uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o domingo (25).
No estúdio, participam apenas jornalistas do pool de veículos que organizam o encontro e convidados das duas campanhas. O formato prevê blocos com perguntas de jornalistas, rodadas de temas definidos pela produção e momentos de confronto direto entre os candidatos.
Entenda o contexto
Lula tenta a reeleição pelo PT, enquanto Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, lidera a chapa do PL. O debate deste domingo é visto pelas campanhas como peça-chave na disputa por eleitores indecisos e para consolidar narrativas na reta final. Um segundo e último encontro entre os dois está marcado para sexta-feira (23), às 21h20, na TV Globo.
Ataques sobre milícias, prisões e integridade política
Na etapa de confronto direto, por volta de 20h55, os dois candidatos usaram os quinze minutos de tempo livre para troca de acusações, sem responder de forma objetiva às perguntas formuladas pela mediação.
Lula citou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o mandado de prisão em aberto contra o deputado Eduardo Bolsonaro e suspeitas de relações do clã Bolsonaro com milicianos condenados. Em um dos momentos de maior tensão, ao ser chamado por Flávio para se aproximar no estúdio, o presidente reagiu: “Não quero ficar perto de miliciano”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, acusou o governo petista de fortalecer facções criminosas ao facilitar o acesso a armas, disse que Lula é “recordista de votos em presídios” e afirmou que o adversário promove fake news. Os dois ainda trocaram comentários sobre supostos sinais corporais que cada um exibiria quando estivesse mentindo.
As menções a prisões, mandados em aberto e milícias devem alimentar novas rodadas de acusações nas redes sociais e na propaganda eleitoral, com chance de desdobramentos jurídicos e pedidos de direito de resposta.
Público reage e mediadora pede silêncio
Apesar de o regulamento restringir manifestações, o público presente no estúdio aplaudiu Lula em pelo menos duas ocasiões, obrigando a mediadora a pedir silêncio para manter o controle do debate.
Na primeira, Flávio Bolsonaro sugeriu que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, estaria fora do país. Lula contra-atacou citando o irmão do rival, Eduardo Bolsonaro, que, segundo ele, está foragido nos Estados Unidos, lembrando que o filho do presidente não tem mandado de prisão em aberto. Na sequência, o petista emendou a fala em que recusou ficar ao lado de “miliciano”, o que também provocou reação ruidosa da plateia.
Economia em disputa: crescimento, inflação e juros
No bloco econômico, Lula afirmou que a retomada mais robusta da atividade só ocorreu em seu atual mandato. “Brasil só voltou a crescer acima de 3% quando eu voltei ao governo”, disse o presidente, defendendo que seus governos elevaram a credibilidade do país no mercado internacional e prometendo preparar o Brasil para “a nova economia digital”.
Flávio Bolsonaro rebateu responsabilizando o PT pela alta dos preços de alimentos e prometendo um choque liberal caso seja eleito. Ele afirmou que, em sua gestão, a prioridade será cortar gastos e reduzir juros. “Eu vou tirar do Lula e vou dar pra você”, declarou, numa tentativa de associar o adversário à “gastança” e se aproximar de quem sente a pressão da inflação no dia a dia.
A disputa de versões sobre crescimento, inflação e política de juros busca atingir sobretudo o eleitorado que vota com o bolso, em meio a um cenário de preocupação com empregos, renda e endividamento.
Segurança pública e promessa de ‘guerra ao narcoterrorismo’
Flávio Bolsonaro dedicou parte de seu tempo à pauta de segurança, prometendo “declarar guerra ao narcoterrorismo” e “recuperar cada rua” do país. Ele falou em criar “mais de meio milhão de vagas” no sistema prisional e elevar penas para condenados por tráfico de drogas, chegando a até 80 anos.
Lula respondeu lembrando que o senador bolsonarista não apoiou a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo para organizar repasses federais às polícias estaduais, e citou a aprovação do PL Antifacção. O petista prometeu recriar um Ministério da Segurança para coordenar ações nacionais na área.
A troca reforçou a estratégia de Flávio de explorar o tema do crime organizado e do governo petista de associar o rival a discursos endurecidos, mas sem apoio a medidas estruturais no Congresso.
Acusações cruzadas sobre fraudes no INSS e relações com lobista
Questionado por jornalistas sobre suspeitas de envolvimento de Fábio Luís, o Lulinha, em fraudes no INSS, Lula evitou responder diretamente e mirou em Flávio. Ele cobrou explicações sobre dinheiro do dono do Banco Master destinado a um filme sobre Jair Bolsonaro, administrado por Eduardo Bolsonaro.
Flávio reagiu citando áudios que apontariam articulações entre o empresário Marcos Vorcaro e o Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente, o que o petista não detalhou. Em outro momento, Lula foi indagado sobre a lobista Roberta Luchsinger, que se aproximou de seu filho. “A Roberta Luchsinger é um problema da Polícia Federal”, declarou, dizendo acreditar na inocência de Lulinha e lembrando que ele responde a três inquéritos em andamento, sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo.
A troca de acusações indica que as campanhas devem intensificar o uso de casos envolvendo aliados, familiares e financiadores como munição política nesta reta final.
Impacto na reta final e próximo debate
O desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro neste debate ao vivo deve pautar análises políticas, posts de campanha e programas de rádio e TV ao longo da semana. A avaliação interna nas duas equipes vai orientar ajustes de tom e de conteúdo para o segundo encontro, na sexta-feira (23), na TV Globo.
A sete dias do segundo turno, o embate desta noite tende a reforçar a polarização: apoiadores de Lula devem exaltar os ataques ao bolsonarismo e a defesa de sua gestão econômica; já a base de Flávio deve ressaltar as críticas à inflação, ao gasto público e ao suposto vínculo do PT com facções. Entre indecisos, o peso pode recair menos sobre as acusações específicas e mais sobre a imagem de firmeza, preparo e equilíbrio transmitida por cada candidato durante as duas horas de debate.
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