Pediatras alertam riscos de brinquedos com IA para crianças hoje
Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para riscos de brinquedos inteligentes com IA, que coletam dados por câmera e microfone e simulam vínculos afetivos com crianças.

Inteligência Artificial
Especialistas destacam os perigos dos brinquedos inteligentes que monitoram crianças e criam conexões artificiais.
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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta semana um alerta sobre os riscos dos brinquedos inteligentes com inteligência artificial para crianças e adolescentes em todo o país, chamando atenção para a coleta de dados pessoais e para o impacto desses dispositivos no desenvolvimento emocional e social.
Brinquedos que ouvem, veem e guardam informações
Esses brinquedos se conectam à internet, conversam com as crianças, reconhecem vozes e imagens, memorizam informações e adaptam respostas a cada interação. A SBP ressalta que, embora esse tipo de recurso torne a brincadeira mais interativa, também abre espaço para problemas de segurança e privacidade.
Os pediatras alertam que muitos desses produtos utilizam câmeras e microfones para registrar conversas, imagens e detalhes sobre hábitos e preferências das crianças. Esses dados podem ser armazenados e usados por empresas de tecnologia e fabricantes, o que exige transparência sobre como são coletados, protegidos e eventualmente compartilhados.
A orientação é que pais e responsáveis verifiquem se há conexão permanente à internet, quais permissões o brinquedo exige e se existe política clara de proteção de dados, em linguagem acessível. Também é recomendado desconectar ou limitar o uso on-line sempre que possível.
Entenda o contexto
A popularização de assistentes virtuais, bonecos conectados, robôs de conversa e outros dispositivos com inteligência artificial generativa vem mudando a forma de brincar. Em vez de interações apenas físicas ou imaginárias, as crianças passam a dialogar com sistemas que respondem em tempo real, lembram gostos anteriores e usam expressões afetivas.
Para a SBP, essa mudança exige um novo tipo de cuidado familiar: além de checar faixa etária e qualidade do material, é preciso avaliar como o brinquedo trata dados, que tipo de conversa propõe e quais limites devem ser estabelecidos em casa.
Linguagem afetiva e confusão de vínculos
Um dos pontos que mais preocupam os especialistas é o uso de linguagem afetiva. Muitos brinquedos com IA dizem frases que simulam amizade, carinho e apoio, criando a sensação de que são confidentes ou companheiros reais.
Segundo o alerta, a interação frequente com sistemas que se apresentam como amigos pode confundir a percepção das crianças sobre o que é um vínculo humano verdadeiro, baseado em reciprocidade, frustração, desacordo e limites. Na tecnologia, a resposta tende a ser sempre positiva, adaptada para agradar e manter o engajamento.
Esse tipo de relação, se não for mediado por adultos, pode levar meninos e meninas a substituírem conversas com familiares e colegas por trocas com o dispositivo, reduzindo oportunidades de aprender a lidar com conflitos, empatia e frustrações do cotidiano.
O que a SBP recomenda aos pais
No alerta, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que as famílias tenham cautela especial com brinquedos que usam inteligência artificial generativa, permitem conversas abertas, coletam dados pessoais ou simulam relações de amizade e cuidado.
Antes da compra, a recomendação é buscar informações detalhadas sobre o funcionamento do produto, quais dados são coletados, por quanto tempo são armazenados, para que são usados e quais barreiras de segurança o fabricante diz adotar. Também é importante confirmar se o brinquedo é realmente adequado à idade da criança indicada na embalagem.
Depois que o brinquedo entra em casa, os pediatras sugerem acompanhar de perto como a criança interage com o dispositivo, ouvir o tipo de conversa que se estabelece e estabelecer limites de tempo e de uso, assim como já se faz com telas em geral.
A SBP reforça que “a presença da inteligência artificial não torna um brinquedo necessariamente bom ou ruim. A avaliação deve considerar os benefícios oferecidos, a segurança do produto e sua adequação à fase de desenvolvimento da criança”.
Brincar com tecnologia não substitui o brincar de verdade
O alerta destaca que o brincar segue sendo central para o desenvolvimento infantil, seja no campo da linguagem, da criatividade, da coordenação motora ou da convivência social. Brincadeiras de faz de conta, jogos ao ar livre, encontros com outras crianças e a convivência familiar continuam sendo insubstituíveis.
Na visão dos pediatras, a tecnologia pode ser incorporada ao universo infantil como complemento, desde que com supervisão adulta, regras claras e prioridade para as experiências presenciais. A entidade ressalta que cabe aos pais e responsáveis garantir que a inovação esteja a serviço da infância, e não o contrário.
Com o alerta, a expectativa é que famílias, fabricantes de brinquedos e empresas de tecnologia intensifiquem o debate sobre segurança de dados, limites de uso e transparência, e que eventuais recomendações e normas mais rígidas sejam discutidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
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