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Inteligência Artificial

USP conecta exoplanetas, IA e ameaça da extrema-direita hoje

Na Rádio USP, Martin Grossmann usa descoberta de exoplaneta e riscos da superinteligência artificial para refletir sobre democracia, crises ambientais e avanço da extrema-direita.

USP conecta exoplanetas, IA e ameaça da extrema-direita hoje

Inteligência Artificial

Martin Grossmann discute os impactos da IA e da extrema-direita na democracia e no meio ambiente a partir de descobertas científicas.

Leia também: Graduação em IA na UFG supera medicina com nota 846,72 no Sisu

Na coluna desta semana na Rádio USP, o professor e comentarista Martin Grossmann conectou a detecção do campo magnético de um exoplaneta a 63 anos-luz da Terra aos riscos da superinteligência artificial e às lições históricas do nazifascismo, em uma reflexão sobre os rumos políticos, tecnológicos e ambientais do mundo de hoje.

Exoplaneta e vida fora da Terra entram no debate

Grossmann partiu de uma descoberta recente da astrofísica: a identificação, por meio de observações especiais, do campo magnético de um exoplaneta distante. Para ele, o achado não é apenas um feito técnico, mas um convite a repensar o lugar da humanidade no Universo.

“A descoberta do campo magnético de um exoplaneta abre novas perspectivas para o estudo da evolução planetária e da possibilidade de vida fora do sistema solar”, afirmou o professor, ressaltando que avanços desse porte tendem a impulsionar a pesquisa espacial e o desenvolvimento de novas tecnologias.

O comentarista lembrou que a presença de um campo magnético é considerada um fator importante para a habitabilidade de um planeta, por proteger sua superfície da radiação estelar. A detecção, a 63 anos-luz da Terra, amplia o mapa de alvos que podem ser estudados em busca de sinais indiretos de vida.

Entenda o contexto

A coluna quinzenal Na Cultura o Centro está em Toda Parte, conduzida por Grossmann, vai ao ar às terças-feiras, às 9h, pela Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM), com produção conjunta da Rádio USP, do Jornal da USP e da TV USP. Participam da iniciativa os professores Hugo Tourinho Filho, Sonir Roberto Rauber Antonini e Augusto Hauber Gameiro, além dos jornalistas Fabio Rubira e Elcio Silva, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP.

Neste episódio, o grupo buscou ajudar o público a lidar com a sensação de instabilidade e de excesso de informações que marca o momento atual, articulando ciência, política, cultura e meio ambiente.

Superinteligência artificial e medo de perder o controle

A partir do tema da vida extraterrestre, Grossmann traçou um paralelo com a inteligência artificial, especialmente com cenários em que sistemas digitais possam superar em muito as capacidades humanas.

Na avaliação do comentarista, há uma semelhança entre o temor projetado sobre possíveis formas de vida fora da Terra e a ansiedade em relação a máquinas que aprendem sozinhas e tomam decisões com pouca ou nenhuma supervisão humana. O risco central, apontou, é o de perda de controle sobre sistemas que afetam diretamente a economia, a segurança, a comunicação e a vida cotidiana.

Ele destacou que o avanço da chamada superinteligência artificial já pressiona a criação de regras claras, protocolos de segurança e instâncias públicas de regulação, sob pena de ampliar desigualdades e vulnerabilidades em escala global. Para o grupo da USP, a discussão não é apenas técnica: envolve ética, democracia e responsabilidade sobre quem decide o rumo das tecnologias.

Nazifascismo como alerta para o presente

Ao longo da coluna, Grossmann recuperou também a trajetória de ascensão e queda dos regimes nazifascistas na primeira metade do século passado. Ele ressaltou o papel decisivo da articulação internacional que se formou para derrotar esses governos, lembrando que a vitória não eliminou, por si só, as raízes autoritárias na sociedade.

Para o professor, essa memória histórica funciona como um aviso diante do ressurgimento de forças de extrema-direita em diferentes países, inclusive no Brasil. Ele chamou atenção para discursos que atacam instituições democráticas, relativizam violações de direitos humanos e exploram crises econômicas, culturais e ambientais para ganhar apoio.

“Como enfrentar o avanço da extrema-direita no Brasil e no mundo diante dos conflitos culturais, tecnológicos e políticos?”, questionou Grossmann, ao propor que a experiência com o nazifascismo seja usada como lente crítica para o presente.

Crises ambientais, política e tecnologia no mesmo tabuleiro

A reflexão costurou ainda a emergência climática e as crises ecológicas ao debate sobre tecnologia e democracia. A avaliação do grupo é que os principais desafios do século passam por uma mesma encruzilhada: modelos de desenvolvimento que pressionam o planeta, concentração de poder econômico e informacional e fragilização de instituições democráticas.

Nesse cenário, os avanços científicos — como a detecção de campos magnéticos em exoplanetas distantes — convivem com fronteiras éticas cada vez mais complexas, a começar pelo uso de inteligência artificial em segurança pública, vigilância, publicidade política e tomada de decisão em políticas públicas.

Para os participantes da coluna, enfrentar esse quadro exige integrar saberes acadêmicos, movimentos sociais, iniciativas privadas e governos em torno de projetos que combinem inovação tecnológica, redução de desigualdades e preservação ambiental.

Debate interdisciplinar e próximos passos

A abordagem de Grossmann e dos professores e jornalistas convidados tende a estimular diálogos mais amplos dentro e fora da universidade, em especial sobre a regulação da inteligência artificial, a defesa da democracia e o combate a discursos extremistas.

Na prática, a descoberta do campo magnético do exoplaneta deve animar novos projetos em astrofísica e exploração espacial, enquanto a discussão sobre superinteligência e autoritarismo se desdobra em agendas de pesquisa, propostas legislativas e ações de mobilização social. A expectativa dos organizadores é que, nas próximas edições da coluna, o público volte a esses temas com novas perguntas e contribuições, aprofundando o debate sobre o futuro da humanidade em meio às transformações em curso.

Fonte: matéria original