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Economia

Tesla lança Roadster 2028 com jatos SpaceX e acelera em 0,55 s

Novo Tesla Roadster, demonstrado no Texas e previsto para chegar ao mercado em 2028, usa motores elétricos, ventoinhas de sucção e jatos de nitrogênio da SpaceX para acelerar de 0 a 96 km/h em 0,55 segundo e fazer manobras aéreas.

Tesla lança Roadster 2028 com jatos SpaceX e acelera em 0,55 s

Lançamento Automotivo

O novo Roadster da Tesla combina tecnologia SpaceX para desempenho extremo e inovação no mercado de carros elétricos.

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A Tesla apresentou no Texas o novo Roadster, um esportivo elétrico que combina dois motores traseiros de 1.360 cv com ventoinhas de sucção e propulsores a gás frio da SpaceX para acelerar de 0 a 96 km/h em 0,55 segundo e executar manobras como rodar de ponta-cabeça e saltar no ar, em um conceito que desafia os limites tradicionais de aderência dos pneus ao asfalto. O lançamento comercial é prometido para 2028.

Carro elétrico com jatos de nitrogênio

O Roadster abandona a fórmula dos hipercarros elétricos mais pesados e com vários motores. A Tesla trabalha para manter o cupê abaixo de 1.700 kg e concentrar toda a tração em dois motores apenas no eixo traseiro, que somam 1.360 cv de potência e 142,9 kgfm de torque.

Sozinho, esse conjunto esbarraria no limite físico do atrito da borracha com o asfalto. A solução foi atacar o problema em duas frentes: aumentar a força que gruda o carro no chão e acrescentar empuxo independente dos pneus. Sob o assoalho, ventoinhas encapsuladas sugam o ar e geram mais de 2 g de pressão vertical mesmo com o carro parado, empurrando os pneus contra o solo e permitindo que eles suportem a força dos motores sem simplesmente patinar.

A segunda parte vem de quatro propulsores a gás frio instalados na traseira. O sistema armazena ar rico em nitrogênio em um vaso de pressão esférico de 200 litros, posicionado atrás dos bancos, operando a 10.000 psi (689 bar). Fabricado com tecnologia herdada dos foguetes Falcon e Starship, o reservatório tem casco interno metálico e revestimento externo em compósitos de fibra de carbono e Kevlar para aguentar a carga extrema com o menor peso possível.

Esse gás é liberado por válvulas de alta velocidade e percorre tubulações de titânio e Inconel até chegar a quatro bicos ejetores de titânio acima do para-choque traseiro. A descarga em velocidade supersônica gera cerca de 19,8 kN de empuxo adicional, somando-se aos 32,3 kN estimados da tração elétrica. Todos os tubos têm o mesmo comprimento para evitar assimetrias no fluxo que poderiam fazer o esportivo rodar na largada.

A Tesla resume a arrancada extrema de forma direta: “O Tesla Roadster atinge os 96 km/h em menos de um segundo ao somar a tração das rodas traseiras ao empuxo de quatro propulsores a gás frio instalados na traseira”. Outros testes indicam que “o jato de ar sustentado por alguns segundos basta para levar o esportivo à faixa entre 217 km/h e 290 km/h, ponto em que os motores elétricos seguem acelerando sozinhos rumo à velocidade máxima prometida acima de 370 km/h”.

Entenda o contexto

Enquanto os hipercarros elétricos atuais apostam em tração integral, três ou quatro motores e baterias muito grandes, chegando fácil a duas toneladas, o Roadster segue a direção oposta: menos peso, menos componentes mecânicos e um sistema auxiliar de propulsão que vem da indústria aeroespacial.

Para isso, a SpaceX comprou a Hexagon Masterworks, especialista em reservatórios de alta pressão, e passou a dominar internamente a fabricação dos vasos de pressão que agora equipam tanto foguetes quanto o esportivo. No carro, cada extremidade da esfera de 200 litros usa flanges grossos presos por 12 parafusos com travamento por arame, em um padrão típico de aplicações aeroespaciais.

As válvulas que controlam a saída do gás são acionadas por atuadores tipo pistão, que aproveitam motores elétricos desenvolvidos para o tornozelo do robô humanoide Tesla Optimus. A integração entre o projeto automotivo, a SpaceX e a robótica da marca reforça a estratégia de compartilhar tecnologia entre divisões antes separadas.

Tesla Roadster pode voar de verdade?

O Roadster não é um avião, mas o protótipo já consegue sair do chão por alguns instantes usando jatos de nitrogênio e ventoinhas de sucção. Na demonstração no Texas, um exemplar sem motorista subiu uma rampa que se tornava horizontal no topo, continuou de ponta-cabeça, acionou os jatos para girar no ar e pousou sobre as quatro rodas.

A base desse truque está no mesmo sistema usado para aumentar a aderência em piso plano. “O sistema de ventoinhas encapsuladas sob o carro suga o ar e gera mais de 2 g de pressão vertical mesmo com o veículo parado”, explica a Tesla. Com essa força descendente, o carro consegue rodar de cabeça para baixo em estruturas preparadas para isso.

Para o salto propriamente dito, entra em cena a versão mais extrema, chamada Rocket. Ela sacrifica o banco do passageiro para acomodar tanques extras que elevam a capacidade total de ar comprimido para 600 litros e adiciona dez propulsores direcionais. Quatro deles ficam voltados para o chão, próximos a cada roda, para dar sustentação vertical e suavizar o pouso; outros controlam a rotação do carro no ar.

Nos bastidores, engenheiros tratam essas manobras como demonstrações de capacidade, não como recursos de uso cotidiano nas ruas. Mas o fato de um carro de rua conseguir, com ar comprimido e sucção aerodinâmica, saltar e girar sobre outros veículos — incluindo o pesado caminhão Semi da própria Tesla — indica um salto de complexidade na engenharia automotiva.

Quanto tempo o Tesla Roadster precisa para recarregar antes de “voar”?

Hoje, o reabastecimento completo dos tanques de ar comprimido leva entre seis e sete horas usando o compressor integrado ao próprio carro, tempo que a Tesla promete reduzir para cerca de 30 minutos em futuras melhorias de sistema.

Na prática, isso significa que o uso dos jatos é um recurso de curto prazo e recarga longa. A imprensa especializada aponta que o tanque de 200 litros da configuração Thrust se esvazia em torno de 6 segundos quando os jatos estão em plena carga. Ou seja, a arrancada de 0,55 segundo, bem como eventuais saltos e manobras radicais, funcionam quase como um “modo tiro único”: depois da sequência, o carro segue rodando somente com os motores elétricos até que o ar comprimido seja recomposto.

Já na versão Rocket, com 600 litros, há mais margem para distribuir o empuxo entre arrancadas, saltos e correções de trajetória em manobras acrobáticas. Mas mesmo ali o horizonte é de poucos segundos de empuxo máximo antes da necessidade de nova compressão do ar atmosférico captado pelo próprio veículo.

Impacto na indústria e próximos passos

O Roadster aponta uma nova fronteira para esportivos elétricos ao usar uma espécie de “híbrido” entre tração elétrica e propulsão a jato de nitrogênio. Ao vencer o limite clássico do atrito entre pneu e asfalto com mais força vertical e empuxo auxiliar, o carro eleva o patamar de desempenho e deve forçar concorrentes a repensar aerodinâmica, peso e arquitetura de propulsão.

A cadeia de fornecedores de materiais compósitos e sistemas de alta pressão tende a ser uma das maiores beneficiadas, com vasos de pressão e tubulações de ligas especiais ganhando espaço fora do setor aeroespacial. Ao mesmo tempo, fabricantes de esportivos que apostam apenas em mais motores e baterias maiores podem ver seu modelo de desenvolvimento ficar pressionado por soluções mais leves e sofisticadas.

A Tesla ainda precisa passar por uma bateria extensa de testes de segurança, validações regulatórias e ajustes de confiabilidade antes da produção em série. A empresa prevê uma linha com quatro versões para 2028: uma configuração de entrada sem jatos, uma Performance focada em aceleração forte, a Thrust com 0 a 96 km/h abaixo de um segundo e a Rocket, monoposto e de acesso restrito, preparada para os saltos e giros mais radicais.

Os depósitos antecipados começam em US$ 50.000 para as versões mais brandas e chegam a US$ 250.000 nas variantes de empuxo máximo, em um modelo de reserva que reforça o caráter de nicho e demonstração tecnológica do projeto.

Fonte: matéria original