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Inteligência Artificial

Bispos dos EUA debatem IA e imigração em assembleia de novembro

Assembleia da USCCB em Baltimore, de 16 a 19 de novembro, terá foco em inteligência artificial, imigração, evangelização, textos litúrgicos, causas de santos e eleição de líderes.

Bispos dos EUA debatem IA e imigração em assembleia de novembro

Inteligência Artificial

Bispos norte-americanos discutem temas atuais como IA e imigração durante encontro em Baltimore.

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A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) confirmou para 16 a 19 de novembro, em Baltimore, a Assembleia Plenária de Outono, que terá debates sobre inteligência artificial na Igreja, imigração, evangelização e votações sobre textos litúrgicos, causas de canonização, orçamento e cargos de liderança. As sessões públicas, nos dias 17 e 18, serão transmitidas ao vivo.

IA, dignidade humana e desafios tecnológicos

Um dos momentos centrais do encontro será a exposição do bispo Oscar Cantù, da Diocese de San José, na Califórnia, sobre o uso da inteligência artificial na vida da Igreja. Ele preside a Força-Tarefa para Preservação da Dignidade Humana na Era da Inteligência Artificial, criada neste ano pela USCCB para orientar o tema à luz da encíclica Magnifica Humanitas, do papa Leão XIV.

O grupo deve apresentar recomendações para um uso responsável da tecnologia em atividades pastorais, produção de conteúdo religioso e gestão interna das dioceses, com atenção especial à proteção da dignidade humana. A expectativa é que o debate provoque posicionamentos mais claros dos bispos sobre oportunidades e riscos da IA, com possíveis desdobramentos em diretrizes futuras.

Imigração e justiça racial em pauta

Na área social, o bispo Brendan J. Cahill, da Diocese de Victoria, no Texas, e presidente do Comitê de Migração, fará um balanço da mensagem aprovada pelos bispos que se opõe à “deportação em massa indiscriminada de pessoas”. A atualização deve reforçar a atuação da Igreja como voz crítica a políticas migratórias consideradas desumanas e orientar a ação pastoral junto a comunidades de imigrantes.

O tema racial também estará em evidência. Os bispos vão votar a criação de uma observância anual de um Dia de Oração pela Justiça Racial, buscando consolidar um compromisso nacional com o combate ao racismo dentro e fora da Igreja. O bispo Robert J. Brennan, de Brooklyn, Nova York, que preside o Comitê para a Diversidade Cultural na Igreja, falará ainda sobre a Novena de Guadalupe, expressão de devoção popular fortemente ligada a fiéis latino-americanos.

Evangelização e interesse religioso entre jovens

A assembleia inclui também uma apresentação em painel sobre sinais de aumento de conversões e de um novo interesse religioso entre jovens adultos. Bispos e especialistas devem discutir como a Igreja pode responder a esse movimento com propostas de evangelização mais próximas da realidade digital e das inquietações da nova geração.

O tema se conecta ao debate sobre inteligência artificial e comunicação religiosa, já que muitas iniciativas voltadas aos jovens passam por redes sociais, plataformas online e produção de conteúdo em ambiente digital.

Textos litúrgicos e causas de canonização

No campo litúrgico, os bispos votarão uma nova edição do Lecionário para a Missa e do Livro dos Evangelhos, que orientam as leituras e a proclamação da Palavra durante as celebrações. As mudanças podem impactar diretamente a experiência dos fiéis nas paróquias do país.

Os bispos também vão se posicionar sobre o avanço das causas de canonização de dois norte-americanos, Maria Middleton e Thomas Steven Vander Woude. O apoio da conferência é visto como um impulso importante no processo que avalia relatos de virtudes heroicas e pedidos de reconhecimento como santos pela Igreja.

Orçamento, diretrizes pró-vida e finanças

A pauta administrativa inclui a votação do orçamento da USCCB e uma revisão do plano pastoral do Secretariado de Atividades Pró-Vida, que coordena iniciativas em defesa da vida desde a concepção até a morte natural. A atualização deve alinhar programas, campanhas e linguagem às preocupações atuais do debate público sobre o tema.

Os bispos também analisarão ajustes nas Diretrizes de Relatórios Financeiros Diocesanos e nas Diretrizes de Investimento Socialmente Responsável. A intenção é reforçar transparência, padronizar a prestação de contas e garantir que aplicações financeiras das dioceses respeitem princípios éticos e sociais da Igreja.

Eleição de novos líderes para a conferência

Com mandatos de liderança chegando ao fim, a USCCB fará uma série de eleições internas. Um novo secretário será escolhido entre o bispo Kevin C. Rhoades, de Fort Wayne-South Bend, em Indiana, e o bispo Earl K. Fernandes, de Columbus, Ohio.

Os bispos também vão definir quem presidirá comitês estratégicos, como os de Educação Católica, Comunicações, Diversidade Cultural na Igreja, Doutrina, Coleções Nacionais e Atividades Pró-Vida. Os escolhidos atuarão inicialmente por um ano como bispos-eleitos e assumirão efetivamente os cargos no próximo outono norte-americano, para mandatos de três anos.

Entenda o contexto

A Assembleia Plenária de Outono reúne anualmente o episcopado dos Estados Unidos para definir prioridades pastorais, aprovar documentos e tratar da organização interna da conferência. Há 15 anos as sessões públicas são transmitidas ao vivo, o que ampliou a transparência e permitiu maior acompanhamento por parte de fiéis e interessados.

Neste ano, além das discussões temáticas, estão previstos discursos do arcebispo Paul S. Coakley, presidente da USCCB, e do arcebispo Gabriele Caccia, núncio papal nos Estados Unidos. As falas devem alinhar a agenda da conferência com as orientações da Santa Sé e apontar as prioridades da Igreja no país diante de desafios tecnológicos, sociais e pastorais.

Fonte: matéria original