Brasil Adiante pode elevar PIB Brasil em R$ 2,3 tri até 2036
Estudo do projeto Brasil Adiante estima ganho de R$ 2,377 trilhões no PIB entre 2027 e 2036. Projeções do FMI indicam Brasil de volta à 8ª economia do mundo em 2027.

Economia
Projeto Brasil Adiante projeta crescimento significativo do PIB brasileiro até 2036, impulsionando a economia nacional.
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Um pacote de 56 medidas reunidas pelo projeto Brasil Adiante pode acrescentar R$ 2,377 trilhões ao PIB Brasil entre 2027 e 2036 e turbinar o PIB per capita em R$ 10,5 mil na década, enquanto projeções do FMI indicam que o país volta a ser a 8ª maior economia do mundo em 2027, com PIB brasileiro em dólar estimado em cerca de US$ 2,8 trilhões.
Quais são as propostas do Brasil Adiante para turbinar o PIB brasileiro em uma década?
Segundo cálculo do economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV/Ibre e do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, o conjunto de propostas do Brasil Adiante tem potencial de gerar um benefício bruto de R$ 2,323 trilhões em dez anos e um ganho total de R$ 2,377 trilhões no PIB Brasil entre 2027 e 2036.
As 56 medidas estão distribuídas em 11 áreas: educação, saúde, segurança, meio ambiente, infraestrutura, governo digital, reforma do Judiciário, defesa nacional, política externa, governança política e Estado eficiente. A ideia é combinar políticas que exigem mais gasto público, como obras de infraestrutura e expansão de serviços educacionais, com reformas voltadas a cortar ineficiências e rever despesas obrigatórias.
Duque explica que a lógica do plano é equilibrar retorno econômico e fonte de financiamento. “Boa parte do trabalho tem como base a pergunta: qual é o retorno desse gasto? A gente tem o retorno de determinada política, mas teria dinheiro para fazer essa política? É por isso que a gente precisa ter esses dois lados das políticas públicas: saber onde gastar, que é a questão da educação e da infraestrutura, mas também saber de onde tirar os recursos”, afirma.
Um dos pilares é o chamado Estado eficiente, bloco de ações que inclui revisão de despesas obrigatórias, corte de gastos tributários pouco eficazes e melhora na gestão. Só esse eixo poderia economizar R$ 1,11 trilhão até 2036, reduzindo a dívida pública em 10,2 pontos percentuais do PIB em relação a um cenário sem reformas. “No relatório, a gente junta medidas que liberam recursos e medidas que demandam recursos. Por exemplo, o Estado eficiente é uma das medidas que vai liberar recursos que podem ser transferidos para a infraestrutura”, diz Duque.
Os cálculos indicam que 56% dos benefícios brutos, ou R$ 1,305 trilhão, ficariam com famílias e empresas, via aumento de renda, lucros e produtividade. Os R$ 1,018 trilhão restantes beneficiariam o setor público e a sociedade como um todo, com economia de gastos, melhora de serviços e efeitos como redução de mortalidade e ganhos ambientais, que nem sempre entram diretamente no PIB do Brasil em real.
Educação e infraestrutura puxam ganhos até 2050
Quando se olha além de 2036, os efeitos se concentram em educação e infraestrutura. Até 2050, a educação lidera com ganho líquido estimado em R$ 842,4 bilhões, seguida pela infraestrutura, com R$ 748 bilhões, e pela saúde, com R$ 243,1 bilhões.
Duque resume o motor desses resultados: “A conta vem muito de infraestrutura. Se a gente olha para além do PIB, o ganho de renda total também vem muito da educação, principalmente no longo prazo. Esses são os dois maiores ganhos, basicamente.” Segundo ele, os efeitos são diferentes no tempo: “A diferença é que a educação tem um ganho de mais longo prazo para a economia. No caso da infraestrutura, você aumenta a capacidade produtiva e gera um investimento logo no começo.”
Na prática, o desenho do Brasil Adiante tenta responder a duas frentes: liberar espaço fiscal com medidas de corte e eficiência, e direcionar esses recursos adicionais a investimentos com alto retorno econômico e social. Setores como construção civil, serviços educacionais, saúde e tecnologia tendem a ser diretamente impulsionados.
Quando o Brasil deve voltar a ser a 8ª maior economia do mundo, segundo o FMI?
O Fundo Monetário Internacional projeta que o Brasil retomará em 2027 o posto de 8ª maior economia do mundo em termos de PIB nominal, com um PIB Brasil dólar estimado em US$ 2,796 trilhões, superando Itália e Rússia.
Na projeção mais recente, o PIB brasileiro em dólar passa de US$ 2,655 trilhões em 2026, quando o país aparece em 10º lugar, para US$ 2,796 trilhões em 2027. A economia italiana é estimada em US$ 2,772 trilhões e a russa em US$ 2,675 trilhões nesse mesmo ano, abrindo espaço para a escalada do Brasil no ranking.
Em documento divulgado nesta semana, o FMI resume a mudança: “O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, ultrapassando a Itália e a Rússia.” Pelas mesmas projeções, o país se manteria na 8ª posição até pelo menos o início da próxima década, atingindo um PIB nominal de US$ 3,398 trilhões em 2031.
Outro marco simbólico é a ultrapassagem da barreira dos US$ 3 trilhões: o FMI estima que o PIB do Brasil em dólar chegará a cerca de US$ 3,056 trilhões em 2029. Em reais, isso representaria um salto relevante no PIB Brasil real, ainda que o cálculo em moeda local dependa do câmbio e da inflação.
Entenda o contexto
As projeções do Brasil Adiante e do FMI dialogam, mas partem de premissas diferentes. Enquanto o plano de reformas calcula o quanto o PIB pode crescer se as 56 medidas forem implementadas, o cenário do FMI reflete a fotografia atual da economia e a tendência global, com ou sem mudanças profundas na política econômica brasileira.
Nos dois casos, o ponto em comum é a necessidade de combinar crescimento com responsabilidade fiscal. A economia de R$ 1,11 trilhão em gastos públicos, se concretizada, ajudaria a reduzir o endividamento e abrir espaço para investimentos em educação, saúde e infraestrutura — áreas vistas como essenciais para sustentar o avanço no ranking do PIB mundial e melhorar o PIB per capita ao longo do tempo.
Quais os desafios para o Brasil sustentar sua posição no ranking do PIB mundial?
Os próprios números do FMI mostram que o retorno à 8ª posição no ranking global não elimina os desafios para o crescimento sustentado do PIB Brasil. As projeções apontam desaceleração do PIB real: taxa de expansão de 2,3% em 2025, caindo para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027.
Do lado dos preços, a inflação brasileira deve recuar de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027, o que ajuda a preservar o poder de compra, mas não garante, sozinho, um salto de produtividade. Já a taxa de desemprego tende a subir, de 6% para 6,2% e 6,8% no mesmo período, sinalizando um mercado de trabalho que pode não acompanhar o crescimento do PIB do Brasil em real.
O saldo das contas externas é um dos poucos pontos de alívio: o déficit em transações correntes, que mede a diferença entre o que o país paga e recebe do exterior em bens, serviços, rendas e transferências, é projetado para cair de 2,9% do PIB em 2025 para 2,4% em 2026 e 2% em 2027.
Nesse cenário, a execução das reformas propostas pelo Brasil Adiante ganha peso. Sem avanços em produtividade, educação básica e infraestrutura, o país corre o risco de manter um PIB Brasil elevado em dólares pela combinação de câmbio e inflação global, mas com crescimento real modesto, renda média estagnada e pressões sobre o mercado de trabalho.
Além da dificuldade técnica de cortar gastos ineficientes e rever benefícios tributários, há o obstáculo político: muitas das medidas exigem mudanças em leis, renegociação com grupos de interesse e coordenação entre União, Estados e municípios. O saldo entre o que será de fato aprovado e o que ficará no papel deve definir se o Brasil consolidará a volta ao grupo das maiores economias ou se verá o avanço no ranking como um movimento temporário.
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